domingo, 22 de julho de 2007

(reprodução de artigo publicado no site http://www2.uol.com.br/interpressmotor/)


Grande, Enorme Prêmio da Europa



O GP da Europa de 2007 nos lembra como é bom assistir corridas de Fórmula 1


Sagrada, sagrada chuva. Chuva que nos dá a água, fundamental para vida no planeta. Menos altruísta, a chuva mencionada nesta coluna deu, sem falsos exageros, uma das melhores corridas de Fórmula 1 dos últimos tempos. Chuva que conseguiu transformar um Grande Prêmio da Europa, na verdade, em mais que grande; enorme, gigante. Um enorme prêmio para todos os fãs de automobilismo.

Corridas com pista molhada são sempre um colírio para os olhos de todo fã de Fórmula 1. Afinal, o melhor nesses casos é sempre a imprevisibilidade da coisa. Na chuva, tudo muda, os melhores podem ser apenas bons, e os (aparentemente) medíocres aparecem como abelhas no mel.

Se, para o piloto é um Deus-nos-acuda, para os simples mortais que vêem a prova, é normalmente a melhor corrida da temporada.

Aguaceiro no início da prova, carros batendo no trator, rodadas e saídas de pista. Há quem diga que o circuito editado de Nürburgring, versão modesta da lendária pista de 22km, esteja ultrapassada. Porém, é normalmente lá onde acontecem as melhores corridas do ano. Também é onde os grandes pilotos se destacam.

Fernando Alonso e Felipe Massa protagonizaram a melhor disputa de posição do ano. E Alonso saiu rugindo para todos que Felipe exagerou. Talvez seja o próprio espanhol o exagerado, que até agora, só não criou problemas com Raikkonen entre os 4 maiores do ano. Mas, do jeito que a coisa anda, basta o finlandês atravessar seu caminho para ele soltar os cachorros à imprensa mais uma vez.

A chuva que tirou a vitória de Felipe Massa, a poucas voltas do fim, foi preço barato que nós, brasileiros, pagamos para ver um final de corrida ainda mais emocionante. Massa teve postura de campeão do início ao fim do evento. E isso inclui a forma como tentou, agressivamente, segurar Fernando Alonso nas voltas finais. E também o bate-boca após a corrida, em que vimos claramente Fernando Alonso comemorando, de forma até um pouco falsa, a vitória.

Massa, como bom brasileiro, situou-se no limite da diplomacia – mas, se fosse preciso, para o diabo com ela.

Chuva que ainda deu a oportunidade dos coadjuvantes fazerem boas provas. Deu ao novato Markus Winkelhock, da nanica Spyker, chance de conduzir o pelotão na liderança em sua primeira corrida. Deu à esforçada Red Bull Racing um lugar ao pódio com Mark Webber. Deu a Lewis Hamilton – OK, ele não deveria ser um coadjuvante, mas foi – uma corrida, finalmente, fora do padrão inglês que ele segue.

Após o terrível acidente no treino de sábado, Hamilton ainda voltou para correr no dia seguinte. Deu show em toda a corrida e, no fim, sequer chegou à zona de pontuação, terminando apenas uma posição a frente de seu lugar original no grid. Resultado injusto para quem teve tantos percalços no fim-de-semana, mas excelente para dar ao campeonato novos ares de disputa acirrada.

No pódio, enquanto cumprimentava friamente Fernando Alonso, Michael Schumacher provavelmente devia pensar como ele teria se saído nesta corrida. Acho que todos nós imaginamos como.

Mas, será que isso importa agora?


RETA OPOSTA

Calota na pista
Por pouco a calota solta de uma Renault não faz (mais) estrago na corrida. Massa passou raspando por ela, e a organização demorou muito para retirar o objeto do traçado.

Corridas memoráveis em situação similar

A etapa de hoje nos fez lembrar de outros momentos na história recente da Fórmula 1: Interlagos, 1993, quando uma tromba d’água tirou Alain Prost da prova. Brasil novamente, em 2003, com direito a resultado errado no fim da prova; e Spa, em 1998, a largada conturbada e a última vitória de Damon Hill.

O xerife de Nürburg (ou o Dunga da Fórmula 1)
Que Michael Schumacher nasceu a poucos quilômetros da pista alemã, todos sabem. Que venceu cinco vezes no circuito, tudo bem. Que é dono de praticamente todos os recordes na categoria, OK. Mas precisava usar aquelas estrelas na camisa?!

sábado, 14 de julho de 2007

(reprodução de matéria minha na edição de julho da Revista CRASH)

A Vida Como ela é (ou como gostariam que fosse)

Desde o início dos tempos, o ser humano sonha com o ideal. Traduzindo a idéia para os dias de hoje, buscamos o(a) companheiro(a) ideal, o carro ideal, a casa e o emprego dos sonhos. No entanto, essa difícil idealização sempre tromba com a realidade que cada um vive em seu dia-a-dia: imperfeições, broncas do chefe, vazamento de água no banheiro e espinhas no dia "daquela" balada.

O sonho de viver uma vida perfeita começou a tomar forma quando a Linden Lab foi criada. O ano: 1999. Naquele momento, Philip Rosedale, um antigo executivo da Real Networks, apostou em um sistema 3D onde ele pudesse criar o seu mundo. Sete anos depois, o mundo já não é mais exclusividade dele, e o Second Life conta com residentes de mais de 100 países ao redor do mundo.

Calma lá Para você, que não entendeu do que estamos falando ainda, vai uma explicação: O Second Life, como diz o nome em inglês, é uma segunda vida. Nessa vida, você cria um personagem, chamado de avatar. Ele terá nome, sobrenome, e…vive! Não, o Second Life não é um jogo, com fases a serem vencidas e missões; é uma vida alternativa.

O dicionário define avatar como processo metamórfico; transformação, mutação. E é mais ou menos isso. O avatar, no SL, costuma ser sempre a versão idealizada de seu criador real. Talvez por isso, quando se passeie por lá, existam tantos homens “bombados” e mulheres saídas de um desfile de modelos – claro, nem tudo são flores, e você precisa suar pra melhorar sua aparência também no SL, como veremos mais abaixo.

A definição do Second Life é simples: um metaverso. Sacou? Não? Pois um metaverso nada mais é que um universo alternativo, ou seja, um mundo paralelo onde você pode ser você mesmo, ou (na maioria das vezes) uma pessoa – teoricamente – mais interessante.

The Sims Ao entrar no Second Life, a comparação com o famoso game The Sims é inevitável – a começar pelos gráficos, relativamente parecidos. Porém as semelhanças acabam aí. “Second Life é melhor pois você interage com pessoas reais, e não com o computador”, ressalta Wendell Raphael de Oliveira, 17, moderador da comunidade Second Life no Orkut, a “oficial” sobre o metaverso. Atualmente, são mais de 20 mil membros na comunidade. Wendell considera-se um “veterano” na vida secundária. O usuário já está lá desde 2004, e modera com orgulho a comunidade. “Já criei um tira-dúvidas com mais de 100 perguntas, mas mesmo assim surgem questões novas todos os dias”, afirma.

Como brasileiro é mesmo chegado a uma novidade tecnológica que envolva relacionamentos – vide a matéria sobre o próprio Orkut na última edição da CRASH – não demorou muito para o assunto começar a chegar por aqui. Foi quando a Kaisen Games, ao lado do IG, decidiu comprar os direitos do site para o Brasil. Com a aquisição, o país foi o primeiro – após os Estados Unidos, logicamente – a ter uma entrada exclusiva ao site. O lançamento, prometido para o fim de 2006, só aconteceu em abril deste ano. Hoje, já é possível fazer até compras em reais.

