quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pra você, criança

Havia um vídeo, um VHS, que eu não largava nunca. Era um filme-documentário do Ayrton Senna, meu maior ídolo de infância e adolescência. Em um determinado trecho, após ele ser filmado andando de jet ski em sua casa de Angra dos Reis, ele fala: "a diferença entre uma criança é o adulto é apenas o brinquedo". Sim, os brinquedos dos adultos são mais caros. E mais chatos.

Ser adulto é muito chato. Pra que eu quero abrir uma conta jurídica? Quem disse que isso tinha que existir? Ser adulto é viver rodeado por uma pressão interminável. Eterna. Pressão para ganhar dinheiro. Para saber gastá-lo. Para ser simpático. Magro. Discreto, mas sociável. Humilde, mas com estilo. Ser adulto é um porre sem fim. É ter vergonha das coisas simples. É se achar melhor por coisas idiotas. É comparar-se eternamente, 

Ser adulto é esquecer valores básicos, humanos, essenciais. Olhares, cheiros, sabores. É vestir uma máscara social que fica tão impregnada em nosso corpo que não sai nunca. Nem quando deveria. É largar tudo isso para ter de ir ao cartório. É ter uma eterna obrigação de mostrar-se másculo, mas não macho. É pensar tudo, analisar tudo, criticar tudo. É combater preconceitos tão inerentes às nossas emoções que nem sabemos que estão aqui. Mas estão. Carregamos conosco uma mala, uma mochila, um container de preconceitos ridículos. É preocupar-se com a saúde o tempo todo.

Ser adulto é ridículo. Ter de entender termos jurídicos que nada fazem a não ser confundir mais a cabeça. É ter de achar um bom lugar para passar o feriado. E fazer cópias, fazer contas, fazer sonhos que nem sempre se realizam. É tentar seguir a maldita filosofia do "carpe diem" e ficar pensando que a vida está passando todo dia - e, mesmo assim, você não faz nada para mudá-la.

Ser adulto é burocrático. É ser falso, ser piegas. É ter tudo, mas nunca estar satisfeito. É ambicioso demais. É cansativo demais.

Aproveite sua infância. E, por mais ridículo e brega que pareça a frase a seguir, tente lembrar dela: não deixe a criança dentro de você morrer. Porque, se isso acontecer um dia, a vida parece vazia, vazia.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tantas

Faço contas que não vejo. Faço ideias que não sinto. Escrevo palavras sem pensar. Os erros de digitação surgem, mas são apagados por uma vergonha lamentável.

Vejo as pessoas andando de ônibus. O que tanto olham? O horizonte. Todas, lamentam, contemplam, serenas, solitárias, vislumbram o mesmo nada.

Meditação. Me diz "tá são". Eu não tô. Quem tá? Às vezes acho que sou eu que estou no ônibus.

São tantas tragédias, são tantas batalhas, são tantas tristezas. Tão santas. Ter santos. Bajulá-los. A vida é tão dura.

Esmurra a vida. O amor taí. Ah, como ele ajuda...

sábado, 9 de abril de 2011

Sabores

Paixão, tem dias que me pergunto
Por que você sempre vem ao meu assunto?
Pessoas passam por nossas vidas
Mas não sabemos quem são as preferidas

Amor, qual a verdade sobre a razão?
O que vale mais entre tanta emoção?
Tantas manias que já temos, são sabidas
Mas mesmo assim, vivo só no meu mundo

Olho brilhando, barriga fria
Era assim mesmo, eu já sabia
Mas tanto fiz que isso veio oriundo
Soturno, em meio às minhas agonias

Ah, aquela eterna sensação
Que dura pouco, que dura uma vida
Ah, aquele sorriso de criança
Aquela certeza de quem já sabia

Paixão de um dia, amor de fins de semana
Alegria plena, certeza terrena
Ah, leviana imaginação
Que gira um tudo em um segundo

O toque, tão necessário
O tato, tão invadido
Olfato, eterno corsário
Olhar, o grande bandido

