segunda-feira, 28 de maio de 2007

Back to Black
Amy: Branca com voz de negra (mais uma)

Em qualquer atividade da vida, a comparação é inevitável. Todo dia, surgem novos Pelés, Ayrton Sennas, Chacrinhas e afins. E o mesmo acontece na música.

Talvez por isso Amy Winehouse tenha dado de ombros quando disseram que seu estilo lembrava o da memorável e cativante Billie Holiday. Tal qual a americana, esta britânica de apenas 24 anos também encanta por sua voz rouca, negra e anasalada.

Pois os tempos mudaram, os costumes também, mas a filosofia continuou a mesma. Sam Philips, o lendário dono da Sun Records, berço do Rock'n Roll e Rythm'n Blues dos anos 1950, disse uma vez: "Se eu encontrar um branco que tenha voz de negro, ganharei 1 milhão de dólares". Ganhou muito mais quando achou Elvis Presley, mas isso é outra história.

Amy Winehouse era apenas um nome que soava bonito até outro dia, não fosse um CD que surgiu por acidente em meu carro, fruto do esquecimento do meu irmão. E Amy ficou lá por vários dias, em uma mídia que não continha nenhuma identificação. Por acaso invadiu o som do carro. E, depois disso, foi paixão nos primeiros acordes.

O disco em questão, Back to Black, é recente, de 2006. Contém apenas 10 canções, número relativamente baixo em uma época onde iPods de 80GB circulam por aí. Mas são 10 belas canções. Amy é conhecida na Inglaterra por seus problemas com bebida. Fruto de marketing ou não, ela transpôe, de forma cínica e provocativa, esses problemas para suas canções.

E faz isso logo na primeira frase da primeira canção, Rehab. O título não é sem querer. Ela fala justamente da insistência da família em interná-la em uma clínica de reabilitação, mas ela se recusa. Recusa sim, mas com muito funk, soul e metais cirurgicamente inseridos na música.

Destaque tbm para a canção 2, I'm No Good, em que ela se auto-declara no good para um possível ex-namorado. Uma farra, com uma batida de bateria muito envolvente.

Amy Winehouse conseguiu me surpreender. Mesmo em um cenário musical cercado de Avrils, Josses, Norahs e Corinnes, Amy corre por fora. Pode não roubar a cena, mas definitivamente tentará levar o champagne.
Back in Black

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Em Interlagos, a mais de 300 km/h numa Ferrari F430

Manhã fria, chuvosa e com ventos gélidos que parecem praticamente nos implorar para permanecer na cama. Talvez até fosse o caso, não estivesse eu prestes a embarcar em uma Ferrari F430 em cinco minutos que nunca passaram tão rapidamente.

O acontecimento ocorreu na última semana. O evento, chamado de Pósitron Racing Day, tinha como principal chamariz uma volta a bordo do bólido vermelho, avaliado em singelos R$ 1,5 milhão (cerca de míseros 3 milhões de reais), pelas curvas do Autódromo José Carlos Pace.

Além da imprensa, clientes foram convidados. Tirar uma foto do carro era tarefa difícil. Fazê-la sem que alguém estivesse ao fundo então, missão quase impossível. Cadastro feito, lá fui eu para a área dos boxes onde a Ferrari estaria me aguardando. Logicamente, estaria somente ao lado do piloto. Este sim, sentiria os quase 500 cv em suas mãos.

Ao ver o carro pela primeira vez, confesso que senti um misto de frustração com admiração. O carro estava ali, OK. Mas, cheio de adesivos promocionais colados na lataria, perdeu um pouco do glamour que cerca a lendária marca italiana. Além do mais, fatores como sujeira, aliados ao próprio cenário do dia – cinza e pálido - tiraram aquela imagem de “Salão do Automóvel” que costumam preencher nossas mentes. Não era um carro tilintando, reluzente, ao lado de uma linda modelo. Não vi nada disso por lá – incluindo a modelo – mas, inegável o fato, era uma Ferrari.

A impressão só começou a mudar mesmo quando embarquei no carro - mesmo assim, não tão rapidamente. O painel empoeirado, somados aos tapetes molhados e sujos, mais uma vez, tiraram a ideologia que tinha de encontrar um carro brilhando. Uma vez colocado o cinto, chegou a hora de acelerar.

E aí tudo mudou.

Na saída, receoso, o piloto Jorge Neto expressou sua preocupação com o piso molhado – a chuva fina ainda tomava de assalto o conforto da imensa fila que aguardava sua vez de andar na Ferrari. Em poucos segundos – ou até 4,1, segundo divulga a fábrica - o carro já atingia 100 km/h, e ainda estávamos dentro dos boxes. No sentido contrário.

Neto deu um belo giro de 180º para iniciar a volta em Interlagos, a partir da reta dos boxes. Aquela foi minha primeira volta dentro do autódromo de Interlagos. Um circuito com curvas que já estou cansado de conhecer, desde os tempos de infância quando ainda sonhava ser um piloto. Mas foi somente ali, ao vivo, na pista, que percebi não conhecer nada, na verdade. Curvas que pareciam abertas eram fechadas; as lentas, eram rápidas. E retas, até então curtas pra mim, foram longas e instigantes.

No meio do trajeto, Neto deu uns giros (ou os famosos “cavalos-de-pau”) com a Ferrari, enquanto contorcia os dedos, que subiam e desciam as marchas atrás do volante, no formato “borboleta”. O volante, aliás, traz o botão engine start, que por vezes me deixava na dúvida: era um carro de passeio ou um Fórmula 1?

E o F430 é um pouco das duas coisas. O carro conta com diversas tecnologias vindas do circo da F1, como volantes inteligentes, ou controle do diferencial, que “gruda” o veículo ao solo. Gruda, mas o talento do piloto ajuda. Jorge Neto confessou a dificuldade em segurar o carro na pista molhada, e ainda comparou a Ferrari ao stock-car que dirige em campeonatos. “O número de cavalos é o mesmo, mas o stock é mais leve”, diz, pouco antes de um sorriso previsível.

Na reta dos boxes, não cheguei a olhar o velocímetro para saber se o carro chegou aos 310 km/h prometidos pela empresa. Mesmo assim, a velocidade, aliada ao ronco do motor, impressiona.

Fim da volta, de volta ao mundo real, semáforos e faixas de pedestre. Chegando ao meu carro, notei como o tapete estava limpo e bem cuidado. O painel não tinha pó, tampouco eu ostentava propagandas na parte externa. Mas foi só puxar uma segunda, enquanto saía do estacionamento, para ver a Ferrari, ao longe, rodando pelo circuito, com o felizardo da vez. A uma distância tão grande quanto a que me separa dos milhões de reais que a comprariam.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Fiéis Seguidores
13 anos depois, túmulo de Senna reúne os mesmos fãs

Há 13 anos, eles estão lá, faça chuva ou faça sol. Sempre, à beira de um não tão frondoso Ipê, descansam suas vistas, refletem e mantém acesa a chama do ídolo Ayrton Senna, morto em 1º de maio de 1994. E não são poucos. No Cemitério do Morumby, amantes de automobilismo, curiosos e turistas de passagem pela cidade se juntam aos que, religiosamente, estão lá todo começo do quinto mês.