Compras? Sim. Embora seja possível viver e se divertir gratuitamente no SL, também dá pra gastar – e ganhar – dinheiro. Isso explica, aliás, a entrada de várias empresas no metaverso. Os investidores apostam no sucesso do SL no Brasil. Atualmente, o SL já envolve mais de 200 mil habitantes brasileiros, de um total de 6 milhões de internautas. “O SL está modificando a maneira como as pessoas se relacionam na rede”, diz Emiliano de Castro, diretor de marketing do grupo responsável. Embaixadas virtuais são criadas. Já existe até uma sede do PSDB por lá. Universidades, sites de notícias e revistas têm suas versões no metaverso: onde isso vai parar?

Câmbio Flutuante As entradas de tantas empresas e corporações acabam criando a falsa impressão de que o SL é uma mina de ouro para qualquer pessoa fazer a vida – seja virtual ou real. “Conheço muita gente que gasta mais lá do que cá”, diz Wendell. A versão nacional do SL permite compras em reais, que são convertidos para a moeda “local”, o KC$ (Kaisen Cash), facilitando a vida dos usuários – antes, era necessário comprar Linden Dólares. Até o fechamento da edição, um real comprava 1000 KC$ - mas, com a queda do dólar, tudo pode acontecer.

Piadas à parte, apesar do dinheiro rolar solto, Wendell, como um usuário experiente, alerta para as dificuldades por lá – pelo jeito, a crise não rola só por aqui. “Assim como na vida real, conseguir emprego no SL também é complicado”. As barreiras, inclusive, dão chance para que os crimes também aconteçam no mundo virtual. Já há notícias de drogas virtuais, assalto a carros, golpes e até estupro no SL.

Isso, porém, não tira os brasileiros da tela do computador. Assim como o Orkut e o You Tube, o Second Life parece ser a próxima onda. E alguns chegam ao extremo para trazer o avatar o mais próximo possível do mundo real.

“Aproveito as oportunidades que vão surgindo ao longo de minha vida”, diz Sofia Platthy, um avatar do Second Life. A personagem, desempregada, chama a atenção pela beleza. Loira com o cabelo escorrido, olhos azuis brilhantes, um corpo escultural. Sofia possui um perfil próprio no Orkut, onde exibe suas formas na banheira no seu álbum de fotos. Entre os amigos, somente avatares. Ela também possui MSN, onde se comunica com mais residentes do SL. Sofia, que para se virar no metaverso faz bicos como “acompanhante”, quase nada tem a ver com sua criadora real, que se identificou como Cacau. A “dona” de Sofia fica até 3 horas por dia em frente ao computador. “A vida de Sofia gira em torno daquilo que não é possível na minha”, confessa a internauta.

Esse tipo de comportamento é normal? Para uma especialista em psicologia, que preferiu não se identificar, o problema maior ocorre quando a vida no virtual começa a se tornar mais importante que a real. Claro, tudo pode acabar se tornando uma grande moda, algo habitual no mundo da Internet. Na busca pelo ideal, as pessoas fazem como Sofia, e buscam os que lhe falta do lado de cá da tela. “Imagine quantas beldades no SL não são, na verdade, homens”, alerta Wendell, que jamais tentou um relacionamento sério no SL por conta do receio. Sofia, por exemplo, está atrás de um namorado.

Alguém se candidata?

INVADIMOS O SECOND LIFE

Enquanto o conselho editorial da CRASH avalia se vale a pena criar uma edição da revista no mundo virtual (risos), eu estive pelo Second Life durante alguns dias. A entrada, porém, não foi tão simples como eles alardeiam. Apesar de um computador relativamente bom em casa, tive de recorrer a um MAC de um colega. Minha placa 3D, apesar de moderna, não era compatível com os requisitos mínimos do sistema.

Superada a primeira barreira, entrar no Second Life não é complicado. Basta acessar o site
www.secondlifebrasil.com.br, ir em ‘cadastre-se’ e escolher um nome – os sobrenomes são fixos, e há uma lista deles disponível. Para evitar sobrecargas, o site aceita um número máximo de inscrições por dia. Isso significa que, para este repórter, só foi possível o cadastro após uns bons dias de tentativa. Também é necessário fazer o download do “client” (leia-se software), que tem cerca de 10mb.

Para os muquiranas de plantão, é bom lembrar que é possível usufruir do metaverso sem pagar por isso. Apenas pagam quem quiser bens “materiais” por lá, como ilhas, tênis, celulares e carros, entre outros.

Com o nome de Todd Holmer, finalmente comecei a circular pelo SL, e pude saciar um pouco minha curiosidade. O começo é interessante, e há uma lembrança imediata do The Sims, embora o ponto de vista do game seja melhor. O mundo do SL é todo dividido em ilhas. Os mais ricos podem até comprar uma. Não sei bem em que ilha estava quando comecei, mas tive minha primeira decepção com a velocidade do metaverso. Apesar de um belo Mac em mãos, sem uma conexão à internet decente – o que justamente era o caso -, o movimento do personagem é lento e irritante. Na ilha, as pessoas andam de cá para lá. Vê-se de tudo: punks, carecas e góticos. A grande maioria, claro, é de jovens, homens e mulheres, extremamente atraentes (segundo o padrão de beleza em que estamos hoje). Claro, a beleza também é relativa por conta dos gráficos, que deixam um pouco a desejar.

O grande barato quando se está no SL pelos primeiros minutos é clicar no botão “voar”. Isso mesmo, voar. O SL realiza um dos maiores sonhos do homem, e com apenas um clique, você sai voando pelos quatro cantos livremente – claro, só é preciso tomar cuidado para não trombar em ninguém. Mas as maiores surpresas ainda estão em solo.

Como por exemplo, quando vi uma moça vagando “da maneira que veio ao metaverso” (ou seja, nua). Minha curiosidade, digamos, jornalística, foi inevitável, e tive que puxar um papo com ela. A conversa foi breve, já que outros homens lutavam por sua companhia. A razão da nudez era simples: ela procurava roupas novas pra comprar.

Apesar dos problemas, o Second Life é a melhor forma que os humanos encontraram até hoje de tentar idealizar suas vidas. Viver um mundo perfeito, onde tudo é o ideal, a beleza é perfeita, as pessoas não morrem, não sentem sono nem fome.

Na década de 1950, Nelson Rodrigues publicava semanalmente sua coluna no jornal “A Última Hora”. A coluna, chamada de A Vida como ela é, rendeu diversos livros e até hoje é tema em especiais de televisão, teatro e cinema. Nelson, falecido em 1980, infelizmente não teve tempo de ver a bolha da Internet, que gerou fenômenos como o Second Life. No entanto, mesmo meio século atrás, ele conseguia vislumbrar a vida de forma real, em seu cotidiano mais puro e impreciso.

Agora, chegam as notícias de que crime, drogas e desemprego chegam também ao castelo de areia virtual do SL. Pena. O escritor daria boas risadas ao saber disso.

terça-feira, 10 de julho de 2007

TT on the Party, em São Paulo, mostra novas versões do Coupé da Audi

Na porta de entrada, pouco mais de 50 manobristas esperam, em fila. Trata-se do TT On the Party, evento realizado na noite da última quinta-feira para o lançamento oficial do TT Coupé, que contou com quase 1.500 pessoas.

Os manobristas vão recebendo convidados em seus belos carros - muitos deles, da própria Audi. Mas não tão belos quanto as principais estrelas da noite. Os novos modelos TT Coupé estão expostos no grande salão, nas cores preto e prata.

A primeira versão do Audi TT foi lançada em 1998. Em menos de seis meses já era considerado um ícone de esportividade e tornou-se um modelo cult do segmento de cupês esportivos, fato que marcou um novo momento para a montadora alemã.

