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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Buenos Aires ficou feia (mas ainda é linda)

Protestos políticos ou simples mensagens: Buenos Aires perdeu um pouco do seu charme


Devido a nossa rara estabilidade econômica e à frequente instabilidade argentina, visitar hoje a terra dos hermanos é algo bem mais fácil que era há algum tempo.

Portanto, falar de Buenos Aires não é novidade nem mesmo neste blog (dê um "Buenos Aires" na pesquisa do blog). Mas, estive lá por uma semana, e não posso deixar de registrar alguns dos melhores momentos. Afinal, carne de vaca ou não (desculpe o trocadilho), ainda é outro país, com culturas e costumes interessantes.

Começo pela Cidade Limpa. A primeira vez que estive em Buenos Aires após a Segunda Grande Mudança foi em 2006, no feriado de setembro. Me encantó a beleza. Espaços para anúncios, monumentos bem conservados, ruas sem buracos e um visual encantador.

Pouco mais de um ano após a visita, volto com outros olhos. Nesse interim, a cidade em que vivo, São Paulo, passou por uma transformação. Não estou aqui fazendo apologias políticas, já que esse é um assunto em que não costumo me meter muito. Mas o que sempre me interessou foi a feiura visual de São Paulo, e como combatê-la. Afinal, quem me conhece sabe o quanto eu reclamo dos emaranhados de postes e fios que enfeiam a cidade, por exemplo. Viver em uma cidade bonita nos deixa de bom humor.

Cheguei a Buenos Aires e encontrei uma cidade manchada com dezenas de anúncios, espalhados de qualquer maneira pelas avenidas principais. As estátuas, que tanto marcam a cidade, estavam em sua maioria pichadas com protestos alusivos às eleições presidenciais que aconteceram recentemente por lá. Panfletos, também sobre as eleições, aglutinavam-se nos muros e paredes de prédios.

Tamanhas mudanças não conseguiram, no entanto, tirar o charme reluzente e envolto em cada fragmento e cidadão daquela cidade (que, confesso neste texto nada imparcial, amo). Seus parques continuam magnetizando usuários, e suas paisagens são cenários prontos para amantes da fotografia fácil - como eu.

Os postes, claro, continuam não existindo, ao contrário de São Paulo. Mas, pela primeira vez, volto para minha cidade com um certo orgulho dela. Note bem, um certo. Afinal, ainda podemos melhorar em infinitos aspectos. Mas, pelo menos na poluição visual, tiramos um pouco do atraso de anos-luz em relação ao aceitável.

Em breve, volto com outras - e interessantes - facetas de BsAs.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Amando Buenos Aires e São Paulo

Quem é usuário regular ou antigo deste blog, sabe que eu já falei muito das minhas viagens regulares a Buenos Aires. A quinta vez (quarta em três anos), que se encerrou no último fim-de-semana, não foi diferente: cidade encantadora, hospitalidade, caminhadas, calçadas largas e algumas compras. A única mudança foi em relação ao frio, deliciosamente mais marcante que das outras vezes (mas ainda assim, muito agradável).

Em todas as vezes que estive lá, sempre aconteceu o mesmo processo, algo que eu chamo de “efeito revolta Buenos Aires” (não encontrei nome melhor). Revolta, sempre devido ao mesmo motivo: por que as coisas funcionam por lá, um país também em desenvolvimento e com problemas até mais sérios do que o Brasil? Quando me refiro a “coisas”, falo mais da cultura das pessoas, em especial.

Andar em Buenos Aires é saborear um pouco da história da Argentina. Monumentos enormes ou pequenos, estão sempre lá para registrar e eternizar os nomes e momentos que mais marcaram as conquistas portenhas. Mesmo os mais distraídos ou desinteressados trombam com praças como “Homenagem À Comunidade Croata” ou coisas do tipo. Avenidas largas, planejadas, ruas que não precisam mudar de nome a cada quatro quadras em tributo às pessoas (vide a Av. Cidade Jardim, que é Tajurás, São Valério, Augusta, Colômbia, etc). Lá, as pessoas recebem estátuas e praças. Aqui, recebem nomes de rua.