Amor, certeza que temos
A fé, que nos empurra
O sonho, bobagem burra
Realidade, santo sudário

terça-feira, 22 de março de 2011

Ex fera

Consciência, com certeza cansei. Sei que somos simples, mas cada segundo certo de que somos sãos soam surrupiados. Sento e ensejo uma canseira de sabores. Sim, se cada sentimento se convertesse em solidão, seria um cântigo de certezas e sinais de sensação. Ah, sinestésica, sofrida, mas sempre sabendo que corri sozinho. Sofri silencioso. Cismei e, se saiu suspeita, certo que só causou cicatrizes. Saco. Solo um sol menor. Sol cinza. Sal corroído. Chega.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Viva Elvis – Quase uma decepção, quase incrível

É difícil analisar um álbum que, na verdade, foi criado originalmente para servir de suporte a um verdadeiro show de luzes, acrobacias e pessoas da estrutura do Cirque Du Soleil. A música que acompanha esses shows é, na verdade, uma trilha sonora que é inteiramente concebida para ser perfeitamente sincronizada com cada momento da apresentação ao vivo.

Mas, como a maioria de nós, mortais, não pretende ir para Las Vegas em breve, nos resta analisar apenas o CD Viva Elvis, do circo citado, e que serviu de trilha sonora para o show homônimo.

Para começar, fica claro que Viva Elvis, o show, foi inspirado no espetáculo Love, dos Beatles, um sucesso mundial. Só isso já faz o esquema todo perder alguns pontos. Não é de hoje que o marketing do quarteto de Liverpool está alguns passos à frente do feito para o Rei do Rock.

A segunda decepção aparece com o número de músicas. Apenas 13 faixas estão no disco. Duas (Love Me Tender) são repetidas. E três são curtas, apenas introduções ou interlúdios. Ou seja, restam 10 faixas para realmente curtir.

Qualquer DJ ou músico atual sabe a dificuldade que é mexer em versões de Elvis Presley. Nos últimos anos, a Sony BMG apostou nessa ficha com Presley. Tudo começou com a bem sucedida A Little Less Conversation, um lado B do cantor que foi hit mundial graças a uma campanha durante a Copa do Mundo de 2002. Depois disso, a escolhida foi Rubberneckin´, uma boa música de 1969. O sucesso não foi o esperado.

A terceira tentativa, em 2008, foi com as músicas natalinas do Rei. Elvis Christmas Duets foi o primeiro álbum dueto do artista – neste caso, apenas com cantoras do cenário country norte-americano. Além das vozes femininas, todo o instrumental foi refeito. O resultado foi satisfatório.

Agora chega Viva Elvis, o álbum, em lançamento mundial. Segundo o responsável pelas novas versões da música (não lembro o nome dele agora), esta seriam as músicas de Elvis se fossem gravadas atualmente. Bem, Viva Elvis é um disco cheio de erros e com alguns acertos – acertos que, é verdade, quase compensam o álbum todo.

Mesmo os mais entusiastas dos fãs de Presley não poderão negar que não faltou pesquisa. As músicas incluem diálogos raros de Elvis, entrevistas, trechos de diversas músicas e gritos, murmúrios ou gargalhadas do cantor. Pelo menos houve esforço.

Inicialmente, vamos a uma análise mais detalhada, faixa por faixa. Após isso, o veredito final (se você estiver com pressa, já vá para o resumo no fim do texto).

Opening – uma ótima sacada começar o show com o tema de “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Como muitos sabem, essa era a maneira de Elvis iniciar seus shows durante quase toda sua carreira na década de 1970. A abertura é cercada de inserções de vozes do próprio Elvis, retiradas de outras músicas e até de filmes. Para o fã, dá uma boa impressão, como falei: mostra que os responsáveis pelo disco pesquisaram.