“Ayrton Senna é sinônimo de esperança, sonho e vitória”, resume o entregador de panfletos Antônio Paulo Baptista, 45, ou simplesmente Senninha, como é conhecido na cidade onde vive, Capão da Canoa (RS). O gaúcho enfrenta 18 horas de viagem todo ano, e fica durante boa parte do dia ao lado do túmulo de Senna. O fã é figurinha reconhecida por muitos no local, apesar da mudança este ano – veio com um macacão amarelo, em vez do tradicional vermelho dos anos anteriores. “Queria fazer uma homenagem ao Pan”, diz Baptista, que não entrega panfletos somente em Capão da Canoa, mas também para os visitantes do Cemitério. Nos papéis, mensagens religiosas e de esperança. Na entrevista, Senninha reforça a mensagem aos governantes: “desativem a FEBEM, uma escola do crime”, enquanto revela dezenas de imagens em seu álbum ao lado de famosos globais.

A imagem do piloto Ayrton Senna ainda é forte para a maioria de nós, mas é inegável que aos poucos perde um pouco sua força. Nesse sentido, algum trabalho foi feito em 2004, quando se completaram 10 anos de sua morte, mas após isso, pouca coisa. Prova disso acontece quando chega uma mãe ao túmulo com duas crianças, de, no máximo, 6 anos: “Mãe, quem é esse aqui?” pergunta um dos meninos, apontando para um grande cartaz com recortes, cartas e fotos de Senna. Afinal, uma criança hoje com 13 anos somente sabe de Senna por imagens no You Tube ou comunidades no Orkut. Inexorável, o tempo.


Cartaz direto do Japão, em frente ao túmulo de Ayrton

Felizmente, Senna não era um herói exclusivo do Brasil, mas mundial. Isso explica, mesmo 13 anos após sua morte, cartazes vindos do Japão, ou a presença de Mechthild Hemmer, uma alemã de Colonia – terra do rival Michael Schumacher. A fã veio ao Brasil especialmente para o dia 1º de maio. “Deixei marido e filhos, que tiveram que aceitar minha decisão”, afirma. Nos anos anteriores, Mechthild não veio a São Paulo, mas a Ímola, na Itáliam no circuito que levou a vida de Ayrton. Lá, como muitos, deixa flores e homenagens em frente ao monumento de Ayrton, um enorme busto erguido no ponto onde ocorreu a batida. “Muitas crianças vão lá, é impressionante”, diz a torcedora, que aprecia o grande carisma de Ayrton. “Hoje, vejo um pouco desse carisma em Lewis Hamilton”, confessa. Ela, como muitos, não deixou de reparar nas cores do capacete do inglês, revelação da McLaren, que tem partes muito similares ao do tri-campeão brasileiro. Sobre Schumacher? “É um bom piloto, mas não gosto dele”, resume.

Por aqui, claro, o profissionalismo não é o mesmo. Não há bustos no cemitério. E a única homenagem mais forte na cidade, a controversa estátua em frente ao túnel que carrega seu nome, é constantemente alvo de vandalismo. Até alguns anos, havia pelo menos a Banca do Montanha. Lá, em frente à entrada do cemitério, um pequeno estabelecimento vendia fitas K-7 com o “tema da vitória” e camisetas temáticas, entre outros badulaques. Mas já fechou há muitos anos. No dia 01/05, somente alguns rapazes tentavam vender réplicas do capacete do piloto. Alguns chegavam a oferecer a peça para visitantes ao lado do túmulo – o preço, singelos R$ 300,00.

Baptista, o Senninha, é um dos que não cai na tentação de venda dos jovens. Ele mostra, com orgulho, um certificado de que possui um capacete pintado por Sid Mosca, o artista que criou e fazia as pinturas do acessório de Senna. “Há apenas 1.000 desses”, exalta.

Já Carlos Augusto, técnico em instrumentos musicais, não tem um capacete para ostentar. Ele possui um Corcel II, do mesmo ano ao que era usado por Ayrton. “Na adolescência, aos 17, 18 anos, ele adorava pegar o Corcel do tio e correr com o carro”, explica. Carlos tem “gasolina no sangue”, como diz. Seu pai, Augusto Orlando Virardi, faleceu em 1983 após ver Nelson Piquet bi-campeão, pela TV. O fã de 41 anos presta uma homenagem ao pai indo todo ano aos GPs de Fórmula 1 em Interlagos, como fiscal de pista. Ano passado, esteve lá, e lembrou dos tempos de Ayrton ao ver Massa vencer. “Foi um amigo meu quem entregou a bandeira a Massa” conta orgulhoso, sem esconder a emoção ao fazer a inevitável comparação com Senna.

Talvez não haja mais a Banca do Montanha. Também não são muitas flores no túmulo como era de se esperar. Mas a imagem de Ayrton permanece. Longe das pistas, discreta e serena, mas repleta de fiéis, cada um com sua história e ligação particular com o ídolo.

segunda-feira, 30 de abril de 2007



Lhasa, já ouviu falar? Não, não a raça do cachorro. A capital do Tibet mesmo. Tibet, onde o Brad Pitt ficou sete anos - acho que foram sete.

Enfim, só queria falar de Lhasa nesta manhã de segunda devido a um jornalista, o José Antônio Ramalho. Estou auxiliando-o (como RP) na tentativa dele de cruzar o Himalaia de bicicleta. 1.100 km, em altitudes até 5.000m. O cara é louco. Mas, entende disso, e é um louco levando uma câmera da Sony Ericsson, o que justifica meu trabalho.

Dia 1º começa a pedalada. Boa sorte a ele. A viagem pode ser acompanhada (já está no ar) pelo blog http://himalaiadebike.blogspot.com, que tem imagens realmente impressionantes da cultura de lá.

Ah, e na verdade o que queria dizer é que a tecnologia realmente assusta. O cara está no fim do mundo (bem, tecnicamente ele já esteve no fim do mundo oficial, em 2005, mas isso é outra história), e trocou SMS comigo em questão de segundos. Impressionante... Mesmo trabalhando com isso, ainda não consigo deixar de me assustar com certas "facilidades" que nos cercam.

Facilidades mesmo?
Na Trip deste mês, dedicada ao trabalho, tem um texto muito bom sobre isso. Algum dia comento-o por aqui (quem sabe hoje ainda, já que estou completamente à toa nessa véspera do Dia do Trabalho).

sábado, 28 de abril de 2007

A Gripe ataca




E, enquanto ela está aqui, muita leitura, descanso e reflexões (sempre elas).