Por aqui o evento, claro, chamou a atenção. Muita bebida e alguns petiscos. As festas da Audi são sempre famosas, e costumam mesmo atrair algumas celebridades. Pode não ter sido a melhor balada feita pela montadora, mas certamente foi interessante. Entre os famosos, a lista passou por Glória Maria, apresentadora do Fantástico, chegou a Edmundo (o animaaaal) e foi até o irreverente Sérgio Mallandro.

Apesar do lançamento, o maior anúncio da noite chegou somente após algumas horas da madrugada. Sem muito alarde, o Audi TT Roadster foi exibido pela primeira vez publicamente no Brasil.

O Roadster tem como diferença básica para o Coupé o fato de ser conversível. No mais, possui algumas mudanças, como as barras laterais de proteção com acabamento em alumínio, composição de carroceria produzida em alumínio e aço (que proporciona uma sensível redução no peso do veículo) e capota automática. Será comercializado no Brasil a partir de setembro, ainda sem preço sugerido.

Assim como no Audi TT Coupé, o TT Roadster apresenta também motor quatro cilindros 2.0 Turbocharged TSFI, com sistema de injeção direta de gasolina FSI, o que garante ao esportivo uma potência de 200 cv. O carro acelera de 0 a 100 Km em 6,5 segundos e atinge velocidade máxima de 237 km/h.

Na noite da apresentação, o veículo, em vermelho, desceu de uma previsível rampa ao fundo do salão. Mais do que o carro, chamou a atenção as efusivas dançarinas que se esfregavam pelo capô do carro.

A cereja no bolo de descobertas aconteceu na ante-sala do banheiro. Meu celular recebeu materiais publicitários via bluetooth. Papel de parede, protetor de tela, enfim, tudo alusivo à empresa alemã. Teve até um game, em que o Roadster cruza o sul do Brasil pela Rodovia Régis Bittencourt.

Pelo menos no jogo, ela não tem buracos.

domingo, 1 de julho de 2007

Fracasso Americano

Não costumo escrever muito sobre futebol. Na verdade, esta é a primeira vez em que usarei este blog para isso. Mas, sou mais um dos cento e tantos milhões em ação, portanto, deixo aqui uma reflexão sobre o cenário futebolístico atual.

Ver a Copa América é um pouco patético. Há alguns dias, assisti, se não me engano, a Uruguai X Bolívia. Não me lembro quanto foi o jogo. Talvez zero a zero. O que me lembro, certamente, é da falta de futebol apresentado pelos dois times. A deficiência técnica chegou a tal ponto que até os comentaristas na emissora, que normalmente não usam o termo "ruim" para definir a partida durante o intervalo objetivando não espantar o telespectador, não resistiram. Foram todos unânimes em admitir que aquela era uma péssima partida.

Além da deficiência técnica, fica clara - cristalina, eu diria - o contraste entre, por exemplo, a Eurocopa e o nosso torneio. No jogo apresentado na foto acima, por exemplo (crédito UOL), o segundo tempo atrasou. A razão? A rede estava furada. E o juíz simplesmente não sabia como agir. Foi lá um auxiliar, com uma espécie de fio sobressalente, ajudar a fazer uma famosa "gambi", para que o furo fosse remendado. Claro, com o auxílio do goleiro brasileiro, e sob a visão dos demais jogadores. O jeitinho venezuelano.

À parte disso, o momento da seleção brasileira é pífio. Mas, não entrarei nesses méritos, já que a concorrência é grande.

A Copa América é um grande atestado de que, por aqui, só se salva o Brasil e a Argentina mesmo. Mas nós ainda estamos atrás de nossos hermanos: em Buenos Aires não há postes.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

O Novo (e limpo) rato da Disney


Talvez seja efeito das férias, ou do momento vivido, ou ainda devido ao fato de ter sido minha primeira cabine de imprensa. O que importa é que Ratatouille, da Disney Pixar, é um grande filme. Roteiro impecável, do início ao fim. Originalidade e criatividade ao máximo. Quem já imaginou um rato (rato mesmo, do mais comum) que sonha ser um chef de cozinha em Paris? Pois é essa a teia principal que fia toda a trama.

Além dos previsíveis - mas não menos surpreendentes - avanços tecnológicos em um desenho que quase em nada lembra um desenho, fica a marca da Pixar sobre a Disney. Ao contrário do rato (tecnicamente, camundongo) original da marca, criado há mais de meio século, aqui não há tios e sobrinhos apenas. A história é muito bem tecida, envolvendo uma família de ratos e um aprendiz de cozinheiro. Destaque também para os cenários que envolvem a Torre Eiffel (claro que, aqui, a cidade ajuda em qualquer obra).

Particularmente, gostei muito do final (que não vou relevar aqui, logicamente) extremamente plausível e realista. Fosse talvez um filme do Mickey, o final teria sido entediantemente chato. Ratatouille nos dá o prazer da alta gastronomia, e mostra que, como diz um dos personagens do filme, anyone can cook (qualquer um pode cozinhar). E nós acreditamos nisso.

Talvez seja a deixa para eu, finalmente, começar meu curso de culinária - no entanto, acho que será melhor abrir mão de ratos falantes.

domingo, 24 de junho de 2007

(reprodução de matéria minha na revista Bizz)
(Só) Para colecionadores?


Elvis não morreu? Se depender dos discos do artista, certamente não. A Sony BMG, detentora da RCA, lançou, de 16 de agosto de 1977 até hoje, quase 150 discos do cantor. A maioria desses lançamentos, claro, é composta de intermináveis coletâneas ou relançamentos de antigos álbuns em edições especiais. Com o passar dos anos, porém, a companhia e a família de Elvis se incomodaram com o crescente número de bootlegs, ou seja, discos piratas feitos por fãs-clubes espalhados ao redor o mundo. Para combater esse mal, foi criado em 1º de julho de 1999 o selo Follow That Dream, ou simplesmente, FTD.

No catálogo da FTD entram materiais que - segundo a gravadora - só interessam aos fervorosos seguidores do Rei do Rock, como shows, ensaios e alternate takes (Elvis gravava todas suas canções “ao vivo” em estúdio – Can’t Help Falling in Love, por exemplo, teve mais de 20 takes até que o artista ficasse satisfeito). Acontece que muito material lançado pelo selo FTD interessaria, e muito, a qualquer apreciador de boa música. É o caso de An American Trilogy (capa acima), anunciado em maio, que traz Elvis e sua banda no auge musical em uma turnê em Las Vegas no ano de 1972.

Infelizmente, a maioria das lojas por aqui só possui (poucos) discos do cantor distribuídos pela BMG. Quem quiser garimpar entre as raridades da FTD – atualmente, já passam de 60 álbuns pelo selo – pode acessar
www.shopelvis.com, onde também é possível fazer pedidos online. Já se foram 30 anos, mas os fãs de The Pelvis continuam sendo mimados.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Ainda quero falar mais sobre este emocionante vídeo. Aguardem.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Back to Black
Amy: Branca com voz de negra (mais uma)

Em qualquer atividade da vida, a comparação é inevitável. Todo dia, surgem novos Pelés, Ayrton Sennas, Chacrinhas e afins. E o mesmo acontece na música.

Talvez por isso Amy Winehouse tenha dado de ombros quando disseram que seu estilo lembrava o da memorável e cativante Billie Holiday. Tal qual a americana, esta britânica de apenas 24 anos também encanta por sua voz rouca, negra e anasalada.