Blue Suede Shoes – Elvis voltou aos palcos, após anos fazendo apenas filmes, em 1969. Na ocasião, escolheu Blue Suede Shoes, um antigo hit, para abrir as músicas. Porém, não espere nada parecido aqui. Todos os instrumentos originais foram retirados. Ficou apenas a voz do cantor. A nova Blue Suede Shoes talvez não agrade os fãs ou os defensores do tradicionalismo, mas não há como negar que a música ficou repaginada e atual. Uma gaita muito bem tocada combina com uma guitarra mais pesada e uma bateria forte. Só ficou a voz de Presley. Vale a pena e é uma boa abertura.

That’s All Right – Essa já é um pouco mais complicada. That’s All Right é considerada por muitos especialistas o marco zero do rock’n roll. Gravada em 1954, praticamente um monumento do rock. Mexer com uma gravação dessas pode ser uma heresia, não importa o que façam. No entanto, para quem não se importa com nada disso, o resultado também ficou bacana. Alguns instrumentos originais foram mantidos. Embora a voz de Elvis seja da versão original, eles a misturam com versões ao vivo do cantor, e a introdução foi tirada da famosa versão acústica de 1968. Se ficou pior que a original? Acho que sim. Mas é bem mais provável que esta consiga animar uma festa, enquanto a de 1954, nem tanto.

Heartbreak Hotel­ – Aqui eles acertaram bastante o ponto. A música ficou bem mais moderna, mas sem perder a essência. Mesmo quase 50 anos após a gravação dessa música, instrumentos como o piano foram mantidos, o que mostra o impressionante poder que essa canção teve na época que foi gravada.

Love Me Tender – O primeiro grande erro do disco. Pessoalmente, eu acho que Love Me Tender jamais deveria ser incluída no set list. É uma música íntima, gravada apenas com voz e violão, e que foi perfeita daquela maneira. Qualquer tentativa de atualizar uma música como essas soará como uma grande ofensa. Até hoje, aceitei apenas uma versão de Love Me Tender: a de Tony Bennet, gravada ao vivo em um tributo a Elvis, em 1994.

O erro fica ainda maior pois, junto com Elvis, está uma cantora. Honestamente, não me dei ao trabalho sequer de saber quem é. Simplesmente não combina. Elvis entoa os versos dessa canção quase suspirando. A voz feminina inserida não mostra relação alguma. Absolutamente descartável.

King Creole – No Brasil, essa música, que dá título ao filme homônimo de 1957, não é tão conhecida. O resultado do trabalho deles ficou bastante interessante. O baixo, que dá vazão à música, ficou bem mais forte, vivo e presente. O solo espichou um pouco, mas manteve o mesmo estilo. Talvez a única crítica à música sejam as vozes femininas que acompanham Elvis no refrão. Elas não só cobrem a voz dele, como mudam o tempo original da canção. Mas, de novo, para quem não é fã, ficou bem mais interessante. Ponto.

Bossa Nova Baby – Definitivamente a melhor música do disco. Não há o que questionar aqui. Consegue superar a versão original, de longe. A voz de Presley ganhou força, assim como todo o conjunto da música. Dançante, empolgante, rítmica, agitada. Bossa Nova Baby foi composta nos anos 1960, e mostra um pouco a ignorância dos norte-americanos, que usaram o título de bossa nova em uma canção que nada tem a ver com o ritmo brasileiro. Mas, curiosidades históricas à parte, levante e dance. Vale muito a pena.

Burning Love – Após a energizante bossa nova, Burning Love deveria acompanhar o ritmo. Mas não consegue. Ainda prefiro a versão original. Não ficou ruim, mas é relativamente fraca.

Memories – Seria interessante ver como ficaria uma versão moderna de Memories, um clássico do 68 Comeback Special. No entanto, a faixa, instrumental, é apenas uma introdução para a catástrofe maior que vem a seguir.