Ah sim, também muito violão - mas sem a voz, já que a garganta e a falta de ar tbm estão ruins.


Duas músicas que se completam no momento:


Have I told you lately I love you?
(já disse que te adoro hoje?)

Have I told you lately that I love you?
Could I tell you once again somehow?
Have I told with all my heart and soul how I adore you?
Well darling I’m telling you now

Have I told you lately when I’m sleeping
Every dream I dream is you somehow?
Have I told you why the nights are long when you're not with me?
Well darling I’m telling you now


In My Way

I may not be here tomorrow
But Im close beside you today
So lie to me a little, say you love me a lot
And Ill be true to you in my way

Love never goes on forever
At least thats what wise men all say
So smile when you kiss me, tomorrow you may cry
But Ill be true to you in my way

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Los Hermanos (editado, como deve ser)

Posso ouvir o vento passar,
Assistir à onda bater,
Mas o estrago que faz
A vida é curta pra ver...

Como pode alguém sonhar
O que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer

Não sei mas
Sinto que é como sonhar
Que o esforço pra lembrar
É a vontade de esquecer...

E como será? O vento vai dizer
Lento o que virá,e se chover demais,
A gente vai saber,claro de um trovão,
Se alguém depois
Sorrir em paz.

Não é fácil, viu? Ainda não acabou...
Chaos and Creation in The Backyard



Existem casos em que a gente é surpreendido positivamente. E isso vale em tudo, claro. Só que aqui, especificamente, vou falar do novo (já não tão novo assim) álbum do ex-beatle Paul McCartney. Gostaria muito de escrever uma crítica sobre o álbum em alguma revista ou site musical. Como não tenho essa facilidade (ainda), meu blog será a sede dessa auto-gratificação.

Paul mostra em seu último trabalho que ainda existe o Beatle que o mundo viu e tanto se acostumou. O disco Chaos and Creation in the Backyard, assim como o seu primeiro pós-Beatles, McCartney's, foi quase inteiramente gravado pelo artista. Gravado mesmo, em cada instrumento, desde bateria, baixos e violão, até instrumentos menos ortodoxos, com flautas indianas e harmônicas.

A diferença para seu primeiro álbum solo, claro, está no singelo fato de que, à época, ele divulgou o disco na mesma época de Let It Be, o derradeiro álbum do quarteto - tamanha era sua revelia ao grupo.

Quase quarenta anos depois, Paul ainda tem disposição para escrever e gravar boas músicas. Embora o CD não tenha sido um estouro de vendas - chegou à 10ª posição nas paradas inglesas -, agrada tanto a jovens como aos tiozinhos (em idade ou na cabeça mesmo).

English Tea, de um arranjo belíssimo, remete aos primórdios Londrinos do chá com limão da tarde. Já Fine Line, que traz o título do disco em sua letra, é de uma simplicidade entusiástica. Sir Paul mostra que não é necessário inventar e quebrar a cabeça em experimentações como nos tempos de Pet Sounds ou Sgt Peppers... Ainda há espaço para trabalhos simples e de boa qualidade. Ok, talvez espaço até o 10º lugar, mas há.

P.S: Agora, como não cantarolar mentalmente os primeiros versos de Ob-La-Di, ObLa-Da quando ouvimos o início de Friends To Go...

segunda-feira, 23 de abril de 2007





Fim-de-semana conturbado, o último. Mas, felizmente, terminou muito bem, com uma tarde de domingo cheia de reflexões e descompromissos banais, mas legais.



Agradeço por todos que estão em minha vida. Todas as pessoas boas. A tudo que conquistei, e que ainda quero conquistar.

Uma boa semana a todos(as).

quarta-feira, 18 de abril de 2007



Nem tudo são flores...
Mesmo quando pensamos estar preparados, não estamos.
Estou ao seu lado para o que precisar, Woo.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

I Encontro Pan-americano do Joly


Comemorando o I dia da Justiça Social Pan-americana (14 de abril), chamei alguns amigos do trabalho (e afins) para uma pequena confraternização em casa.

Presenças ilustres, algum rock'n roll, música e fotos no celular, Fernando bêbado (como há muito não via) e risadas de sobra.

Foi muito gostoso, mas o pessoal levou tanta bebida que estou seriamente pensando em marcar uma festa extra, só para acabar com as bebidas...
Posted by Picasa

terça-feira, 10 de abril de 2007




...e assim, após 3 dias de Páscoa, tudo mudou (não que eu tenha pedido por isso).








domingo, 8 de abril de 2007

Páscoa
(Sinônimo de renovação, segundo me disseram hoje durante partes do dia)

A renovação nem sempre é rápida, simples e indolor.

Ganhamos.
Perdemos.

Sofremos, choramos, rimos e sorrimos.
Rezamos.

Erramos, e rasuramos.
Reagimos, reatamos.

Arrependemos, e de repente
Revemos, em redes de ressentimentos

Robertos, Renatas, regras
Burocracia, resfenol pra relaxar

Roxo, rasgo e remendo
Assim, sem renovar?

Raramente é rápido e rasteito
Prezo pela reavaliação
Reparação de danos

Um dia, revendo o de repente,
Arroubos* de repentes

E, sem estar com repelentes,
Ressuscitamos.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Ótimo texto de Cynara Menezes, enviado por Natália Fava para mim

MAKTUB-SE QUEM PUDER
OU A ARTE DE SE LIVRAR DOS PROBLEMAS SEM RESOLVÊ-LOS

Os problemas são a mais democrática das instituições. Não poupam ninguém: pobre ou rico, anônimo ou celebridade. Quando você pensa que está indo tudo às mil maravilhas, tcharã... surge um problema! Enfrentá-los é uma arte. Tem gente que prefere sentar e chorar à mera aparição de um deles, sentindo-se a pessoa mais azarada do mundo. Outros simplesmente fingem que nada está acontecendo.

Por mais amalucado que pareça, há várias técnicas para fugir dos problemas. Uma delas é a de jogar para Deus: você perdeu o emprego, está devendo grana no banco, sua namorada tá dando mole praquele amigo bem-sucedido, seu cachorro adoeceu, sua unha encravou e está doendo pacas. Aí você diz pra si mesmo: “Quer saber? Vou jogar praDeus!”. Não adianta nada, mas dá uma paz...

Uma maneira ótima de evitar resolver questões importantes é passar a aplicar os desígnios do destino aos acontecimentos do dia-a-dia. Por exemplo: você perdeu aquele concurso para o qual estudou meses a fio,deixando de dormir noites seguidas e que lhe rendeu uma gastrite de tanto nervoso. “Ah, era o destino!”, você pensa. E deixa pra lá.

O bom de praticar o maktub (“assim estava escrito” em árabe) como um mantraé que você deixa de ter decepções. Por que arrancar os cabelos se estava escrito antes de eu nascer que ia ser assim? O maktub é uma maravilha que pode ser usada do mais reles chulé à morte de um ente querido.