“Se fosse em São Paulo, essa praça estaria cheia de mendigos”. “Se fosse no centro de São Paulo, já teríamos sido assaltados”. “Em São Paulo teriam pichado tudo isso”. Essas eram frases comuns durante toda a viagem entre meus amigos e eu. Naturais, saíam até em tom jocoso. A comparação, infelizmente, era lamentável e quase sempre vitoriosa pra eles, denegrindo ou diminuindo nossa própria cidade. São Paulo cresceu e se tornou a maior cidade do país de forma desordenada e caótica. Hoje, imagino que 90% do que é gasto por aqui é emergencial, urgente e, na melhor das hipóteses, necessário há muitos anos.

Mas, como nem tudo é eterno, regressei. E, no caminho pra casa, esse "efeito revolta" começa aos poucos a se dissipar em nosso ar poluído. Já era madrugada e, sem trânsito e no escuro, a cidade aparecia diante dos meus olhos muito mais bela do que realmente é. Foi possível vislumbrar a beleza dos jardins com paisagismos próximos às marginais, dos enormes viadutos e passarelas que preenchem quarteirões paulistanos, do asfalto renovado e prédios colossais em construção. Os olhos miram e a mente se encanta com o que é nosso. Também temos a nossa beleza, é verdade.

Mas as horas passaram, o dia clareou e trouxe com ele as pichações, o trânsito e a desorganização tão nossa. De volta a São Paulo, hoje já estou imerso no frenético dia-a-dia da nossa capital como se daqui nunca tivesse saído. A viagem parece uma lembrança distante e o que preenche meus pensamentos são afazeres do trabalho e músicas que ouvi no caminho. Inebriado no genioso ar paulistano, começo a fazer as contas para a próxima visita a Buenos Aires

A paixão não necessita explicações.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Um pouco de Buenos Aires em São Paulo


Antes do último post sobre Cuba, uma mudança (leve) de ares: saio da terra de Fidel, mas ainda não volto ao Brasil totalmente.

Nunca foi a Buenos Aires? Já foi, quer ir de novo mas a crise global não permite? Seja qual for a sua opção, se tiver interesse em conhecer (ou relembrar) um pouco o ambiente portenho sem sair de São Paulo, vá ao Che Bárbaro. Localizado no "coração" da Vila Madalena (lembram desse post?), na R. Harmonia, o local abriu há menos de 1 mês e preza por duas características fortes: o excelente atendimento e os detalhes fiéis à capital do Tango.

Não tive a oportunidade de jantar no local, portanto não avaliei os pratos. Mas fiz questão de pedir uma empanada de carne (R$ 3,50), que estava incrivelmente semelhante a uma argentina. O dono do local, Alberto, recebe os convidados na porta. Não se deixe enganar pela primeira impressão. O Che (aliás, nome sugestivo para este blog em meio a tantas menções de Cuba, diga-se) é grande em profundidade e possui uma área no fundo temática da famosa "boca" argentina: paredes pintadas com as mesmas cores e falsas sacadas dão um ar nostálgico a quem já conheceu essa famosa - e turística - parte de Buenos Aires.

Se for, não deixe de pedir um vinho argentino ou - o que foi meu caso - uma legítima Quilmes, com direito a garrafa de 1,5 litro (R$ 14,00), como é normal por lá.

Serviço
Restobar Che Bárbaro
11 | 2691-7628
R. Harmonia, 277 - Vila Madalena

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Estación Sur

Não é Buenos Aires, mas quebra o galho
Faz tempo que não escrevo sobre experiência gastronômicas aqui no blog. Então, provavelmente inspirado pelo belo blog Comidas já Comidas, da amiga Luciana Ferraz, resolvi reativar a seção - mas sem o menor propósito de concorrência ou periodicidade, afinal, este blog segue sendo um diário, mal atualizado, mal acessado e sem pretensões algumas de ser mais do que é (essa pretensão até já existiu no passado, mas isso é outra história).