Can’t Help Falling In Love – Uma obra-prima das baladas românticas, e totalmente arruinada. Os produtores de Viva Elvis resolveram mexer em um dos maiores sucessos de Presley e simplesmente a destruíram. Primeiro porque, assim como Love Me Tender, não há como melhorar a versão original, de 1961. Segundo, porque novamente adicionaram uma voz feminina. Que, além de não acertar a letra da música, não segue o estilo original gravado pelo cantor. O resultado é uma música sem identidade, que começa lenta, apenas com o violão, mas absorve uma bateria eletrônica, uma cantora aguda demais e não diz a que veio. Presley interpreta a canção como uma balada calma e com tons havaianos. A moça do dueto acha que está cantando com Mariah Carry. Confesso que tive dificuldades de ouvir até o final.

You’ll Never Walk Alone – Muitos não sabem, mas a faceta religiosa de Elvis Presley era poderosa. O artista gravou vários álbuns gospel ao longo da carreira, que lhe resultaram em prêmios Grammy. Porém, alto lá. Esse verdadeiro hino espiritual também é apenas uma introdução para a faixa seguinte. Lamentável.

Suspicious Minds – Eis uma música interessante. Diferente da maioria das anteriores, ela foi gravada em 1969, quando o cenário musical já era um pouco mais semelhante ao atual (se comparado com o fim dos anos 1950). Eu gostei. Bem diferente da versão original, com algumas mudanças no tempo da música e uma batida interessante.

Love Me Tender 2010 - Suspicious deveria ser a última selecionada, mas como não se deram por contente, resolveram incluir outra. Ah, mais um dueto. Agora com a cantora latina Thalia. Bem, minha opinião permanece. Mas a Thalia pelo menos foi mais sutil em sua interpretação e ficou mais próxima da versão original. Não vale a pena, mas não é uma tragédia.

Resumo

O que fica? Bem, Viva Elvis não faz nem cócegas ao disco que, originalmente, o inspirou (Love, dos Beatles). São poucas músicas e, quando você começar a se animar, já terá acabado. Ainda assim, é um trabalho válido e uma nova forma de ouvir algo velho. Claro, o resultado deve ser muito melhor quando inserido a uma apresentação em Las Vegas do Cirque Du Soleil.

Para fãs de música em geral, fica um gostinho de “quero mais”. Seria interessante ver um trabalho similar em outras músicas do artista. Elvis Presley tem um vastíssimo repertório de lados B, no estilo Bossa Nova Baby, que poderiam ser explorados. Quem sabe esse disco seja uma forma de começarem a notar isso.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pergunta

Fui assistir "Tropa de Elite 2" no último fim de semana. Antes disso, tinha visto Atividade "Paranormal 2".

Quando vi o Atividade, dormi bem de noite. Quando vi o Tropa de Elite, tive pesadelo. Saí do filme desgostoso com o mundo que vivemos. Será que basta sair do País para resolver? Será que devo ter filhos, para colocá-los em um lugar tão nocivo e cheio de problemas?

Sempre tive medo do sobrenatural, mas dessa vez o bandido real me assustou muito mais.

sábado, 4 de setembro de 2010

Nostalgias de um assessor # 1


Sim, eu ainda era um menino. Para mim, o trabalho, como algo remunerado, era uma grande novidade. Desde a primeira ligação, quando o rapaz do outro lado da linha - hoje, um amigo muito querido - falou o nome de uma empresa em inglês. Achei que devia ser algo grande.

Era uma segunda, em fevereiro de 2003. Comum naquela época do ano, chovia muito. Mas, preocupado com o primeiro dia de trabalho, cheguei cedo. Bem cedo. Na verdade, fui o primeiro a chegar, atrás apenas da moça que fazia a limpeza. Ela pouco falou comigo, além de um rápido 'bom dia' ou um 'bem-vindo' qualquer. Fiquei, então, sozinho na empresa que começaria. Pequena. Eram apenas três cômodos, uma recepção e três banheiros. Devia ter algo como 100m2.

Mas eu não me esqueço do cheiro quando entrei.