Veja: você chegou a uma lanchonete seco para tomar uma Coca, mas só tinha Fanta. Em vez de se aborrecer perguntando no boteco ao lado, você aceita: tudo bem, é o destino! Deu uma mancada daquelas e perdeu a mulher da sua vida? Maktub, ué. Nem pense que teve participação naquilo. Era o d-e-s-t-i-n-o.

PERSONAL PROBLEMATOR

É muito reconfortante pensar que fios invisíveis nos conduzem até os problemas (e até a solução deles) sem que nada do que façamos interfira. Lá em cima, as mãos do grande manipulador de marionetes é que estão guiando tudo... Responsabilidade zero pra nós.

Outra estratégia de fuga é criar frases engraçadinhas, mostrando ser superior às adversidades. Foi demitido? Arqueie a sobrancelha e filosofe: “O único defeito do desemprego é a falta de dinheiro”. Uau! Está napindaíba porque gastou mais do que ganha? Diga: “Resolvi meus problemas com o banco. Cada vez que meu extrato aparece na tela eusimplesmente viro o rosto”. Gênio.

Há mais truques: ligar o botão do foda-se; sentar em cima dos problemas; enfiá-los no congelador; deixar pra resolver depois das férias; empurrar com a barriga... Qualquer dia desses alguém inventa um“personal problemator” para resolver os problemas em nosso lugar. Vai ficar rico.

Invejo quem consegue virar avestruz diante de um problema. Eu nem consigo dormir até que os resolva, como uma equação difícil do segundo grau. Vi outro dia uma frase da escritora Patricia Mello no filme O Homemdo Ano (baseado em seu livro O Matador):“A vida é uma coisa engraçada. Ela vai sozinha, como um rio, se você deixar. Você também pode botar um cabresto, fazer da vida o seu cavalo. A gente faz da vida o que quer.Cada um escolhe sua sina, cavalo ou rio.”

Não dá pra ser rio diante de um problema. Pelo menos não dos quedependem de nós para serem resolvidos. Tem coisas sobre as quais nada podemos fazer a não ser torcer: um caso de doença na família, um amigo deprimido ou a fome no mundo. Outras dependem de mexermosos pauzinhos - e não o destino. Sabe esse lance de “deixa a vida me levar”?

Só funciona em letra de pagode.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Blog de Luís Joly apresenta novo visual
Jornalista e escritor, que possui blog desde 2003, investe no portal
São Paulo, 24 de março de 2007 - Conforme anunciado há algumas semanas, entrou ontem no ar o novo layout para o blog do jornalista e escritor Luís Joly. O blog, que agora apresenta imagens do jornalista, além de fotos de momentos de sua vida, ganha uma interface mais amigável. Em algumas semanas, o site deverá ganhar sua forma final. A arte ficou por conta do artista Marcos Carvalho.
"Há algum tempo vinha querendo mudar a apresentação do meu blog", comenta Joly. O processo de mudança teve início após o acordo finalizado com o designer e artista Marcos Carvalho, que cedeu realizar o trabalho mediante o pagamento de um almoço. "Fico feliz em poder contribuir com um site que registra um aumento constante no número de pageviews", diz Carvalho. Para ele, sua contribuição poderá render frutos. "Muitas pessoas influentes acessam o site diariamente. É bom saber que meu trabalho estará exposto a gênios de nossa sociedade", reforça.
O blog, que nasceu em 2003 após recomendações da assessora de imprensa Caru Fogaça, completa agora 4 anos no ar, após altos e baixos. "Tive períodos de incerteza com relação ao site, mas senti que ia dar certo após 2005", confessa o criador. O layout, segundo ele, ainda deverá sofrer pequenas alterações ao longo das próximas semanas. "Faremos mudanças em detalhes como os posts e quem sabe o tamanho das imagens", diz. Sobre a escolha das fotos, Joly manteve a preferência por símbolos que retratassem um pouco de seu passado e presente: "Chaves, Elvis e Senna costumam ser associáveis. Portanto, não poderiam deixar de estar na nova interface", admite.
O blog de Joly, "Teremos Coisas Bonitas pra Contar", recebe uma média de 6 a 7 visistantes por mês. Em períodos de pico, até 10 ususários acessam o endereço, que recebeu o nome de um trecho da música da Legião Urbana, "Metal Contra as Nuvens". "Uma antiga história que hoje é passado, mas acabou ficando como o nome do blog", desconversa o criador.

sexta-feira, 16 de março de 2007

A Frustração Humana


A frustração faz parte do dia-a-dia de todos: como lidar com isso?

(Antes de se iniciarem no texto, convido-os a clicar na imagem [abrindo-a em uma nova janela, claro], e que a analisem melhor, ampliada)

Hoje recebi um e-mail muito interessante. Tão interessante, de fato, que decidi abrir mão das "obras" do blog, e deixar esse último post antes que o site tenha seu novo (e a aguardado) visual.

O e-mail falava do "Princípio 90/10". Ele diz, por meio de um exemplo bem cotidiano, que 1o% da sua vida está relacionado com o que se passa com você, enquanto 90% se relacionam à forma como você reage ao que se passa (ou seja, aos 10% restantes).

Na prática, isso significa que, se você encarar toda situação ruim de maneira negativa, vai carregar isso e levar para os outros.
Se você ficar mal humorado quando encontrar alguém que não quer, irá guardar o mal humor dentro de você e fazer pior o seu dia.

Nem sempre temos tudo que queremos. E aí entram meus comentários sobre a foto acima, que encontrei após uma despretensiosa busca no Google. Um jovem Ayrton Senna, ainda com sonhos de ser campeão mundial, em um raro momento de solidão, acompanhada de um sentimento de impotência e frustração.

Um Ayrton Senna que um dia era meu grande ídolo. Meu herói de adolescência, minha meta, meus parâmetros de conquista, obstinação e garra - palavras que tão bem combinam com a Fórmula 1 e o brasileiro. Sentado aos pés de sua Lotus, à pé, parece olhar para o horizonte, como quem enxerga o sonho que tinha naquele momento se distanciar; estar tão longe quanto as montanhas que fazem o deslumbrante fundo da imagem.

Sua Lotus, imponente e majestosa, estampa a imagem e faz o contrate com o amarelo brilhante de seu capacete, ali, vazio, sem a essência que o tornou imagem de vitória e patriotismo. Para um piloto de Fórmula 1, nada é pior do que ver seu bólido colorido sem funcionamento. Não há maior frustração para um profissional desse esporte do que ser abandonado pelo carro que tanto confia; que passou pela revisão de tarimbados engenheiros e profissionais bem pagos.

E nós, meros mortais, como lidamos com a frustração?