Pois os tempos mudaram, os costumes também, mas a filosofia continuou a mesma. Sam Philips, o lendário dono da Sun Records, berço do Rock'n Roll e Rythm'n Blues dos anos 1950, disse uma vez: "Se eu encontrar um branco que tenha voz de negro, ganharei 1 milhão de dólares". Ganhou muito mais quando achou Elvis Presley, mas isso é outra história.

Amy Winehouse era apenas um nome que soava bonito até outro dia, não fosse um CD que surgiu por acidente em meu carro, fruto do esquecimento do meu irmão. E Amy ficou lá por vários dias, em uma mídia que não continha nenhuma identificação. Por acaso invadiu o som do carro. E, depois disso, foi paixão nos primeiros acordes.

O disco em questão, Back to Black, é recente, de 2006. Contém apenas 10 canções, número relativamente baixo em uma época onde iPods de 80GB circulam por aí. Mas são 10 belas canções. Amy é conhecida na Inglaterra por seus problemas com bebida. Fruto de marketing ou não, ela transpôe, de forma cínica e provocativa, esses problemas para suas canções.

E faz isso logo na primeira frase da primeira canção, Rehab. O título não é sem querer. Ela fala justamente da insistência da família em interná-la em uma clínica de reabilitação, mas ela se recusa. Recusa sim, mas com muito funk, soul e metais cirurgicamente inseridos na música.

Destaque tbm para a canção 2, I'm No Good, em que ela se auto-declara no good para um possível ex-namorado. Uma farra, com uma batida de bateria muito envolvente.

Amy Winehouse conseguiu me surpreender. Mesmo em um cenário musical cercado de Avrils, Josses, Norahs e Corinnes, Amy corre por fora. Pode não roubar a cena, mas definitivamente tentará levar o champagne.
Back in Black

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Em Interlagos, a mais de 300 km/h numa Ferrari F430

Manhã fria, chuvosa e com ventos gélidos que parecem praticamente nos implorar para permanecer na cama. Talvez até fosse o caso, não estivesse eu prestes a embarcar em uma Ferrari F430 em cinco minutos que nunca passaram tão rapidamente.

O acontecimento ocorreu na última semana. O evento, chamado de Pósitron Racing Day, tinha como principal chamariz uma volta a bordo do bólido vermelho, avaliado em singelos R$ 1,5 milhão (cerca de míseros 3 milhões de reais), pelas curvas do Autódromo José Carlos Pace.

Além da imprensa, clientes foram convidados. Tirar uma foto do carro era tarefa difícil. Fazê-la sem que alguém estivesse ao fundo então, missão quase impossível. Cadastro feito, lá fui eu para a área dos boxes onde a Ferrari estaria me aguardando. Logicamente, estaria somente ao lado do piloto. Este sim, sentiria os quase 500 cv em suas mãos.

Ao ver o carro pela primeira vez, confesso que senti um misto de frustração com admiração. O carro estava ali, OK. Mas, cheio de adesivos promocionais colados na lataria, perdeu um pouco do glamour que cerca a lendária marca italiana. Além do mais, fatores como sujeira, aliados ao próprio cenário do dia – cinza e pálido - tiraram aquela imagem de “Salão do Automóvel” que costumam preencher nossas mentes. Não era um carro tilintando, reluzente, ao lado de uma linda modelo. Não vi nada disso por lá – incluindo a modelo – mas, inegável o fato, era uma Ferrari.

A impressão só começou a mudar mesmo quando embarquei no carro - mesmo assim, não tão rapidamente. O painel empoeirado, somados aos tapetes molhados e sujos, mais uma vez, tiraram a ideologia que tinha de encontrar um carro brilhando. Uma vez colocado o cinto, chegou a hora de acelerar.

E aí tudo mudou.

Na saída, receoso, o piloto Jorge Neto expressou sua preocupação com o piso molhado – a chuva fina ainda tomava de assalto o conforto da imensa fila que aguardava sua vez de andar na Ferrari. Em poucos segundos – ou até 4,1, segundo divulga a fábrica - o carro já atingia 100 km/h, e ainda estávamos dentro dos boxes. No sentido contrário.

Neto deu um belo giro de 180º para iniciar a volta em Interlagos, a partir da reta dos boxes. Aquela foi minha primeira volta dentro do autódromo de Interlagos. Um circuito com curvas que já estou cansado de conhecer, desde os tempos de infância quando ainda sonhava ser um piloto. Mas foi somente ali, ao vivo, na pista, que percebi não conhecer nada, na verdade. Curvas que pareciam abertas eram fechadas; as lentas, eram rápidas. E retas, até então curtas pra mim, foram longas e instigantes.

No meio do trajeto, Neto deu uns giros (ou os famosos “cavalos-de-pau”) com a Ferrari, enquanto contorcia os dedos, que subiam e desciam as marchas atrás do volante, no formato “borboleta”. O volante, aliás, traz o botão engine start, que por vezes me deixava na dúvida: era um carro de passeio ou um Fórmula 1?

E o F430 é um pouco das duas coisas. O carro conta com diversas tecnologias vindas do circo da F1, como volantes inteligentes, ou controle do diferencial, que “gruda” o veículo ao solo. Gruda, mas o talento do piloto ajuda. Jorge Neto confessou a dificuldade em segurar o carro na pista molhada, e ainda comparou a Ferrari ao stock-car que dirige em campeonatos. “O número de cavalos é o mesmo, mas o stock é mais leve”, diz, pouco antes de um sorriso previsível.

Na reta dos boxes, não cheguei a olhar o velocímetro para saber se o carro chegou aos 310 km/h prometidos pela empresa. Mesmo assim, a velocidade, aliada ao ronco do motor, impressiona.

Fim da volta, de volta ao mundo real, semáforos e faixas de pedestre. Chegando ao meu carro, notei como o tapete estava limpo e bem cuidado. O painel não tinha pó, tampouco eu ostentava propagandas na parte externa. Mas foi só puxar uma segunda, enquanto saía do estacionamento, para ver a Ferrari, ao longe, rodando pelo circuito, com o felizardo da vez. A uma distância tão grande quanto a que me separa dos milhões de reais que a comprariam.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Fiéis Seguidores
13 anos depois, túmulo de Senna reúne os mesmos fãs

Há 13 anos, eles estão lá, faça chuva ou faça sol. Sempre, à beira de um não tão frondoso Ipê, descansam suas vistas, refletem e mantém acesa a chama do ídolo Ayrton Senna, morto em 1º de maio de 1994. E não são poucos. No Cemitério do Morumby, amantes de automobilismo, curiosos e turistas de passagem pela cidade se juntam aos que, religiosamente, estão lá todo começo do quinto mês.

“Ayrton Senna é sinônimo de esperança, sonho e vitória”, resume o entregador de panfletos Antônio Paulo Baptista, 45, ou simplesmente Senninha, como é conhecido na cidade onde vive, Capão da Canoa (RS). O gaúcho enfrenta 18 horas de viagem todo ano, e fica durante boa parte do dia ao lado do túmulo de Senna. O fã é figurinha reconhecida por muitos no local, apesar da mudança este ano – veio com um macacão amarelo, em vez do tradicional vermelho dos anos anteriores. “Queria fazer uma homenagem ao Pan”, diz Baptista, que não entrega panfletos somente em Capão da Canoa, mas também para os visitantes do Cemitério. Nos papéis, mensagens religiosas e de esperança. Na entrevista, Senninha reforça a mensagem aos governantes: “desativem a FEBEM, uma escola do crime”, enquanto revela dezenas de imagens em seu álbum ao lado de famosos globais.