Um misto de carpete novo, com papel. Cheiro de limpeza. Olhei ao meu redor e, enquanto as trovoadas corriam do lado de fora da janela, atentei para o gaveteiro: quatro gavetas de inox, bem arrumadas. Na primeira, a etiqueta "BRANCO A4". Na segunda, "BRANCO CARTA. A terceira tinha "RASCUNHO A4" e a última, "RASCUNHO CARTA". Achei aquilo o máximo. Pena que nunca tirei foto.

Nos armários, vários brindes de clientes. Em especial, da Discovery e Kodak. Um deles me chamou a atenção. Uma reprodução de uma caixa de remédio, em frasco, porém enorme. Era na verdade um press kit do extinto canal Discovery Health. Ao lado, havia flyers de "câmaras" (sim, era ordem do cliente) fotográficas da Kodak - que ainda eram mescladas entre tradicionais e digitais.

Os computadores eram enormes. IBM, creme. Os teclados traziam aquele suporte para o braço, que se acoplava na parte frontal do periférico. Os mouses ainda não eram ópticos. As mesas, da Tok&Stok, assim como a maioria da mobília. Partes em laranja, cor preferida de uma das funcionárias da época.

Na sala de reunião, duas mesas que ficavam unidas. Suas pernas eram de inox, ou aço, algo assim. Ficavam rapidamente com marcas de dedos. Na parede, uma estante continha uma TV de 21 polegadas. Ao lado, um quadro indicando um prêmio de critério duvidoso. Ali ficavam os armários, também laranjas. Quase sempre as chaves emperravam na hora de abrí-los - mesmo sendo novos.

Do outro lado do escritório, um recipiente de água padrão. Quando cheguei, ele ainda ficava no meio do "salão". Quando foi para o canto, era uma alegria a mais para os homens da firma. Sim, a empresa ficava ao lado do hotel Renaissance, na Alameda Santos. E, do ponto de vista da janela em frente à água, era possível ver a piscina do hotel. Precisa dizer mais?

No começo, eu não tinha computador. Então, usava o servidor. Sim, era uma máquina maior que as demais, mas que ficava ali mesmo, como se fosse outra qualquer.

Meu primeiro almoço foi em um restaurante por quilo, tradicional. Chamava-se "amarelinho" ou algo assim. Fui com a pessoa que comprou os móveis - mencionada antes. Nunca mais voltei ao restaurante, mas a colega tornou-se uma das minhas mais importantes amigas.

A maior sala era da chefe. Na verdade, era tão grande que tinha quase o mesmo tamanho do resto do escritório. Pelo menos era o que a gente dizia, nos corredores, na época. A mesa da chefe também era mais bonita, toda em vidro, com pernas em inox ou aço. A cadeira, era branca e longa, muito confortável, mas não reclinava (sim, eu a experimentei anos depois). A nossa cadeira era da Giroflex. Reclinava bastante, achava o máximo.

Na minha primeira semana lá, um colega me avisou que, se eu quisesse escrever, estava no lugar errado. Dois dias depois, ele saiu. Nunca mais vi.

A chefe também não estava quando eu fui contratado. A primeira vez que a vi foi quando ela voltou de férias. Chegou com malas e cheia de coisas na mão. Olhou rapidamente para mim e para outro funcionário que também era novo. Deu um "oi", sorriu com os olhos e entrou para a sala dela.

Uma vez a chefe resolveu ouvir Elvis. Sim, ela sempre gostou de colocar discos para tocar no meio do expediente (os all time hits eram "Cruising Together", "Keep it Coming, Love" e "We just Don't Care"). Sempre gostei. Mas, naquele único dia, foi Elvis. O disco escolhido era ELV1S 30#1 HITS, um comercial da ocasião.

Fiquei surpreso quando ouvi os primeiros acordes da faixa inicial, "Heartbreak Hotel". Mas imaginei que ela dificilmente ouviria o disco inteiro. Se sobrevivesse à pior faixa do CD, "Trouble", talvez existisse uma chance, pensei.

Não deu outra.