Dada a explicação, hoje fui com amigos ao Estación Sur, um restaurante argentino no bairro do Morumbi. Ele é novo, abriu há menos de seis meses no bairro, mas que já tem, há mais de dez anos, uma unidade no elegante bairro dos Jardins. Apesar de localizado no Morumbi, não se engane. A região não é das melhores. Ele fica em uma rua semi-residencial, com oficinas mecânicas ao lado, uma praça mal conservada na frente e uma via de alto movimento. É daqueles que você olha e pensa "'não vai pegar". Talvez por isso, resolvemos ir logo, antes que feche (maldade).

A chegada já não foi convidativa. Há poucos espaços para estacionar e o manobrista cobra a bagatela de 15 reais para deixar o carro. Lógico, fomos atrás de uma vaga em uma rua próxima. Resolvido o primeiro dilema, fomos ao próximo: havia um vegetariano entre nós. Checamos se serviam ali pratos sem carne. Sim, servem.

Aconchegante, o Estación Sur contrasta com o restante da rua, como citado. Com cara de novo, bem arrumado, pintado e projetado pelo arquiteto Delfor Brion, capricha no interior, que inclui salas com ambientação portenha e itens trazidos de Buenos Aires. Mas, divide o quarteirão com mecânicos e prédios descompromissados. É difícil passar na rua e não estranhar algo tão bonito perto de imóveis velhos. Ao entrar, vê-se que o trabalho de decoração foi bem montado. Há um espaço externo, para fumantes (cadê a fiscalização?), um interno sem ar condicionado e um terceiro salão, climatizado, com uma TV. Em todas as paredes, como era de se esperar, menções à terra de Maradona. Além do próprio, fotos de outras personalidades do país.

Quadro ressaltando a tradicional humidade argentina - foto de Rubia Pria

Escolhemos o salão climatizado. Cardápio à mão, eu já tinha sido avisado: o local não é barato. E não é mesmo. Os pratos individuais saem na faixa de 60, 70 reais. Juro. Felizmente, durante a semana existe a opção de saborear um prato executivo, que varia entre carnes como baby beef, frango e chorizo, além de massas como ravióli e gnocchi. Esses pratos executivos acompanham salada, batata frita (com exceção das massas) e uma sobremesa, e o preço deles gira em torno de 35 reais.

Começando pela salada: fraca. Bem fraca. Alface, tomate e cebola apenas, todos jogados em um pote, sem tempero. Nem comi inteira. Só para cortar a salada, foi um martírio. Para tempero, havia apenas azeite, vinagre e sal. Uma decepção. Eu faria algo (bem) melhor em casa com os mesmos ingredientes.


O prato principal demorou a chegar. Meus amigos pediram truta e gnocchi. Eu, em um restaurante argentino, não poderia pedir algo que não fosse carne. E fui de baby beef. Interessante: quando pedi ao garçom a carne mal passada, ele me mostrou fotos de vários tipos de ponto de carne, para que eu entendesse bem como era a mal passada. Nunca tinha visto isso.

O prato chegou e eu gostei. No que diz respeito ao principal, a carne, estava muito boa, mal passada, tenra, suculenta e com pouca gordura. A batata frita estava boa, mas não era nada demais - me lembrou, na verdade, as batatas fritas congeladas de pacote. Infelizmente, a fome foi tamanha que esqueci de tirar a foto na hora que o prato chegou. Mas antes tarde do que mais tarde. No caso de você estar perguntando o que está na parte de baixo do prato, é meia truta que eu dividi com uma "truta" minha (nossa, essa foi péssima).