A imagem do piloto Ayrton Senna ainda é forte para a maioria de nós, mas é inegável que aos poucos perde um pouco sua força. Nesse sentido, algum trabalho foi feito em 2004, quando se completaram 10 anos de sua morte, mas após isso, pouca coisa. Prova disso acontece quando chega uma mãe ao túmulo com duas crianças, de, no máximo, 6 anos: “Mãe, quem é esse aqui?” pergunta um dos meninos, apontando para um grande cartaz com recortes, cartas e fotos de Senna. Afinal, uma criança hoje com 13 anos somente sabe de Senna por imagens no You Tube ou comunidades no Orkut. Inexorável, o tempo.


Cartaz direto do Japão, em frente ao túmulo de Ayrton

Felizmente, Senna não era um herói exclusivo do Brasil, mas mundial. Isso explica, mesmo 13 anos após sua morte, cartazes vindos do Japão, ou a presença de Mechthild Hemmer, uma alemã de Colonia – terra do rival Michael Schumacher. A fã veio ao Brasil especialmente para o dia 1º de maio. “Deixei marido e filhos, que tiveram que aceitar minha decisão”, afirma. Nos anos anteriores, Mechthild não veio a São Paulo, mas a Ímola, na Itáliam no circuito que levou a vida de Ayrton. Lá, como muitos, deixa flores e homenagens em frente ao monumento de Ayrton, um enorme busto erguido no ponto onde ocorreu a batida. “Muitas crianças vão lá, é impressionante”, diz a torcedora, que aprecia o grande carisma de Ayrton. “Hoje, vejo um pouco desse carisma em Lewis Hamilton”, confessa. Ela, como muitos, não deixou de reparar nas cores do capacete do inglês, revelação da McLaren, que tem partes muito similares ao do tri-campeão brasileiro. Sobre Schumacher? “É um bom piloto, mas não gosto dele”, resume.

Por aqui, claro, o profissionalismo não é o mesmo. Não há bustos no cemitério. E a única homenagem mais forte na cidade, a controversa estátua em frente ao túnel que carrega seu nome, é constantemente alvo de vandalismo. Até alguns anos, havia pelo menos a Banca do Montanha. Lá, em frente à entrada do cemitério, um pequeno estabelecimento vendia fitas K-7 com o “tema da vitória” e camisetas temáticas, entre outros badulaques. Mas já fechou há muitos anos. No dia 01/05, somente alguns rapazes tentavam vender réplicas do capacete do piloto. Alguns chegavam a oferecer a peça para visitantes ao lado do túmulo – o preço, singelos R$ 300,00.

Baptista, o Senninha, é um dos que não cai na tentação de venda dos jovens. Ele mostra, com orgulho, um certificado de que possui um capacete pintado por Sid Mosca, o artista que criou e fazia as pinturas do acessório de Senna. “Há apenas 1.000 desses”, exalta.

Já Carlos Augusto, técnico em instrumentos musicais, não tem um capacete para ostentar. Ele possui um Corcel II, do mesmo ano ao que era usado por Ayrton. “Na adolescência, aos 17, 18 anos, ele adorava pegar o Corcel do tio e correr com o carro”, explica. Carlos tem “gasolina no sangue”, como diz. Seu pai, Augusto Orlando Virardi, faleceu em 1983 após ver Nelson Piquet bi-campeão, pela TV. O fã de 41 anos presta uma homenagem ao pai indo todo ano aos GPs de Fórmula 1 em Interlagos, como fiscal de pista. Ano passado, esteve lá, e lembrou dos tempos de Ayrton ao ver Massa vencer. “Foi um amigo meu quem entregou a bandeira a Massa” conta orgulhoso, sem esconder a emoção ao fazer a inevitável comparação com Senna.

Talvez não haja mais a Banca do Montanha. Também não são muitas flores no túmulo como era de se esperar. Mas a imagem de Ayrton permanece. Longe das pistas, discreta e serena, mas repleta de fiéis, cada um com sua história e ligação particular com o ídolo.

segunda-feira, 30 de abril de 2007



Lhasa, já ouviu falar? Não, não a raça do cachorro. A capital do Tibet mesmo. Tibet, onde o Brad Pitt ficou sete anos - acho que foram sete.

Enfim, só queria falar de Lhasa nesta manhã de segunda devido a um jornalista, o José Antônio Ramalho. Estou auxiliando-o (como RP) na tentativa dele de cruzar o Himalaia de bicicleta. 1.100 km, em altitudes até 5.000m. O cara é louco. Mas, entende disso, e é um louco levando uma câmera da Sony Ericsson, o que justifica meu trabalho.

Dia 1º começa a pedalada. Boa sorte a ele. A viagem pode ser acompanhada (já está no ar) pelo blog http://himalaiadebike.blogspot.com, que tem imagens realmente impressionantes da cultura de lá.

Ah, e na verdade o que queria dizer é que a tecnologia realmente assusta. O cara está no fim do mundo (bem, tecnicamente ele já esteve no fim do mundo oficial, em 2005, mas isso é outra história), e trocou SMS comigo em questão de segundos. Impressionante... Mesmo trabalhando com isso, ainda não consigo deixar de me assustar com certas "facilidades" que nos cercam.

Facilidades mesmo?
Na Trip deste mês, dedicada ao trabalho, tem um texto muito bom sobre isso. Algum dia comento-o por aqui (quem sabe hoje ainda, já que estou completamente à toa nessa véspera do Dia do Trabalho).

sábado, 28 de abril de 2007

A Gripe ataca




E, enquanto ela está aqui, muita leitura, descanso e reflexões (sempre elas).


Ah sim, também muito violão - mas sem a voz, já que a garganta e a falta de ar tbm estão ruins.


Duas músicas que se completam no momento:


Have I told you lately I love you?
(já disse que te adoro hoje?)

Have I told you lately that I love you?
Could I tell you once again somehow?
Have I told with all my heart and soul how I adore you?
Well darling I’m telling you now

Have I told you lately when I’m sleeping
Every dream I dream is you somehow?
Have I told you why the nights are long when you're not with me?
Well darling I’m telling you now


In My Way

I may not be here tomorrow
But Im close beside you today
So lie to me a little, say you love me a lot
And Ill be true to you in my way

Love never goes on forever
At least thats what wise men all say
So smile when you kiss me, tomorrow you may cry
But Ill be true to you in my way

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Los Hermanos (editado, como deve ser)

Posso ouvir o vento passar,
Assistir à onda bater,
Mas o estrago que faz
A vida é curta pra ver...

Como pode alguém sonhar
O que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer

Não sei mas
Sinto que é como sonhar
Que o esforço pra lembrar
É a vontade de esquecer...

E como será? O vento vai dizer
Lento o que virá,e se chover demais,
A gente vai saber,claro de um trovão,
Se alguém depois
Sorrir em paz.

Não é fácil, viu? Ainda não acabou...
Chaos and Creation in The Backyard



Existem casos em que a gente é surpreendido positivamente. E isso vale em tudo, claro. Só que aqui, especificamente, vou falar do novo (já não tão novo assim) álbum do ex-beatle Paul McCartney. Gostaria muito de escrever uma crítica sobre o álbum em alguma revista ou site musical. Como não tenho essa facilidade (ainda), meu blog será a sede dessa auto-gratificação.

Paul mostra em seu último trabalho que ainda existe o Beatle que o mundo viu e tanto se acostumou. O disco Chaos and Creation in the Backyard, assim como o seu primeiro pós-Beatles, McCartney's, foi quase inteiramente gravado pelo artista. Gravado mesmo, em cada instrumento, desde bateria, baixos e violão, até instrumentos menos ortodoxos, com flautas indianas e harmônicas.

A diferença para seu primeiro álbum solo, claro, está no singelo fato de que, à época, ele divulgou o disco na mesma época de Let It Be, o derradeiro álbum do quarteto - tamanha era sua revelia ao grupo.