No meio de "Trouble", se não me engano a faixa 8, a música subitamente parou. E foi a última vez que ouvi uma música de Presley saindo daquela sala.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

As minhas Copas


Em 1990, lembro da sala de aula. Todas as carteiras foram pra trás. Aquela bagunça toda. A TV era pequena, mas deu pra ver o jogo. Brasil e Escócia, se não me engano. Comidas e docinhos espalhados. Se bem que o mais divertido pra mim era entrar nas "cavernas" de carteiras no fundo da sala. Que diversão. Alguns dias depois, em casa, vi com meus pais a eliminação para a Argentina. Nem triste fiquei.

O álbum de figurinhas eu completei.

94 foi o ano. De ganhos e perdas eternas. Foi a Copa da minha vida. E até hoje, é a única que sei detalhes, de cabeça. Placar, gols, momentos, nomes da escalação. Naquele ano, o futebol foi o pano de fundo da minha vida sendo construída. Amizades, se não nasceram, foram consolidadas naqueles dias de julho. Na final, estava em um sítio com um amigo. Família de italianos, mas mesmo assim ficaram felizes pelo Brasil. Eu me lembro de pular, em frente a uma TV antiga, e os olhos rapidamente marejaram. Fiquei surpreso por chorar pelo meu país.

O álbum de figurinhas eu completei.

Em 98, nada de especial. Ano de transição, esquisito. Adolescência boba, mal usada. Em minha mente, queria reperir 94. Não o resultado, mas a intensidade da paixão em todas suas vertentes. Não foi nada disso. Nem lembro onde estava na final. Nem lembro daquele ano, afinal.

O álbum de figurinhas ficou bem incompleto. Um descaso.

Veio o título de 2002. Desempregado, entrevistas de estágio. Vida séria. Vida em série. Mas foi incrível. Na final, tentei chorar e não consegui. Vibrei e comemorei o título, mas as lágrimas não vieram. E aquele momento acabou sendo apenas um título de futebol.

O álbum de figurinhas ficou cheio, mas não completo.

06 foi divertido. A primeira Copa trabalhando. Com uma turma legal, em uma empresa bacana. Nesta edição, a cerveja já era companheira de guerra. E a bebedeira ajudou. A turma animou. A eliminação para a França foi irritante, mas o relatório do cliente teria que ser entregue mesmo assim. Vida corporativa.

O álbum de figurinhas eu completei. Na marra. Suado, pelo correio, um ano depois.

2010 me reserva uma nova surpresa. O que irá acontecer? Ainda não sei. E nem estou falando de futebol.

Mas o álbum de figurinhas eu já comprei, e só faltam três.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Breve

Dizem que escrever dá trabalho. Que requer inspiração, suor, mentalização e muito mais. Incrível como para mim as palavras vão surgindo. Enquanto a digitação ou os rabiscos aparecem, as frases mentais vão se formando, vão crescendo e ganhando corpo. Quando vi, uma sentença inteira ficou pronta. E um parágrafo. E outro.

Me irrita errar quando digito. É um retrocesso. Uma pausa. Um susto. Um atraso de vida. Mas os erros de digitação fazem bem o papel de metáfora. Afinal, a gente vai digitando, vai montando sentenças, mas nem sempre faz tudo direito. De vez em quando aparece uma repetição aqui ou ali. E quando vimos tudo já foi feito com cettos tropeçpos. Sabe como é. A diferença é que no teclado a gente poda voltar no tempo. Pode corrigir tudo que fez de errado. Na vida, nem sempre dá pra corrigir o que não saiu como a gente queria.

No mais, é continuar escrevendo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Para ajudar Schumacher, vale tudo


Estava devendo uma coluna sobre Michael Schumacher este ano. Afinal, confesso que fui um dos empolgados quando veio a notícia oficial de que o alemão estaria de volta às pistas da F-1 em 2010. Nostálgico que sou, é o máximo para mim ver um piloto que estava nos grids de 1991 e regressa em 2010. Uma volta de um campeão digna dos cinemas, das eternas lutas de Rocky Balboa.