Por fim, a sobremesa. Ah, a sobremesa. Como não lembrar das inúmeras viagens a Buenos Aires e dos passeios com helados pelo Puerto Madero? Ou da época de infância, quando, a duras penas, conseguíamos um raro alfajor da Havana? Nossa, como aqueles alfajores eram deliciosos, únicos, raros. Quem mais aqui achou que eles simplesmente perderam a graça com a chegada ao Brasil? De qualquer forma, pedi mesmo um doce de leite na panqueca, que estava bom, muito bom. Não comi o doce de leite todo. Uma pessoa na mesa jura que era o Salamandra, que é um bom doce de leite. Eu não consegui dizer se é ou não, mas certamente não era brasileiro. Valeu a pena.

A brincadeira toda, junto com uma água com gás, saiu 42 reais por pessoa. Caro? Sim. Mas, em uma cidade onde tudo é caro e já estamos achando normal pagar valores absurdos, até que vá lá. Só que, se você for no fim de semana, prepare o bolso, pois os almoços executivos não serão oferecidos. Ah, aceita VR.

Abaixo, mais algumas fotos do restaurante que, certamente, não é o melhor argentino da cidade, mas também não é o pior. E, pra quem gosta de lugares afastados da bagunça, esse é ideal. Adelante (sério, Luís, esse foi seu final de post? Horrível)!

Estación Sur











sexta-feira, 29 de maio de 2009

A perda de um jornalista muito querido

Marcelo, ao meu lado, de boné, em evento em Buenos Aires: sempre irreverente

Acabei de saber que Marcelo Nóbrega, do Futuro.vc, faleceu. Assim, subitamente. Um infarto fulminante. E mostra, mais uma vez, como temos de viver a vida ao máximo, aproveitá-la. Pois pode acabar assim, de repente. Marcelo era um companheiro de trabalho e tanto. Viajei com ele para a Argentina em um evento da Nokia. Ele adorava falar do meu livro dos Trapalhões. Tive várias conversas inteligentes com ele desde os tempos de Sony Ericsson. Acompanhava seu blog constantemente. Mandávamos produtos para testes a todo momento.

E, de repente, ele não está mais conosco. Assim, do nada. E tudo perde a importância. Mostra como celulares, dinheiro, imóveis, nada disso vale nada. Marcelo fará falta no nosso meio. Uma pessoa muito, muito querida, inteligente, competente e agradável.

Vá com Deus, Marcelo. Você fará falta.

Obs.: na foto, Rafael Rigues, Marcelo Nóbrega, eu, Henrique Martin e Gustavo Miller durante evento Nokia em Buenos Aires (out/07).

domingo, 1 de julho de 2007

Fracasso Americano

Não costumo escrever muito sobre futebol. Na verdade, esta é a primeira vez em que usarei este blog para isso. Mas, sou mais um dos cento e tantos milhões em ação, portanto, deixo aqui uma reflexão sobre o cenário futebolístico atual.

Ver a Copa América é um pouco patético. Há alguns dias, assisti, se não me engano, a Uruguai X Bolívia. Não me lembro quanto foi o jogo. Talvez zero a zero. O que me lembro, certamente, é da falta de futebol apresentado pelos dois times. A deficiência técnica chegou a tal ponto que até os comentaristas na emissora, que normalmente não usam o termo "ruim" para definir a partida durante o intervalo objetivando não espantar o telespectador, não resistiram. Foram todos unânimes em admitir que aquela era uma péssima partida.

Além da deficiência técnica, fica clara - cristalina, eu diria - o contraste entre, por exemplo, a Eurocopa e o nosso torneio. No jogo apresentado na foto acima, por exemplo (crédito UOL), o segundo tempo atrasou. A razão? A rede estava furada. E o juíz simplesmente não sabia como agir. Foi lá um auxiliar, com uma espécie de fio sobressalente, ajudar a fazer uma famosa "gambi", para que o furo fosse remendado. Claro, com o auxílio do goleiro brasileiro, e sob a visão dos demais jogadores. O jeitinho venezuelano.

À parte disso, o momento da seleção brasileira é pífio. Mas, não entrarei nesses méritos, já que a concorrência é grande.