Outro exemplo de hoje. Uma outra grande amiga me contou um pouco do seu dia-a-dia: lidar com pacientes terminais. Sua missão: ajudá-los, de alguma maneira, a enfrentar o que lhes resta com o minimo de dignidade. Uma tarefa árdua e fascinante ao mesmo tempo.

Hoje, minha chefe me sorriu latindo. E eu ainda reclamo disso? Não. Faço pior. Deixo isso dentro de mim, e ainda repasso aos demais. Faço das tripas coração para que todos saibam de seus pecados e imperfeições.

Bobagem. Somos todos imperfeitos. Sempre seremos.
Somos também mesquinhos. Somos imediatistas, e egoístas demais, até.

Como ter a cabeça para enfrentar um "não"? A negação chega logo antes da frustração.
Acho que a foto sintetiza um pouco, nos traços do rosto de Senna, do que sentimos: ódio, arrependimento, angústia, estagnação, dúvida.

Nossa maior dúvida é saber se um dia deixaremos de tê-las.

Até a volta.

LJ

quinta-feira, 15 de março de 2007

sábado, 10 de março de 2007

O burro... (2)

É tão difícil ser diferente?

Por que as pessoas não podem respeitar que você não é igual a todo mundo, ou pelo menos a maioria? Que você não faz questão daquilo, não importa a mínima pra você. Por que é tão difícil para os outros respeitarem a sua opinião?

Acho que venho conseguindo dizer os "nãos" que quero, mas tem vezes que dói demais. Amores são arranhados ou até destruídos por isso.

O banho não adiantou. O cheiro de cigarro permanece. Junto com ele, um enorme vazio, de quem sabe que lábios não preenchem uma noite, ou uma vida. Mas que, mesmo assim, sofre por não querer mais do mesmo.
O Burro empaca perto do trigo

Como costumo falar pra alguns, momento de extremo sentimento pedem um poema. Não importa a hora.

Aqui estou, 6h da manhã, e resolvi vir escrever. Só que não será um poema.

Por que persistimos com os erros?
A persistência em um erro causou uma grande desilusão com um dos meus melhores amigos, agora pouco.
A insistência que eu mantive. Mais uma vez, mais uma balada fracassada. Saí para dar boas risadas, voltei furioso, estraguei a noite do amigo, a minha e ainda fiquei com a sensação de incompetência.

Por que valorizamos demais as pessoas?
No caso, essa pessoa simplesmente não notou, por livre e espontânea vontade, que eu não estava bem ali. Que queria ir embora. Eu teria parado tudo e todos por ele, fosse o contrário. Mas não foi. E ele não parou. Ou melhor, só parou quando eu pedi. Mas pedi mesmo, com vontade.

Qual o valor de uma amizade?
Durante um dado momento, a sensação de raiva, de frustração e arrependimento eram enormes. Sempre sou eu a abrir mão, a pensar, pesar e penar. Eu não pedi essa sensibilidade. Às vezes, ela atrapalha demais. Ajuda sim, mas também atrapalha.

Mais uma vez, o burro empacou perto do trigo.

sexta-feira, 9 de março de 2007


Somente com o passar do tempo
Só sabendo se suamos ou subimos
Sabendo disso, sentimos certeza.

Só com sangue, soluço e saltos
Suplício, cegueira e sonrisal
Temos cerveja, sol e sapucaí

Sou super, sou assim, sou normal
Sei silenciar o celeste solitário
E sei que só isso, sem salário

Caiu a ficha, sacou o cinto
Sambou na pista, salgou o anísio
Saiu de cena, sentiu-se só

Se em cada sino, soar em sí
Que o certo é sofrer assim
Saio correndo, pois já sofri

E agora, super, sou só sorriso
Pois sei que sendo super normal
Sou eu mais certo, sou só legal

E como quem quebra o copo com mãos de fel
Sigo, rumando solto ao sabor do céu

quinta-feira, 8 de março de 2007


Enquete: O mousse ou a mousse?
Nas últimas semanas, uma grande enquete foi se formando em torno dessa sobremesa que tanto sucesso faz em nossas vidas. Alguns chamam o mousse; outros, preferem a mousse. Sendo assim, peço aos usuários regulares do blog, que postem as suas opiniões. Afinal de contas, é o ou a?


domingo, 4 de março de 2007

Anão: Um clássico das baladas que entram pra (minha) história



Inferno Eletrônico


O dia em que anunciei minha retirada das baladas


Há tempos que eu já vinha pensando nisso. Afinal, desde adolescente não fui fãs das chamadas "baladas" - aliás, na época em que comecei a ir nelas, ainda nem era usado esse nome. Acho que simplesmente íamos pra "night", ou pra "danceteria", algo assim.


O tempo chega para todos nós. Pra mim, acho que sempre chegou um pouco antes. Claro, afinal sempre convivi com pessoas mais novas que eu na escola. Até hoje sou, entre essa turma, alvo de piadas sobre o tema.


Mas voltando às baladas. Desde que passei pela 3ª Grande Mudança, saí para eventos como esse duas vezes. As duas foram terríveis. E decidi, finalmente, anunciar algo que já queria fazer há uns 10 anos. Não vou mais em baladas.


Calma, há exceções. Um aniversário, baladas com música ao vivo, ainda são bem-vindas. Não pretendo me tornar um ermitão que odeia todo e qualquer programa noturno em danceterias.

Porém, quando se trata de ir à baladas com "música" eletrônica, nem pensar. Chega.


Atingimos um ponto em nossa vida em que começamos a exigir alguns confortos, não é mesmo? Sempre falo disso com um amigo meu. Não é frescura. É simplesmente a idade. Chega de programas duvidáveis, dores de cabeça desnecessárias, acomodações que cheiram mal, coisas assim. No entanto, apesar das conversas com o amigo aí de cima serem tão boas, era justamente ele um dos que estava comigo ontem, naquele lugar horrivelmente lotado, apertado, fedendo a cinzeiro e sem dar a menor chance de uma conversa amigável com qualquer semelhante.


Sim, confesso que eu também sou um pouco culpado nisso. Nunca gostei de coisas assim. "Ficar" por ficar nunca existiu pra mim. A idéia de não saber quem é a pessoa que está com você naquele momento é muito estranha pra mim. Romantismo? Covardia? Insegurança? Acho que nada disso. Só sou assim, e assim sou feliz.


Ontem, o local em que estávamos era algo como a antesala do inferno - eu sei que estou exagerando, mas me dá um desconto, estou nervoso. A batida forte daquele ritmo que alguma ameba - que não deve saber achar o "dó" no piano - algum dia chamou de "música" eletrônica é simplesmente aterrorizante! Quem algum dia conseguiu classificar aquilo como "música"???


Aquilo não é canção, não tem melodia, não tem sentimento, não tem paixão, não tem imperfeições, não tem rima, não tem sequência. A "música" eletrônica é um barulho que mais lembra a seqüência de Laranja Mecânica com a lavagem cerebral. Só que lá ainda é melhor, pois ao menos a música é clássica!