Mas se a realidade imita a arte, nem sempre o contrário acontece. E o que vimos nas primeiras quatro corridas do ano foi uma realidade bem diferente do que estávamos acostumados, em relação à Schumacher: dificuldade para domar o carro, constantes classificações e chegadas atrás do companheiro e, o pior, ultrapassagens de todos, por todos os lados.

Depois da etapa chinesa, a coisa começou a ficar pior. Foi justamente nessa corrida que ele levou o maior número de ultrapassagens. No intervalo de três semanas sem GP, o agente do piloto, Willi Weber, afirmou que estava mais fácil achar uma virgem de 50 anos do que conseguir um patrocinador para Schumacher. Do outro lado, o alemão procurava se esquivar das críticas do público e cobranças da imprensa. Vinha afirmando que estava na F-1 para se divertir, e estava conseguindo fazer isso.

De fato, o heptacampeão não tem mais o que provar. Ele já superou todos os recordes significantes da categoria. Claro, ele sempre terá de conviver com as costumeiras análises que dizem que o piloto não teve rivais a altura depois da morte de Senna. Mas isso é muito subjetivo.
O que não se discute são resultados. E os de Schumacher, neste começo de ano, foram péssimos.

Coincidentemente, após o GP em Xangai a Mercedes anunciou que faria diversas mudanças no carro – que incluíam não só os famosos dutos para saída de ar – a invenção da vez -, mas detalhes como alterações no eixo do carro e aerodinâmica. Também foi nessa época que Michael admitiu que estava enfrentando problemas na condução do seu carro, e que não estava bem adaptado – enquanto, vale lembrar, o seu companheiro, o jovem Nico Rosberg, parecia totalmente pronto e já havia inclusive conquistado um pódio.

Chegamos ao fim do GP da Espanha, e o que vemos? Michael Schumacher chegou em quarto. Fez sua melhor corrida no ano. Segurou Jenson Button brilhantemente, foi arrojado e por pouco não teve um pódio. Rosberg? Um apagado 13º lugar, problemas em todo o fim de semana (largou atrás de Schumacher também) e uma declarada dificuldade para controlar o carro em sua nova versão.

Some dois mais dois para chegar a sua conclusão. Será que a Mercedes está disposta a modificar tanto o carro apenas para que Michael Schumacher possa dirigi-lo melhor, mesmo sabendo que não será o formato preferido pelo companheiro Rosberg – que vem conquistando bons resultados?

Some dois mais dois.

RETA OPOSTA

Frita Massa
Quatro vencedores em cinco corridas. Realmente, a F-1 está com um aparente equilíbrio, mesmo com uma vantagem considerável da Red Bull. Mas chamou a atenção o péssimo desempenho de Felipe Massa na Espanha – certamente o pior entre todos que postulam o título. Difícil aceitar que o brasileiro não conseguiu um bom acerto do carro em uma pista tão bem entendida por pilotos e equipes. Me parece algo errado com ele mesmo.

Cena sem brilho
Gostaria de entender até que ponto vale a pena para a carreira de Bruno Senna estar a bordo de um carro que anda quase na mesma velocidade dos carros da GP2. Aquela imagem do piloto indo reto na quarta curva do cirtcuito foi vexatória. Acho que era hora da família Senna refletir bem sobre isso.

Sonolenta Espanha
À parte da briga entre Button e Schumacher, o GP da Espanha foi medíocre. Sem novidades, claro. Desde 1991, quando entrou para o calendário, é assim. Quando será que vão perceber que essa pista é chata demais e só serve mesmo para testar?

domingo, 2 de maio de 2010

Alice e o IMAX - Maravilha mesmo foi quando o filme acabou

O filme que vou retratar a seguir não foi minha primeira experiência com cinema 3D - claro, nessa fase moderna. No início dos anos 1990, cheguei a ver A Hora do Pesadelo com aqueles óculos de plásticos verdes e vermelhos). Mas foi minha primeira experiência ruim - nem sempre teremos apenas coisas bonitas pra contar...