A Copa América é um grande atestado de que, por aqui, só se salva o Brasil e a Argentina mesmo. Mas nós ainda estamos atrás de nossos hermanos: em Buenos Aires não há postes.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Eu já desisti de São Paulo


As pessoas adoram dizer por aí que São Paulo é uma relação de amor e ódio. A Folha, de tempos em tempos, publica pesquisas sobre esse envolvimento do paulistano com a cidade. Não vou ser hipócrita aqui, apenas honesto. Não odeio 100% São Paulo, mas chega muito perto disso. Infelizmente, fiz minha vida nessa cidade que cheira mal e, hoje, fica difícil sair e deixar tudo - e todos - pra trás. Sem demagogia? Se odeio tanto São Paulo, o que ainda faço aqui? Me falta coragem, oportunidade, algo que consiga me mover.  A verdade é essa. Mas isso não esconde o que verdadeiramente sinto. Aliás, muito do que falo aqui vale para o Brasil.

São Paulo é terrível. É uma cidade feia. Como falei, cheira mal. Mas o que mais incomoda em São Paulo não é culpa apenas de São Paulo. É culpa do Brasil também. É a demora com que as coisas acontecem. Tudo aqui leva anos para ficar pronto. Em alguns casos, décadas. Veja o caso do Largo da Batata. Desde que sou criança aquele trecho da cidade está em obras. Agora, parece que vai acabar. Lá se vão vinte anos!

Irrita a falta de planejamento da cidade. Como as coisas parecem acontecer de qualquer jeito. É fato que hoje as autoridades parecem se preocupar um pouco mais com isso. Mas o que já foi feito, dificilmente dá pra remediar. Tome Paraisópolis como exemplo. Uma das maiores favelas da cidade (já ouvi que é a maior) no meio de um bairro de classe média alta. Violência por lá é comum. Coisa do cotidiano. Trânsito, também. Porque, com o aumento da violência, as casas somem e dão lugar a prédios. E, onde antes havia quatro ou cinco carros, há agora 300 veículos. E a falta de planejamento salta à vista. O Morumbi é um típico exemplo de como a cidade não se preparou minimamente para crescer.

A Avenida Giovanni Gronchi está saturada. Há muitos e muitos anos. As ruas paralelas, usadas como vias de escape, também. A Giovanni é rigorosamente é a mesma desde que foi construída. Na ocasião, meados dos anos 1950, o Morumbi era tão longe que NINGUÉM da Prefeitura pensou, em algum momento, que aquele bairro poderia um dia se tornar populoso. E isso irrita demais. Em Buenos Aires, na nossa vizinha Argentina, isso não acontece. As avenidas são largas. Oito, nove, 10 faixas de cada lado da avenida. Qual a dificuldade para que São Paulo possa fazer o mesmo? Sério, é tão complicado assim? Somos menos inteligentes que os argentinos (e não estou colocando aqui nenhuma rivalidade, é apenas uma pergunta retórica)?

Talvez o maior símbolo da falta de planejamento de uma cidade, no maior sentido da palavra, sejam os postes. Parte do nosso dia dia, das nossas vistas, eles são ignorados pela maioria das pessoas. Mas estão ali, como troféus do descaso, como lembranças incessantes de que, nesta cidade, pouco ou quase nada se faz - ou fez - para prever o futuro.

Os postes de São Paulo não são postes comuns. Como diz um amigo meu, são verdadeiras usinas elétricas. Dezenas de fios emaranhados, jogados, se entrelaçam correndo pelas vias, ligados em casas, prédios, favelas, misturados sobre árvores que ficam em calçadas esburacadas, apertadas, com camelôs, lixo na rua e cidadãos que não respeitam o trânsito.