Antes de ir à deprimente balada, recebi um conselho de uma namorada de um enorme amigo. Deveria ter ouvido, seguido. Mas, ao menos aprendi. Vale isso, não?

O lugar em que estava com eles continha música. Fosse ao vivo, fosse no aparelho de som. Tinha bateria, tinha voz, tinha respiração e era humanizada.


Saí de um local onde me sentia muito bem. Pleno. Mandei uma mensagem a uma amiga: "estou me sentido feliz". Estava onde queria estar, com os amigos, ouvindo um som, bebendo umas. Lógico, outros amigos poderiam melhorar ainda mais a festa, mas naquela tarde, tudo estava perfeito pra mim.


A mudança de um ambiente para o outro foi tão drástica, brusca que me fez abreviar essa decisão há muito planejada: não vou mais à baladas. Não suporto "música" eletrônica. Não suporto o olhar das pessoas-robô, em seus olhares hipnóticos, dançando ao som das batidas de baterias fajutas que jamais receberam o toque humano.


Nunca fui um rato de baladas. Portanto, acho que não vou fazer a mínima falta nesse meio. Felizmente, ainda tenho muito rock and roll, blues, moda de viola, country, jazz e afins para me consolar diante de tão abrupta decisão e perda.


Sou um mais novo adepto à campanha "Não use drogas! Não ouça 'música' eletrônica". Não sei se já existe, mas que dá vontade de criar pelo menos uma comunidade no Orkut, isso dá.



P.S: Ah, e caso alguém tenha ficado ofendido com o que disse sobre as baladas eletrônicas, cada um na sua. É possível ir até elas e ainda ser uma pessoa encantadora. Mas, de qualquer forma, isto é um blog, ou seja, é a minha opinão e quem não quiser, é só não ler.


P.S 2: Não sei nem a razão de ter falado isso... Quem vê pensa que os 4 leitores regulares vão se incomodar tanto...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Flor-de-Liz*

Tenho um monte de fotos para você ver
Tenho lágrimas pra você sentir
Tenho piadas pra você rir

Tenho músicas pra você ouvir
Tenho uma coleção de CDs pra você tocar
Tenho mil poesias pra você ler

Tenho cem receitas pra te fazer
Tenho meu trabalho pra dividir
Tenho meu amor pra te ver sorrir

Tenho uma vida pra te mostrar
Uma história pra revelar
Tenho tantas coisas pra te contar

Tenho medo e sustos para esquecer
Tenho paciência pra consolar
Tenho sutileza para esperar

Tenho minha vida pra te incluir
Tenho meus motivos para sorrir
Já não tenho tempo pra lamentar

Tenho dó do tempo que já perdi
Mas tenho minha fé pra me sustentar
E tenho certeza do teu olhar

E minha vida inteira pra te mostrar

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Poema do Barão

Sai, daqui
Vem aqui
Vai pra lá
Tô na mão
To de mal
Tô legal

Sou mais eu
Vem aqui
Vem demais
Tá no chão
Tá feliz
Tá Luís

Sei que não
Vou tão bem
Vivo em paz
Tudo bem
Tô de bem
Tô com quem

Sobre mim
Vem assim
Vai em vão
Tenho fé
Tenho mão
Tenho irmão

Sol e luz
Vento e frio
Viro céu
Tanto faz
Tanto fez
Tô na vez

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007


"Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim" - Freud
(a frase foi enviada para mim por e-mail por uma pessoa muito especial)


terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Uma música que nem conheço, que nunca ouvi e cujo cantor não me apetece em nada (é minha opinião, o que vou fazer?) Mas me chamou a atenção, por refletir em diversos pontos da minha vida.

Metáfora

Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Dá um Abraço?

Seguindo a idéia do post anterior, segue link para vídeo que me foi apresentado pela minha irmã Thaísa. É simples, mas ao mesmo tempo lindo. Afinal, onde foram parar os abraços?


Sensibilidade digital


Hoje em dia o imetiatismo é imediato. Vivemos em um tempo onde conversas sérias são feitas pelo Orkut. A pessoa do seu lado te manda um e-mail perguntando se você vai querer almoçar no japonês ou vegetariano. Tudo tem que ser por escrito. Brigas, reconciliações, confissões e declarações. Tudo digital.


Nossa geração - é claro que eu já fiquei pra trás, mas ainda tento ficar na onda - adquiriu uma sensibilidade cibernética. Hoje sabemos quando uma pessoa está triste somente pelo modo de te cumprimentar no Google Talk, MSN ou comunicadores afins. Onde foi parar o abraço, a conversa cheek to cheek?


Nossa sensibilidade adquirida nos tornou um bando de insensíveis.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006


Tem vezes que o tempo te diz
É hora de ir
Mas a gente teima, insiste
Leva pancada
Cai e não joga o pano

Cá comigo,
O que qualquer amigo
Diria nessa hora?
Amigão, ó...
Sem dó.
Apenas a verdade
Calma, sem alarde
Pra você "vê"
Como uma sigla
Nem sempre faz a rima

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Casamento Itapecericano


Atormenta-se a Vizinha

No dia em que São Paulo parou devido à chuva, momentos antes da desgraça, saindo da Rede
Mulher, vi o momento em que tudo se aproximava...


sexta-feira, 8 de dezembro de 2006












"Festa" da TJG 2006. E dá-lhe Clayton - "I'm nothing without you!" (P.I)

domingo, 3 de dezembro de 2006

Santa Inocência




Pode algo feito para desejar saúde, paz, amor, alegria, ser gerado a partir de ódio, raiva, intolerância, irracionalidade, ameaça, medo, gritos e fúria?

Aparentemente, sim. Mas Deus sabe o que faz. Segue letra da canção Farther Along, que tem muito a ver com o que está aqui:


Tempted and tried, we’re oft made to wonder
Why it should be thus all the day long;
While there are others living about us,
Never molested, though in the wrong.

Refrão:
Farther along we’ll know more about it,
Farther along we’ll understand why;
Cheer up, my brother, live in the sunshine,
We’ll understand it all by and by.

Sometimes I wonder why I must suffer,
Go in the rain, the cold, and the snow,
When there are many living in comfort,
Giving no heed to all I can do.

(Refrão)

Tempted and tried, how often we question
Why we must suffer year after year,
Being accused by those of our loved ones,
E’en though we’ve walked in God’s holy fear.

(Refrão)

Often when death has taken our loved ones,
Leaving our home so lone and so drear,
Then do we wonder why others prosper,
Living so wicked year after year.