Quase quarenta anos depois, Paul ainda tem disposição para escrever e gravar boas músicas. Embora o CD não tenha sido um estouro de vendas - chegou à 10ª posição nas paradas inglesas -, agrada tanto a jovens como aos tiozinhos (em idade ou na cabeça mesmo).

English Tea, de um arranjo belíssimo, remete aos primórdios Londrinos do chá com limão da tarde. Já Fine Line, que traz o título do disco em sua letra, é de uma simplicidade entusiástica. Sir Paul mostra que não é necessário inventar e quebrar a cabeça em experimentações como nos tempos de Pet Sounds ou Sgt Peppers... Ainda há espaço para trabalhos simples e de boa qualidade. Ok, talvez espaço até o 10º lugar, mas há.

P.S: Agora, como não cantarolar mentalmente os primeiros versos de Ob-La-Di, ObLa-Da quando ouvimos o início de Friends To Go...

segunda-feira, 23 de abril de 2007





Fim-de-semana conturbado, o último. Mas, felizmente, terminou muito bem, com uma tarde de domingo cheia de reflexões e descompromissos banais, mas legais.



Agradeço por todos que estão em minha vida. Todas as pessoas boas. A tudo que conquistei, e que ainda quero conquistar.

Uma boa semana a todos(as).

quarta-feira, 18 de abril de 2007



Nem tudo são flores...
Mesmo quando pensamos estar preparados, não estamos.
Estou ao seu lado para o que precisar, Woo.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

I Encontro Pan-americano do Joly


Comemorando o I dia da Justiça Social Pan-americana (14 de abril), chamei alguns amigos do trabalho (e afins) para uma pequena confraternização em casa.

Presenças ilustres, algum rock'n roll, música e fotos no celular, Fernando bêbado (como há muito não via) e risadas de sobra.

Foi muito gostoso, mas o pessoal levou tanta bebida que estou seriamente pensando em marcar uma festa extra, só para acabar com as bebidas...
Posted by Picasa

terça-feira, 10 de abril de 2007




...e assim, após 3 dias de Páscoa, tudo mudou (não que eu tenha pedido por isso).








domingo, 8 de abril de 2007

Páscoa
(Sinônimo de renovação, segundo me disseram hoje durante partes do dia)

A renovação nem sempre é rápida, simples e indolor.

Ganhamos.
Perdemos.

Sofremos, choramos, rimos e sorrimos.
Rezamos.

Erramos, e rasuramos.
Reagimos, reatamos.

Arrependemos, e de repente
Revemos, em redes de ressentimentos

Robertos, Renatas, regras
Burocracia, resfenol pra relaxar

Roxo, rasgo e remendo
Assim, sem renovar?

Raramente é rápido e rasteito
Prezo pela reavaliação
Reparação de danos

Um dia, revendo o de repente,
Arroubos* de repentes

E, sem estar com repelentes,
Ressuscitamos.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Ótimo texto de Cynara Menezes, enviado por Natália Fava para mim

MAKTUB-SE QUEM PUDER
OU A ARTE DE SE LIVRAR DOS PROBLEMAS SEM RESOLVÊ-LOS

Os problemas são a mais democrática das instituições. Não poupam ninguém: pobre ou rico, anônimo ou celebridade. Quando você pensa que está indo tudo às mil maravilhas, tcharã... surge um problema! Enfrentá-los é uma arte. Tem gente que prefere sentar e chorar à mera aparição de um deles, sentindo-se a pessoa mais azarada do mundo. Outros simplesmente fingem que nada está acontecendo.

Por mais amalucado que pareça, há várias técnicas para fugir dos problemas. Uma delas é a de jogar para Deus: você perdeu o emprego, está devendo grana no banco, sua namorada tá dando mole praquele amigo bem-sucedido, seu cachorro adoeceu, sua unha encravou e está doendo pacas. Aí você diz pra si mesmo: “Quer saber? Vou jogar praDeus!”. Não adianta nada, mas dá uma paz...

Uma maneira ótima de evitar resolver questões importantes é passar a aplicar os desígnios do destino aos acontecimentos do dia-a-dia. Por exemplo: você perdeu aquele concurso para o qual estudou meses a fio,deixando de dormir noites seguidas e que lhe rendeu uma gastrite de tanto nervoso. “Ah, era o destino!”, você pensa. E deixa pra lá.

O bom de praticar o maktub (“assim estava escrito” em árabe) como um mantraé que você deixa de ter decepções. Por que arrancar os cabelos se estava escrito antes de eu nascer que ia ser assim? O maktub é uma maravilha que pode ser usada do mais reles chulé à morte de um ente querido.

Veja: você chegou a uma lanchonete seco para tomar uma Coca, mas só tinha Fanta. Em vez de se aborrecer perguntando no boteco ao lado, você aceita: tudo bem, é o destino! Deu uma mancada daquelas e perdeu a mulher da sua vida? Maktub, ué. Nem pense que teve participação naquilo. Era o d-e-s-t-i-n-o.

PERSONAL PROBLEMATOR

É muito reconfortante pensar que fios invisíveis nos conduzem até os problemas (e até a solução deles) sem que nada do que façamos interfira. Lá em cima, as mãos do grande manipulador de marionetes é que estão guiando tudo... Responsabilidade zero pra nós.

Outra estratégia de fuga é criar frases engraçadinhas, mostrando ser superior às adversidades. Foi demitido? Arqueie a sobrancelha e filosofe: “O único defeito do desemprego é a falta de dinheiro”. Uau! Está napindaíba porque gastou mais do que ganha? Diga: “Resolvi meus problemas com o banco. Cada vez que meu extrato aparece na tela eusimplesmente viro o rosto”. Gênio.

Há mais truques: ligar o botão do foda-se; sentar em cima dos problemas; enfiá-los no congelador; deixar pra resolver depois das férias; empurrar com a barriga... Qualquer dia desses alguém inventa um“personal problemator” para resolver os problemas em nosso lugar. Vai ficar rico.

Invejo quem consegue virar avestruz diante de um problema. Eu nem consigo dormir até que os resolva, como uma equação difícil do segundo grau. Vi outro dia uma frase da escritora Patricia Mello no filme O Homemdo Ano (baseado em seu livro O Matador):“A vida é uma coisa engraçada. Ela vai sozinha, como um rio, se você deixar. Você também pode botar um cabresto, fazer da vida o seu cavalo. A gente faz da vida o que quer.Cada um escolhe sua sina, cavalo ou rio.”

Não dá pra ser rio diante de um problema. Pelo menos não dos quedependem de nós para serem resolvidos. Tem coisas sobre as quais nada podemos fazer a não ser torcer: um caso de doença na família, um amigo deprimido ou a fome no mundo. Outras dependem de mexermosos pauzinhos - e não o destino. Sabe esse lance de “deixa a vida me levar”?