Aqueles postes fazem mais do que deixar a cidade feia, mais vulnerável a quedas de luz e acidentes com pipas ou afins. Eles fazem a gente lembrar, todo dia, em nosso caminho para o trabalho, que esta cidade provavelmente nunca terá jeito. O prefeito Haddad falou, este ano, que quer remover a fiação da cidade. Isso vai custar milhões. É louvável que o prefeito fale isso, e eu torço fervorosamente para que ele consiga realizar a promessa. Mas não conseguirá. Porque em São Paulo (e no Brasil), tudo demora. E quatro anos (ou oito) é muito pouco para ele resolver esse problema. Até porque há outros problemas, muito maiores e mais significantes do que enterrar fios de poste.

São Paulo é um poço sem fim de problemas. E parece que todos eles emperram em uma máquina velha, sem manutenção, que é o sistema. O sistema tributário. Com preços ridículos, mescla de impostos abusivos e lucros exagerados. O sistema de esgoto. Com rios que fedem e envergonham o paulistano e bairros ricos que despejam seus dejetos em qualquer lugar. O sistema de trânsito, que tem obras superfaturadas que já nascem velhas e motociclistas que não sabem o que é respeito. O sistema de segurança, em que 37 estupros por dia passam diante dos olhos em notícias no elevador e quase não causam espanto. Ou que ir a um restaurante é um risco de assalto duplo - seja pela casa, com seus preços que estão entre os mais altos do mundo -, ou pelos bandidos, que fazem arrastão livremente.

Eu já desisti de São Paulo. Claro, ainda faço minha parte. Ainda atravesso na faixa, aproveito a cidade, jogo  o lixo no local correto e tento, na medida do cidadão normal, cooperar com o trânsito. E louvo aqueles que fazem o bem pela cidade. Admiro, quase invejo. Mas minha desesperança é tanta, tamanha, que parece não ter volta. Penso em ter filhos, sim, mas tenho medo de criar alguém que irá conhecer esse local mundano, sujo, que infelizmente é o centro de negócios mais importante do País. Maldita São Paulo.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Parece Buenos Aires...


...mas é o bairro da Liberdade, São Paulo, Brasil.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Freedom to experience what you dare to


O título acima, junto com o nome na imagem, foi o mote principal do evento da Nokia que aconteceu em Buenos Aires na semana passada. (r)evolution também para mim, que nunca havia trabalhado em um evento tão grande. Quase 80 jornalistas, mais de 200 convidados no total. Uma estrutura de invejar qualquer concorrente e admirar qualquer curioso, como eu.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Apenas para registrar um post direto de Miami.


A cidade mais quente que eu ja fui. Mais quente que Taubateh.

Nao ligue para os acentos, o teclado aqui e diferente.

Estou neste momento no escritorio da TJG em Miami.

O lugar eh bonito, mas o nosso eh melhor. Afinal, eh mais novo.

Claro, aqui eh maior.

A cidade eh linda, as praias tbm. Tudo mto mais organizado e arrumadinho.

Buenos Aires ainda ganha no quesito beleza, ja que Miami parece ter se deteriorado muito por causa da invasao Latina.

Muitos brasileiros. Demais. E aqui soh se fala espanhol. Ingles eh raridade.

Amanha (terca) eh, finalmente, o dia de ir para Memphis. Nao que nao esteja gostando de Miami. Eh bem legal, a cidade eh bonita mesmo. Aqui, ou vc fica no inferno quente (rua) ou no inferno gelado (ar condicionado). Tem ar em todo lugar, desde o carro ateh qualquer loja. Insuportavel - e ruim p saude.

Os carros tem cambio automatico. Todos eles. Dirigi um. Alugamos uma van para levar os jornalistas - um da Colombia, Mexico, Brasil e Argentina. Dirigi a van pelas ruas de Miami. Fui na praia um dia soh pq o sol eh mto forte. Se fosse dois dias, estaria com queimaduras. Ja estou vermelho o suficiente p a semana toda.