Farther along we’ll know more about it,
Farther along we’ll understand why;
Cheer up, my brother, live in the sunshine,
We’ll understand it all by and by.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006


Hoje, por uma decisão imparcial, Daniela Resende deixa a TJG. Umas das melhores profissionais com quem já trabalhei. Certamente, terá um futuro brilhante pela frente. Organizada, atenciosa, calma, criativa e gentil.
Infelizmente, foi avisada que sairia da empresa no próprio dia da despedida. Não teve como se preparar. Ninguém teve como se preparar. Estava indo bem na empresa, mas infelizmente não houve a consideração que eu julgava necessária.
Portanto, ela está disponível para trabalhar em outras agências - que, tenho certeza, não vão se arrepender caso a contratem. No fim do ano, ela se forma. Se eu tivesse uma agência, a contrataria, ontem. Ah, claro, ela se forma em jornalismo, e também gostaria de ter a experiência de passar por uma redação.
Trabalhou em continhas, bem pequenas, como Sony Ericsson, FedEx e American Express. E, em todas, saiu-se MUITO bem.
Boa sorte, Dani. É uma pena perder você e nossa sinergia, que era tão boa.
Uma pena. Não tenho esse poder - ainda. Mais uma decepção.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006


CONCURSO DE FOTOGRAFIAS BESTPIC - PARA CELULARES COM CÂMERA DE QUALQUER MARCA. CONCORRA A UMA VIAGEM.


14 de novembro de 2006 – Miami – A Sony Ericsson acaba de anunciar o lançamento de seu Concurso de Fotos BestPic™ na América Latina. Aberto aos residentes do México e América Central, Região dos Andes (Colômbia, Venezuela, Equador e Peru) e Mercosul (Chile, Argentina, Brasil), o concurso exibirá a incrível qualidade fotográfica de que os usuários desfrutam com seus celulares com câmeras, graças às novas tecnologias na indústria de telefonia móvel.

As inscrições para o Concurso de Fotos BestPic poderão ser feitas até 14 de dezembro e os participantes do concurso poderão enviar sua melhor imagem feita com celular pelo website
www.bestpiccontest.com para julgamento. Os jurados selecionarão um país finalista em cada região geográfica e a fotografia de cada finalista concorrerá pelo concurso internacional a ser realizado no Reino Unido em janeiro de 2007. Os finalistas também receberão um celular K790 Cyber-shot™ da Sony Ericsson.

Os participantes deverão escolher uma das quatro categorias seguintes: Esportes, Notícias & Atualidades, Natureza/Meio Ambiente ou Entretenimento/Celebridades e preparar-se para capturar a foto perfeita. O regulamento completo do concurso está à disposição no website
www.bestpiccontest.com

Às vezes corremos tanto que deixamos de registrar por aqui momentos importantes, e sonhos realizados.

Há algumas semanas realizei um. Fui a um show do Roberto Carlos, o Rei - afinal, se não dá pra ir no Rei original, vamos de Brasil mesmo (verde e amarelo, azul e branco também).

Ficamos (fui com a Pulga) no pior lugar, no mais barato e tão longe que, de onde estávamos, a pulga mesmo era o próprio Roberto - apenas um vago pontinho azul no palco.

Felizmente tínhamos os telões do Credicard Hall para nos ajudar, então, dava ao menos para ver o rosto dele, e até o cabelo, um pouco mais curto na franja do que o usual (mas sempre com os famosos mullets).

Tinha uma enorme curiosidade em saber como seria um show inteiro do Rei, não apenas o editado que vemos em CDs. Queria saber se ele estaria à vontade, se é do tipo que brinca com a platéia, ou faz como muitas bandas modernas, como o Skank, que se limitam a tocar as canções do set list e ir embora.

E foi exatamente do jeito que imaginava e queria. A banda abriu com uma longa introdução, que trazia pequenos trechos de canções (está na moda fazer isso?), até mesmo aquela "Homem de Aço", que adoro (esse não é o verdadeiro nome da música).

Abriu, claro, com "Emoções". Os aplausos eram tantos que por vezes ficava difícil de ouví-lo. Essa canção me lembra um pouco a clássica New York, New York, com o Sinatra. Embora não fale de uma cidade, é meio que um hino, não? Ah, claro, também ouvimos gritos de "gostoso", "delícia" e até piores - ou melhores, dependendo. A faixa etária? Muitas velhinhas, claro, mas também tinha gente jovem. Uma audiência bem mesclada, como deve ser.

Após "Emoções", como só podia ser: "Que prazer....Rever vocês!" Pra quê?! A platéia foi ao delírio com aquela frase tão manjada... Falem o que quiser, mas quando você está lá, mesmo a quilômetros de distância, o Rei é o Rei... Você se deixa contagiar pela atmosfera...

O repertório variou bastante, e deu pra notar o quanto o Acústico MTV, que ele fez em 2000, mudou o arranjo de várias canções. Após "Emoções", foi a vez de "Além do Horizonte", mas com um arranjo bem pior do que no disco desplugado. Uma decepção foi ver que a orquestra não incluía cordas (violinos), mas apenas um teclado meio karaoke. Vá lá. Os metais estavam bons, ao menos. O guitarrista também era show.

Algumas canções da Jovem Guarda também vieram, mas eu confesso que só conhecia as mais clássicas. Teve também o medley que eu já conhecia do disco ao vivo dele de 1990, em que ele vai, cronologicamente, saindo da Jovem Guarda até sua fase romântica dos anos 1970 (pra mim, a melhor), por meio de textos entre as canções. São todos decorados, claro, mas uma hora ele até perdeu o fio da meada quando um "gostoso!" saiu do meio da platéia (não foi a Pulga!). "Bicho, assim eu até esqueço o texto", confessou.

Teve aquele Cadillac que se inflou também, mas a música foi muito longa. Alguns ápices, na verdade: "Detalhes", com ele no violão, e a maravilhosa "Cavalgada", que estava fora do repertório e voltou, com uma performance especial da orquestra. O M.M.R (Momento Maria Rita) também esteve presente, com aquelas duas músicas que ele faz no piano - a pior é aquela que vai formando as iniciais do nome dela...

As minhas preferidas, no entanto, foram "Café da Manhã" e "Proposta", duas canções tão lindas que emocionam. Eu te proponho, na madrugada, você cansada...Te dar meu corpo, no meu abraço, fazer você dormir... Eu te proponho, não dizer nada. Seguirmos juntos, na mesma estrada... Que continua, depois do amor, ao amanhecer...

O encerramento, longo, foi com "Jesus Cristo". Longo mesmo, pois ele ficou dando rosas, e mais rosas, por pelo menos uns bons 10 minutos, enquanto a banda ia tocando o verso repetidamente. Saímos até antes dele acabar a canção, para evitar o trânsito.

Enfim, era algo que queria fazer há tempos. A idéia era ir com meu irmão, mas não foi possível. Afinal, um dia o cara vai morrer, e eu preciso falar para os meus netos que fui ao show do Roberto Carlos (mesmo que eles nem estejam interessado em saber disso).

