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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A posse de Obama

Há poucos posts, falei sobre quantas coisas mudaram entre 2001 e hoje. Entre elas, está a era Bush, que enfim chega ao fim. Absolutamente lamentável uma gestão que valorizou a guerra e criou um novo Vietnã.

Hoje um artigo fantástico está na "Folha de S. Paulo", escrito por Gideon Rachman, do "Financial Times", e traduzido por Paulo Migliacci. Leiam, vale a pena.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2001200902.htm (para assinantes UOL/Folha)

Ou aqui mesmo:

Um caso em que o homem é a mensagem

Hoje, ao pronunciar seu discurso de posse, Obama poderá manter as generalizações que inspiraram tanta gente. Mas, quando ele estiver no poder, isso vai mudar.

Governar é escolher. Como presidente, Obama por fim será julgado não pelo que é ou pelo que diz, mas sim pelo que faz

Hoje Barack Obama finalmente terá a chance de dizer alguma coisa memorável. Essa afirmação pode parecer ranzinza, já que estou falando de um homem elogiado como um dos grandes oradores de sua era. No entanto, Obama aperfeiçoou a arte de soar maravilhoso sem dizer grande coisa.

Eu estive no estádio em que Obama fez seu discurso de aceitação da candidatura presidencial, na Convenção Nacional do Partido Democrata, em agosto. Foi hipnótico, comovente. Mas, estranhamente, não lembro coisa alguma do que ele disse.

Essa amnésia é um sintoma bastante comum. Uma consulta rápida a colegas revela que a única frase do novo presidente que ficou alojada de forma indelével em nosso cérebro coletivo foi o "yes, we can". Alguns poucos mencionaram "mudança em que se pode acreditar".

Hoje, quando ele fizer seu discurso de posse em Washington, Obama sem dúvida fascinará sua audiência uma vez mais. Também terá a chance de enfim fazer um discurso cujas sentenças ressoem na história. Mas talvez seja mais sábio para ele deixar isso de lado. Pois, no caso de Barack Obama, o homem é a mensagem. Obama inspira não por conta de qualquer coisa que diga, mas simplesmente por ser quem é.

Michael Gerson, redator de discursos para o presidente George W. Bush, disse que, quando leu os discursos de posse de todos os presidentes, se tornou óbvio para ele que o tema central da história americana é a questão racial. Só por subir ao palanque como o primeiro presidente negro dos EUA, Obama está enviando uma mensagem de mudança.

Mas não é apenas a etnia de Obama que envia uma mensagem. Mesmo nos casos em que não diz nada de memorável, o domínio que tem sobre a linguagem e sua evidente inteligência oferecem um alívio depois da balbuciante falta de articulação de Bush.

Durante a campanha, Obama enviou outra mensagem por manter a calma durante o colapso em Wall Street, enquanto seu rival, John McCain, se debateu melodramaticamente com o tema. Obama se comportou de modo presidencial. O novo presidente tem consciência de que suas qualidades elusivas só reforçam seu poder político. No prólogo de "A Audácia da Esperança", ele escreveu que serve "como uma tela vazia na qual pessoas de inclinações políticas diferentes projetam suas opiniões".

Obama parece estar conseguindo realizar o mesmo truque no resto do mundo. Ele é ainda mais popular no exterior do que no seu país. Mas o restante do mundo tampouco tem em que se apoiar. As pessoas sabem que Obama parece um homem ponderado, que é negro, que se opôs à Guerra do Iraque e que acredita em diálogo. E sabem que ele não é Bush.

Esse ponto é crucial. A eleição presidencial revelou não apenas uma tensão entre dois Estados Unidos que Obama prometeu reconciliar -o liberal [progressista] e o conservador. Ela também revelou a divisão entre o excepcionalismo e o universalismo americanos.

O excepcionalismo americano gostaria de manter o país isolado do restante do mundo.
Caso o país seja governado por excepcionalistas, tenderá à introspecção, adotará controles de fronteira mais severos, aumentará as tarifas e venerará ainda mais as Forças Armadas.

Já o universalismo envolve um país que contempla o resto do mundo com atenção e prospera em função de suas conexões com ele. Com um pai queniano, uma infância passada em parte na Indonésia e um segundo nome (Hussein) que o vincula ao Oriente Médio e ao mundo islâmico, Obama parece personificar um país muito diferente daquele que Bush representa com seu estilo texano monocultural.

Portanto, no exterior como em seu país, o novo presidente dos EUA é uma "tela vazia" na qual as pessoas projetam suas visões. Hoje, ao pronunciar seu discurso de posse, Obama poderá manter as generalizações que inspiraram tanta gente.