Estou mto satisfeito em estar aqui. Eh legal conhecer os funcionarios que falamos pelo telefone. O namorado da Andrea me recepcionou aqui. Na sexta fomos em um bar-balada, em que ele conhecia o dono. Soh tem driunques malucos, com sabores mto diferenest. Cada um, 18 dolares. Mas, como ele congece o dono, pagamos so a gorjeta - 20 dolares cada um (fomos com uns casais amigos dele).

Todo mundo aqui tem carro bom. O Rodrigo, mesmo, tem uma BMW. A Naomi, tbm. Carro ruim aqui seria algo como um Polo. Mas ruim MESMO. Nao tem carro velho passando na rua.

Os taxis sao amarelos, como em NY.

Nao tem mto postes, mas tem alguns. Mais que em BsAs.

A Andrea eh legal. A Naomi tbm.

O Eric e gente finissima.

Vou indo.

Bjs

terça-feira, 12 de setembro de 2006
















Nos próximos posts, mais fotos da viagem de Buenos Aires.

Uma cidade que, de tão bela, nos deixa um pouco frustrados.

Como teria sido tudo se tivéssemos sido colonizado pelos espanhóis? Teria tudo sido diferente?

De repente, um erro ou uma decisão acabou por influenciar toda uma vida para milhões e milhões de pessoas...

Um pouco de filosofia demais, eu sei... Mas o desapontamento é grande. Depois eu continuo. Posted by Picasa

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Diários de Cocotaxi - dois brasileiros em Cuba -Parte I

Não tente entender, apenas clique, amplie e aprecie: esta certamente foi a
foto mais bela tirada na viagem


Varadero: o capitalismo dentro do socialismo

Confesso que venho tentando, desde os momentos em que ainda estava em Havana, escolher uma palavra, ou ao menos uma frase curta, que definisse um pouco o que foi a viagem. Junto do amigo que foi comigo, criamos algumas teorias ao longo de nossa rápida jornada por Cuba. E as melhores definições que encontramos foram "surreal", "contrastante", ou ainda "uma aula de sociologia na prática". Porém, nenhuma conseguirá retratar de forma fiel (ou seria fidel?) o que sentimos por lá.

Cuba é o país dos contrastes. O país que mistura sensações opostas e discrepantes em questão de metros. Lugares onde a beleza é tão irrequieta, instigante e irritante quanto a miséria exposta. Um lugar parado no tempo, o mais próximo que alguém mais jovem pode chegar de viver nos anos 1950.

Capitalismo Selvagem | Após uma rápida passagem pelo já conhecido Panamá, nossa primeira parada foi em Varadero. Constantemente chamada de “a praia mais bonita do mundo”, Varadero fica na província de Matanzas, nome dado em razão da forma como os espanhóis chegaram ao local na época de sua descoberta - sim, os índios foram sendo mortos um a um. Isso é a primeira coisa que destaco em Cuba. Tudo, do período da colonização aos tempos atuais, gira em torno de guerra, sangue, conquistas bélicas e grandes batalhas. Os monumentos, as praças, o hino, a filosofia e, claro, a postura política do país.


Varadero, no entanto, esconde tudo isso muito bem, de uma forma quase americana. Essa região do país é simplesmente fechada para cubanos. Sim, um cubano não pode ir a Varadero (assim como não pode sair do país), a não ser que trabalhe ali. No local, dezenas de resorts recebem os abastados turistas de diversas partes do mundo. Durante meus cinco dias no Sol Palmeiras, conheci pessoas da Rússia, Argentina, Brasil, França, Alemanha, Canadá, Portugal, México e Espanha, entre outros. Só não havia, claro, originários dos Estados Unidos, que vale lembrar, são proibidos de ir à Cuba.

O embargo dos EUA à Cuba é o segundo ponto a ser destacado. Não há Coca-Cola, há Tu Cola. Não existe Mc Donald's, há hambúrgueres comuns. O bloqueio é constantemente citado pelos cubanos, seja por meio de conversas com os locais ou por gigantescos outdoors e faixas que culpam os Estados Unidos pelo terrorismo. Curiosamente, a bandeira da terra de Tio Sam está no aeroporto, junto com as demais. A situação vivida por Cuba atualmente nos faz pensar até que ponto a culpa é exclusivamente do embargo, ou deles mesmo por se isolarem? Certamente não consegui a resposta em tão pouco tempo de viagem.