Para quem quiser ouvir, gravei alguns vídeos. A gente se tromba um dia e eu mostro, estão todos nos celulares. A qualidade não ficou uma maravilha, nem o som, mas tudo bem. Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.

terça-feira, 21 de novembro de 2006


3º Maratona de Revezamento
Ayrton Senna Racing Day
19 de novembro de 2006

Equipe (na ordem de largada):
1) Rodrigo "13" Bellon
2) Luís Joly
3) Lígia
4) Fabiana
5) Giseli
6) Beto
7) Cara-que-não-conheço
8) Cara-que-não-conheço 2

Cada um correu 5.5 km - 1 volta no autódromo mais uns quebrados. Não é muito, mas é puxado mesmo para quem corre regularmente (as subidas são torturantes). Achei o evento o máximo. Muito bem organizado, tranquilo e bem feitinho. Contou com celebridades, que passavam entre nós. Consegui até encontrar a Viviane Senna e lhe dizer algo que sempre quis.

Ah sim, o resultado? É o que menos importa. :-) Ok, ok... Ficamos entre os últimos, mas terminamos.

Aqui, o site oficial do evento.


sexta-feira, 17 de novembro de 2006

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Acabei entrando no blog do Marcelo Tas, depois de todo o bafafá que foi a resposta dele, jamais publicada, à Veja.

E, de lá, vi outra coisa que me chamou a atenção. Uma pergunta que ele faz sobre a operação-padrão dos controladores de vôo, que era mais ou menos assim:

"Se, um dia, todos os profissionais no Brasil, em toda e qualquer área, resolvessem trabalhar de forma justa, e fazer apenas o que foi combinado, o que aconteceria?

Viraríamos a Suíça, ou veríamos a barbárie de vez?"

segunda-feira, 30 de outubro de 2006


Em 1974, Elvis fez mais uma excêntrica reforma em sua casa. Transformou um dos cômodos da casa, e deixou-o ambientado como uma selva. Carpete imitando grama, chafariz, sofás com peles de animais... Não demorou muito para que a sala ganhasse o nome de Jungle Room (sala da selva). Seria apenas mais uma sala brega em Graceland (para muitos desavisados, é), não fosse o detalhe que, em 1976, o cada vez mais recluso Elvis gravaria, nesta sala, o último disco de sua carreira. O cantor recusava-se tanto a ir ao estúdio gravar novos discos, que a RCA decidira levar um estúdio móvel à casa dele. O local da gravação das faixas que estariam presentes em Moody Blue, seu último disco? Jungle Room. Se quiser ouvir as canções desse disco, procure o álbum The Jungle Room Sessions, da FTD. Vale a pena.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Água na Caipirinha
Por Luís Joly

A conclusão da etapa japonesa da Fórmula 1 acabou por revirar totalmente a decisão do campeonato. Tudo se mostrava favorável para o alemão, que, como em um roteiro ao melhor estilo de Hollywood, sairia triunfante, com seu oitavo título, rumo à merecida aposentadoria. Talvez a quebra de seu motor – algo raro – até seja parte desse roteiro, mas a verdade é que mesmo os mais fanáticos tifosi mostram-se muito confiantes para uma surpresa na derradeira etapa brasileira. Alonso recebeu a vitória no colo, e viu-se no pódio exatamente a imagem inversa do resultado da etapa Chinesa, 1 semana antes. Massa, isolado e cercado por seus rivais, fez o papel que coube a Alonso na China.

Para o Brasil, uma série de desilusões servem de registro na última semana. A primeira, ainda sombra da etapa anterior, na China, em que tanto Massa como Barrichello envolveram-se em acidentes pouco convincentes e fizeram feio. No caso do piloto da Honda, o caso foi ainda pior, já que notoriamente trombou-se com o alemão Nick Heidfeld, de maneira no mínimo estapafúrdia, e saiu ileso de uma punição severa por parte da FIA.

Nos treinos do Japão, Massa parecia ter se redimido com a conquista da pole em cima de seu companheiro, mas ao longo da prova acabou perdendo o segundo lugar para Alonso – que, mais tarde, tornaria-se liderança com o abandono de Schumacher.

A segunda desilusão brasileira veio em forma de despedida. Suzuka, autódromo tão significativo para nossa história na categoria, despede-se na Fórmula 1 após ser usado pela primeira vez em 1987. Já naquele ano, inclusive, deu o título a Nelson Piquet, após o atabalhoado Nigel Mansell bater forte nos treinos e ficar fora da corrida. Suzuka pode até voltar no futuro, mas já não terá o mesmo brilho que teve no passado. No curioso circuito em formato de “8”, Nelson Piquet e Ayrton Senna deixaram suas marcas, com quatro títulos. Desde o último, de Senna em 1991, a pista não teve mais a mesma importância para o Brasil. Mesmo assim, deixará saudade.

Alonso, ao vencer uma corrida que não trazia bons prognósticos a ele, portou-se como melhor amigo de todos os integrantes da Renault. Nem de longe lembrava o sisudo jovem que passou a semana atacando seus próprios companheiros, acusando-os de não o favorecer na equipe. Pelo contrário, lembrava muito mais Michael Schumacher, que vibrou como nunca na China. No Japão, Schumacher mostrou mais uma vez que os tempos em que trocava sopapos com seus companheiros se foram. Resignado, chegou aos boxes cumprimentando colegas de trabalho, e revelando nas facetas de seu rosto a impotência de todo piloto ao ver que seu carro o deixou na mão na pior hora – se é que exista alguma hora boa para quebrar.

Por fim, a última e pior desilusão da terra do samba. A vitória de Alonso sem que Schumacher sequer figure entre os demais sete que pontuam é uma decepção para todos por aqui. Os comerciantes, que estamparam “O Duelo Final” em outdoors, com o rosto dos dois protagonistas na luta pelo título, certamente temem pelo pior. A torcida, que muito lutou para conseguir um ingresso, teme enfrentar o caótico trânsito paulistano para ver uma prova monótona. Até mesmo a Rede Globo já deve estar menos confiante em um excelente índice de audiência.

É certo que o título não está definido, mas a quebra no motor do alemão faltando 17 voltas foi uma verdadeira ducha de água fria. Pior; o impensado abandono caiu como água na caipirinha da torcida brasileira.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

quarta-feira, 11 de outubro de 2006


Coisas pequenas
Pra que se incomodar
Quando você realmente valoriza
E aprende o que é amar?
No fim, é factual
É tudo meio que igual
Já sabemos, então
Porque tememos?

terça-feira, 10 de outubro de 2006


Saudade?
Sim.
Sempre.

Se todas as pessoas fossem iguais
Faltaria pouco para a chatice
Se todos falassem difícil
Quanta idiossincracia
Se todos, ao menos, limpassem
Como é que não seria
Com um mundo verossímil
Se todos pensassem
Quem é que então viria?
Ao menos, de cima,
A sujeira não é visível.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006