Mas, quando ele estiver no poder, isso vai mudar. Governar é escolher. Como presidente, Obama por fim será julgado não pelo que é ou diz, mas sim pelo que faz.

Pichadores não são artistas


















As fotos não são minhas, mas basta um passeio por São Paulo para encontrar paisagens assim

O assunto é polêmico, mas queria falar disso há algum tempo. Sou um favorável à eliminação da poluição visual. Por isso reclamo de postes telefônicos com seus imensos e entrelaçados fios, de outdoors imensos, de lixo nas ruas, de faixas e cartazes e demais exemplos.

Pouco me pronuncei sobre o caso da pichadora Caroline Pivetta. Não sou a favor do que ela fez na Bienal, mas entendo que a parede em questão estava exposta para ser usada, e ela o fez da maneira que achou melhor. Mas, indo muito além disso, sou contra sim às pichações que empobrecem a cidade, que destroem monumentos públicos, que enfeiam fachadas e desafiam as leis da gravidade e do bom senso.

Agora pouco estava vendo um vídeo-reportagem disponível no UOL feito sobre e com os pichadores. O vídeo, infelizmente, está quebrado no meio, dá pau e trava, então nem vou pôr o link aqui. Mas, nas partes que consegui ver, havia depoimentos dos pichadores. Eis alguns:

"Quando estou lá no alto pichando, estou ouvindo meu coração, estou em paz".
"A cidade construiu 'nois', agora ela quer destruir 'nois'" (sic).
"Se a pichação existe, é porque tem alguma coisa que está errada".

É claro que tem coisa errada. E muita. São Paulo é um poço sem fim de problemas sociais crônicos, emergências, erros, corrupção jamais descoberta, negligência, falta de planejamento, descaso e miséria. Mas a forma de resolver isso não é sujando ainda mais a cidade.

Sei que estou sendo absolutamente raso e superficial, mas não quero entrar em muitos detalhes. Alguém discorda? Grafite é tão danoso quando a pichação? Ambos são formas de arte? O pichador é uma forma da cidade revelar seu lado autêntico, escondido atrás de obras turísticas e lojas caras?

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Faz-me rir: o Debate da Band



Não me interesso muito por política, mas adoro debates. E fazia questão de ver o primeiro pela corrida eleitoral de São Paulo, que passou agora pouco, na Band. Longe de ideologias políticas (cada um tem a sua, nem quero discutir isso), destaco os pontos que exemplificam o meu interesse no programa, um dos mais engraçados da TV aberta na atualidade:

- Todo mundo reparou na lingua presa do Gilberto Kassab? Nossa, eu não sabia! Ele falando "pesquisa" era um festival de saliva. Se ele falasse "salsicha", sai de perto;

- Soninha foi até de bicicleta hein! E desejou "saúde" a um candidato que espirrou. Foi, sem dúvida, a única "apolitizada" no recinto. Deu risadas e parecia mais uma amigona do que uma candidata;

- E o Ivan Valente e seu nariz imenso? O cara ficava de perfil e o nariz quase saía da tela!

- O sonolento Ciro Moura adora frases prontas e/ou de efeitos. Não acredita em papai noel, andar no trânsito é ser uma sardinha em lata, a política do tostão contra o milhão... E ele é radicalmente contra sanitários públicos!

- Será que o Kassab não sabe olhar o cronômetro? Ele estourou em quase todas as vezes que falou. Em uma delas, ainda virou pro Casoy e pediu "só pra finalizar";

- De novo o Kassab, e seu jeito paradão de falar. Parecia, em alguns momentos, que estava lendo um teleprompter...

- O show maior, porém, ficou mais uma vez com...Paulo Maluf! Ele é o mais engraçado, com suas frases repetitivas e projetos megalomaníacos (afinal, não andamos um quilômetro sem passar em uma obra dele).

Maluf é a perfeita imagem do político da velha guarda (nada mais previsível, até pela sua idade). Falem o que quiserem, ele sabe vender suas mensagens e é mestre em se esquivar de qualquer pergunta. O curioso mesmo é que todos seus históricos rivais estão fora de cena - ou já morreram ou se aposentaram. Ele segue, mesmo sabendo que não vai ganhar. Será que quer entrar para o Guiness como candidato que mais tentou e não levou?

Para finalizar, abaixo um momento hilário: a antológica "pergunta" de Fernando Collor ao finado Enéas Carneiro em um debate que, confesso, não me lembro para que cargo valia (mas vi isso ao vivo). Não tem imagem, mas vale ouvir.