Varadero é o maior dos contrastes, por se tratar quase uma Disney cubana. É um paraíso capitalista hipócrita no meio de uma terra em clara queda. Os resorts no local usam o sistema "all inclusive" (tudo incluso), o que leva você a tornar-se, como dizíamos, um "porco capitalista" em poucos dias. Afinal, é tudo de graça, o dia inteiro. Nosso trabalho era, basicamente, ir do quarto para a praia ou para a piscina ricamente decorada com pontes. Sempre, claro, parando nos diversos bares para pegar uma bebida - piña colada, cuba libre, fondo del mar e daikiri estavam entre os mais consumidos, além é claro, do tradicional mojito. Na entrada do hotel, um enorme cartaz remonta o início de 1990, quando "nuestro comandante" Fidel Castro inaugurou o hotel. Por meio de Varadero, fica claro o investimento do país em turismo, uma das principais fontes de renda após o término da Guerra Fria.

Não há muito que dizer de Varadero e dos dias no resort. Além da constante exposição ao sol, as atividades recreativas de sempre. Torneios de pingue-pongue, aulas de salsa, campeonato de dardo (que ganhei), aulas de drink e baladas noturnas davam a nós a difícil missão de passar o tempo no Caribe. O sol se encarregou de nos dar a cor dourada que é quase impossível de não conseguir.

A oferta de bebidas era tamanha que em dado momento a piña colada tornou-se um veneno. Procurávamos uma bebida ou um prato diferente para tomar (ou comer) junto com as diversas cartelas de Engov que iam se esgotando aos poucos. Basicamente, passávamos os dias ligeiramente - ou excessivamente - bêbados.

Los Puros | Entre um passeio e outro, os cubanos (funcionários) sempre tentavam nos vender algo. Fosse o famoso rum cubano (añejo blanco do Havana Club) ou los puros (como são chamados os charutos por lá), tudo era oportunidade para vendas. "En mis manos, és más barato", diziam insistentemente. Para um cubano, qualquer chance de renda extra vale muito a pena, o que nos leva ao terceiro assunto, a situação financeira.

Os turistas em Cuba não podem usar o dinheiro do país, o peso cubano. Para os de fora, são passados os pesos convertibles, dinheiro que vale quase tanto quanto o euro. Portanto, quem espera gastar pouco, como em cidades como Buenos Aires ou Montevidéu, irá se frustrar. Um peso convertido vale 450 pesos cubanos. O salário médio, em Cuba, é de 10 pesos. Cartões de crédito raramente são aceitos - quando isso acontece, não podem ser emitidos por bancos americanos. Números como esse explicam por que eles ficam tão felizes ao receber 1 ou 2 pesos de turistas - um médico em Cuba recebe, normalmente, 15 pesos.

A pobreza da população vai além da necessidade de dinheiro. O regime usado por Fidel Castro só dá algo quando extremamente necessário. Não há abastados em Cuba – ou no socialismo. Logo, os itens mais pedidos pela população são os de higiene. Isso mesmo. Munido dessa informação antes de embarcar, levei comigo dezenas de xampus de hotel, daqueles pequenos, recolhidos em viagens anteriores e jamais usados. Se eles gostaram? Basta dizer que voltei sem nenhum. "Hoy voy a bañarme", me disse um dos presenteados. Foi emocionante.

Com a missão de descansar e desconectar do mundo completa, dois bronzeados brasileiros foram à Havana para os últimos três dias antes do retorno a São Paulo. E foram os três dias mais intensos da viagem.

Mas isso fica para outro post. Aguardem por mais textos e fotos.


O kit de sobrevivência na praia: copo com bebida (já estava vazio), óculos escuros, chinelos e protetor solar. É, estava difícil, amigo.