Só funciona em letra de pagode.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Blog de Luís Joly apresenta novo visual
Jornalista e escritor, que possui blog desde 2003, investe no portal
São Paulo, 24 de março de 2007 - Conforme anunciado há algumas semanas, entrou ontem no ar o novo layout para o blog do jornalista e escritor Luís Joly. O blog, que agora apresenta imagens do jornalista, além de fotos de momentos de sua vida, ganha uma interface mais amigável. Em algumas semanas, o site deverá ganhar sua forma final. A arte ficou por conta do artista Marcos Carvalho.
"Há algum tempo vinha querendo mudar a apresentação do meu blog", comenta Joly. O processo de mudança teve início após o acordo finalizado com o designer e artista Marcos Carvalho, que cedeu realizar o trabalho mediante o pagamento de um almoço. "Fico feliz em poder contribuir com um site que registra um aumento constante no número de pageviews", diz Carvalho. Para ele, sua contribuição poderá render frutos. "Muitas pessoas influentes acessam o site diariamente. É bom saber que meu trabalho estará exposto a gênios de nossa sociedade", reforça.
O blog, que nasceu em 2003 após recomendações da assessora de imprensa Caru Fogaça, completa agora 4 anos no ar, após altos e baixos. "Tive períodos de incerteza com relação ao site, mas senti que ia dar certo após 2005", confessa o criador. O layout, segundo ele, ainda deverá sofrer pequenas alterações ao longo das próximas semanas. "Faremos mudanças em detalhes como os posts e quem sabe o tamanho das imagens", diz. Sobre a escolha das fotos, Joly manteve a preferência por símbolos que retratassem um pouco de seu passado e presente: "Chaves, Elvis e Senna costumam ser associáveis. Portanto, não poderiam deixar de estar na nova interface", admite.
O blog de Joly, "Teremos Coisas Bonitas pra Contar", recebe uma média de 6 a 7 visistantes por mês. Em períodos de pico, até 10 ususários acessam o endereço, que recebeu o nome de um trecho da música da Legião Urbana, "Metal Contra as Nuvens". "Uma antiga história que hoje é passado, mas acabou ficando como o nome do blog", desconversa o criador.

sexta-feira, 16 de março de 2007

A Frustração Humana


A frustração faz parte do dia-a-dia de todos: como lidar com isso?

(Antes de se iniciarem no texto, convido-os a clicar na imagem [abrindo-a em uma nova janela, claro], e que a analisem melhor, ampliada)

Hoje recebi um e-mail muito interessante. Tão interessante, de fato, que decidi abrir mão das "obras" do blog, e deixar esse último post antes que o site tenha seu novo (e a aguardado) visual.

O e-mail falava do "Princípio 90/10". Ele diz, por meio de um exemplo bem cotidiano, que 1o% da sua vida está relacionado com o que se passa com você, enquanto 90% se relacionam à forma como você reage ao que se passa (ou seja, aos 10% restantes).

Na prática, isso significa que, se você encarar toda situação ruim de maneira negativa, vai carregar isso e levar para os outros.
Se você ficar mal humorado quando encontrar alguém que não quer, irá guardar o mal humor dentro de você e fazer pior o seu dia.

Nem sempre temos tudo que queremos. E aí entram meus comentários sobre a foto acima, que encontrei após uma despretensiosa busca no Google. Um jovem Ayrton Senna, ainda com sonhos de ser campeão mundial, em um raro momento de solidão, acompanhada de um sentimento de impotência e frustração.

Um Ayrton Senna que um dia era meu grande ídolo. Meu herói de adolescência, minha meta, meus parâmetros de conquista, obstinação e garra - palavras que tão bem combinam com a Fórmula 1 e o brasileiro. Sentado aos pés de sua Lotus, à pé, parece olhar para o horizonte, como quem enxerga o sonho que tinha naquele momento se distanciar; estar tão longe quanto as montanhas que fazem o deslumbrante fundo da imagem.

Sua Lotus, imponente e majestosa, estampa a imagem e faz o contrate com o amarelo brilhante de seu capacete, ali, vazio, sem a essência que o tornou imagem de vitória e patriotismo. Para um piloto de Fórmula 1, nada é pior do que ver seu bólido colorido sem funcionamento. Não há maior frustração para um profissional desse esporte do que ser abandonado pelo carro que tanto confia; que passou pela revisão de tarimbados engenheiros e profissionais bem pagos.

E nós, meros mortais, como lidamos com a frustração?

Outro exemplo de hoje. Uma outra grande amiga me contou um pouco do seu dia-a-dia: lidar com pacientes terminais. Sua missão: ajudá-los, de alguma maneira, a enfrentar o que lhes resta com o minimo de dignidade. Uma tarefa árdua e fascinante ao mesmo tempo.

Hoje, minha chefe me sorriu latindo. E eu ainda reclamo disso? Não. Faço pior. Deixo isso dentro de mim, e ainda repasso aos demais. Faço das tripas coração para que todos saibam de seus pecados e imperfeições.

Bobagem. Somos todos imperfeitos. Sempre seremos.
Somos também mesquinhos. Somos imediatistas, e egoístas demais, até.

Como ter a cabeça para enfrentar um "não"? A negação chega logo antes da frustração.
Acho que a foto sintetiza um pouco, nos traços do rosto de Senna, do que sentimos: ódio, arrependimento, angústia, estagnação, dúvida.

Nossa maior dúvida é saber se um dia deixaremos de tê-las.

Até a volta.

LJ

quinta-feira, 15 de março de 2007

sábado, 10 de março de 2007

O burro... (2)

É tão difícil ser diferente?

Por que as pessoas não podem respeitar que você não é igual a todo mundo, ou pelo menos a maioria? Que você não faz questão daquilo, não importa a mínima pra você. Por que é tão difícil para os outros respeitarem a sua opinião?

Acho que venho conseguindo dizer os "nãos" que quero, mas tem vezes que dói demais. Amores são arranhados ou até destruídos por isso.

O banho não adiantou. O cheiro de cigarro permanece. Junto com ele, um enorme vazio, de quem sabe que lábios não preenchem uma noite, ou uma vida. Mas que, mesmo assim, sofre por não querer mais do mesmo.
O Burro empaca perto do trigo

Como costumo falar pra alguns, momento de extremo sentimento pedem um poema. Não importa a hora.

Aqui estou, 6h da manhã, e resolvi vir escrever. Só que não será um poema.

Por que persistimos com os erros?
A persistência em um erro causou uma grande desilusão com um dos meus melhores amigos, agora pouco.
A insistência que eu mantive. Mais uma vez, mais uma balada fracassada. Saí para dar boas risadas, voltei furioso, estraguei a noite do amigo, a minha e ainda fiquei com a sensação de incompetência.

Por que valorizamos demais as pessoas?
No caso, essa pessoa simplesmente não notou, por livre e espontânea vontade, que eu não estava bem ali. Que queria ir embora. Eu teria parado tudo e todos por ele, fosse o contrário. Mas não foi. E ele não parou. Ou melhor, só parou quando eu pedi. Mas pedi mesmo, com vontade.

Qual o valor de uma amizade?
Durante um dado momento, a sensação de raiva, de frustração e arrependimento eram enormes. Sempre sou eu a abrir mão, a pensar, pesar e penar. Eu não pedi essa sensibilidade. Às vezes, ela atrapalha demais. Ajuda sim, mas também atrapalha.

Mais uma vez, o burro empacou perto do trigo.

sexta-feira, 9 de março de 2007


Somente com o passar do tempo
Só sabendo se suamos ou subimos
Sabendo disso, sentimos certeza.

Só com sangue, soluço e saltos
Suplício, cegueira e sonrisal
Temos cerveja, sol e sapucaí

Sou super, sou assim, sou normal
Sei silenciar o celeste solitário
E sei que só isso, sem salário

Caiu a ficha, sacou o cinto
Sambou na pista, salgou o anísio
Saiu de cena, sentiu-se só

Se em cada sino, soar em sí
Que o certo é sofrer assim
Saio correndo, pois já sofri

E agora, super, sou só sorriso
Pois sei que sendo super normal
Sou eu mais certo, sou só legal

E como quem quebra o copo com mãos de fel
Sigo, rumando solto ao sabor do céu

quinta-feira, 8 de março de 2007


Enquete: O mousse ou a mousse?
Nas últimas semanas, uma grande enquete foi se formando em torno dessa sobremesa que tanto sucesso faz em nossas vidas. Alguns chamam o mousse; outros, preferem a mousse. Sendo assim, peço aos usuários regulares do blog, que postem as suas opiniões. Afinal de contas, é o ou a?


domingo, 4 de março de 2007

Anão: Um clássico das baladas que entram pra (minha) história



Inferno Eletrônico


O dia em que anunciei minha retirada das baladas


Há tempos que eu já vinha pensando nisso. Afinal, desde adolescente não fui fãs das chamadas "baladas" - aliás, na época em que comecei a ir nelas, ainda nem era usado esse nome. Acho que simplesmente íamos pra "night", ou pra "danceteria", algo assim.


O tempo chega para todos nós. Pra mim, acho que sempre chegou um pouco antes. Claro, afinal sempre convivi com pessoas mais novas que eu na escola. Até hoje sou, entre essa turma, alvo de piadas sobre o tema.


Mas voltando às baladas. Desde que passei pela 3ª Grande Mudança, saí para eventos como esse duas vezes. As duas foram terríveis. E decidi, finalmente, anunciar algo que já queria fazer há uns 10 anos. Não vou mais em baladas.


Calma, há exceções. Um aniversário, baladas com música ao vivo, ainda são bem-vindas. Não pretendo me tornar um ermitão que odeia todo e qualquer programa noturno em danceterias.

Porém, quando se trata de ir à baladas com "música" eletrônica, nem pensar. Chega.


Atingimos um ponto em nossa vida em que começamos a exigir alguns confortos, não é mesmo? Sempre falo disso com um amigo meu. Não é frescura. É simplesmente a idade. Chega de programas duvidáveis, dores de cabeça desnecessárias, acomodações que cheiram mal, coisas assim. No entanto, apesar das conversas com o amigo aí de cima serem tão boas, era justamente ele um dos que estava comigo ontem, naquele lugar horrivelmente lotado, apertado, fedendo a cinzeiro e sem dar a menor chance de uma conversa amigável com qualquer semelhante.


Sim, confesso que eu também sou um pouco culpado nisso. Nunca gostei de coisas assim. "Ficar" por ficar nunca existiu pra mim. A idéia de não saber quem é a pessoa que está com você naquele momento é muito estranha pra mim. Romantismo? Covardia? Insegurança? Acho que nada disso. Só sou assim, e assim sou feliz.


Ontem, o local em que estávamos era algo como a antesala do inferno - eu sei que estou exagerando, mas me dá um desconto, estou nervoso. A batida forte daquele ritmo que alguma ameba - que não deve saber achar o "dó" no piano - algum dia chamou de "música" eletrônica é simplesmente aterrorizante! Quem algum dia conseguiu classificar aquilo como "música"???


Aquilo não é canção, não tem melodia, não tem sentimento, não tem paixão, não tem imperfeições, não tem rima, não tem sequência. A "música" eletrônica é um barulho que mais lembra a seqüência de Laranja Mecânica com a lavagem cerebral. Só que lá ainda é melhor, pois ao menos a música é clássica!


Antes de ir à deprimente balada, recebi um conselho de uma namorada de um enorme amigo. Deveria ter ouvido, seguido. Mas, ao menos aprendi. Vale isso, não?

O lugar em que estava com eles continha música. Fosse ao vivo, fosse no aparelho de som. Tinha bateria, tinha voz, tinha respiração e era humanizada.


Saí de um local onde me sentia muito bem. Pleno. Mandei uma mensagem a uma amiga: "estou me sentido feliz". Estava onde queria estar, com os amigos, ouvindo um som, bebendo umas. Lógico, outros amigos poderiam melhorar ainda mais a festa, mas naquela tarde, tudo estava perfeito pra mim.


A mudança de um ambiente para o outro foi tão drástica, brusca que me fez abreviar essa decisão há muito planejada: não vou mais à baladas. Não suporto "música" eletrônica. Não suporto o olhar das pessoas-robô, em seus olhares hipnóticos, dançando ao som das batidas de baterias fajutas que jamais receberam o toque humano.


Nunca fui um rato de baladas. Portanto, acho que não vou fazer a mínima falta nesse meio. Felizmente, ainda tenho muito rock and roll, blues, moda de viola, country, jazz e afins para me consolar diante de tão abrupta decisão e perda.


Sou um mais novo adepto à campanha "Não use drogas! Não ouça 'música' eletrônica". Não sei se já existe, mas que dá vontade de criar pelo menos uma comunidade no Orkut, isso dá.



P.S: Ah, e caso alguém tenha ficado ofendido com o que disse sobre as baladas eletrônicas, cada um na sua. É possível ir até elas e ainda ser uma pessoa encantadora. Mas, de qualquer forma, isto é um blog, ou seja, é a minha opinão e quem não quiser, é só não ler.


P.S 2: Não sei nem a razão de ter falado isso... Quem vê pensa que os 4 leitores regulares vão se incomodar tanto...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Flor-de-Liz*

Tenho um monte de fotos para você ver
Tenho lágrimas pra você sentir
Tenho piadas pra você rir

Tenho músicas pra você ouvir
Tenho uma coleção de CDs pra você tocar
Tenho mil poesias pra você ler

Tenho cem receitas pra te fazer
Tenho meu trabalho pra dividir
Tenho meu amor pra te ver sorrir

Tenho uma vida pra te mostrar
Uma história pra revelar
Tenho tantas coisas pra te contar

Tenho medo e sustos para esquecer
Tenho paciência pra consolar
Tenho sutileza para esperar

Tenho minha vida pra te incluir
Tenho meus motivos para sorrir
Já não tenho tempo pra lamentar

Tenho dó do tempo que já perdi
Mas tenho minha fé pra me sustentar
E tenho certeza do teu olhar

E minha vida inteira pra te mostrar

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Poema do Barão

Sai, daqui
Vem aqui
Vai pra lá
Tô na mão
To de mal
Tô legal

Sou mais eu
Vem aqui
Vem demais
Tá no chão
Tá feliz
Tá Luís

Sei que não
Vou tão bem
Vivo em paz
Tudo bem
Tô de bem
Tô com quem

Sobre mim
Vem assim
Vai em vão
Tenho fé
Tenho mão
Tenho irmão

Sol e luz
Vento e frio
Viro céu
Tanto faz
Tanto fez
Tô na vez

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007


"Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim" - Freud
(a frase foi enviada para mim por e-mail por uma pessoa muito especial)


terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Uma música que nem conheço, que nunca ouvi e cujo cantor não me apetece em nada (é minha opinião, o que vou fazer?) Mas me chamou a atenção, por refletir em diversos pontos da minha vida.

Metáfora

Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Dá um Abraço?

Seguindo a idéia do post anterior, segue link para vídeo que me foi apresentado pela minha irmã Thaísa. É simples, mas ao mesmo tempo lindo. Afinal, onde foram parar os abraços?


Sensibilidade digital


Hoje em dia o imetiatismo é imediato. Vivemos em um tempo onde conversas sérias são feitas pelo Orkut. A pessoa do seu lado te manda um e-mail perguntando se você vai querer almoçar no japonês ou vegetariano. Tudo tem que ser por escrito. Brigas, reconciliações, confissões e declarações. Tudo digital.


Nossa geração - é claro que eu já fiquei pra trás, mas ainda tento ficar na onda - adquiriu uma sensibilidade cibernética. Hoje sabemos quando uma pessoa está triste somente pelo modo de te cumprimentar no Google Talk, MSN ou comunicadores afins. Onde foi parar o abraço, a conversa cheek to cheek?


Nossa sensibilidade adquirida nos tornou um bando de insensíveis.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007