O primeiro filme 3D que vi foi há cerca de 1 mês, o tal de Como Caçar Dragões (ou algo assim). Muito divertido. Adorei a experiência com os óculos e fiquei fã do formato de cinema.

Naquela mesma sessão, me chamou a atenção o trailer de Alice no País das Maravilhas. Na verdade, fiquei tão encantado com as imagens do filme que decidi assistí-lo, e melhor: na sala iMax (seria da Apple?), a suposta melhor sala de São Paulo (já tinha tentado ver o Avatar lá, mas nunca tinha ingresso disponível).

O ingresso foi comprado com quase três semanas de antecedência para uma sessão de sábado à noite.

Sobre o filme: Alice vale a pena pela fotografia. Belíssimo, com cenários psicodélicos, viagens mentais e proporções que você só consegue ver lá. Mas, infelizmente, ainda não é esse o fator mais importante em uma obra gravada em vídeo. Mesmo em um filme cercado por toda a tecnologia ou em um MPEG caseiro, o que importa mesmo é a história. E a história de Alice é tão chata que eu quase dormi.

Os primeiros 15 minutos do filme, após Alice entrar na terra maluca, são de descobertas. Afinal, vale explorar ao máximo a tecnologia 3D no mundo tão bem criado por Tim Burton e seu time. Mas, passado esse encantamento com os personagens e cenários curiosos, acaba a graça. A trama é parada, pastel, sem andamento. Os diálogos são lentos e arrastados. Me parece que a Disney pediu um filme a Tim Burton apenas para explorar o 3D. "A história? Crie qualquer coisa". Em suma: chato, muito chato. Só o 3D e a imaginação de Tim Burton não foram suficientes.

Sobre a sala: minha péssima avaliação do filme teve uma séria contribuição: o conforto não oferecido pela sala iMax (ou IMAX) do Bourbon. Estava no melhor (teoricamente) lugar do cinema: última fileira, bem no meio. Uma tela gigante mostra-se a sua frente. E a vinheta do iMAX mostra que o som e a imagem são realmente de primeira. Mas, assim como a Disney esqueceu do básico (a trama), o Bourbon esqueceu do que mais interessa - o conforto.

As cadeiras são apertadas, grudadas. Mal há espaço para dobrar as pernas corretamente sem que seu joelho já encoste na poltrona da frente. Em determinado momento, movido pelo cansaço do filme, tive algo próximo a uma sensação de claustrofobia. E, naquele cenário curioso, de vez em quando eu tirava os óculos 3D para olhar a plateia. Todos usando o acessório, pareciam seres hipnotizados.

Resumindo, é isso: se for ver o filme, o faça com ressalvas. E, se for à sala IMAX...não vá. Há salas 3D excelentes em São Paulo por preços menores e mais conforto.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Na mesma


Pra variar chego na sala e aqui não há ninguém. Há uma nuance de angústia no meu ser. O medo de crescer e de notar que esse medo nada muda a não ser a mesmice de mudar merda nenhuma. Me mexo, me machuco, misturo morfina e medicina, nadando em meio a minas de minério novo. Não há meio de mesclar minhas manias com o nada que magnetiza o momento.

Mudei, negando murmúrios e nutrindo um medo nostálgico. Nessa mistura maléfica, ninguém notou que nem meus amigos ou minhas mulheres negaram que eu era mais do mesmo. Nada, nada me mudou. Meses passaram, medos minguaram e mesmo minha mãe neutralizou esse mistério que eu mantinha manhoso.

Na hora que me esmurraram, me rendi, desnorteado. Ah, muito se muda sobre mentiras. Mas, na hora matreira em que o murro é bem no meio, nem mesmo um eunuco não nega o que mentaliza com mantras de nudez. Mientras tanto, minha sala no meio do nada segue na mesma. nada mudou e amanhã me dirijo ao mesmo norte, que tanto machuca, mortifica, mas embriaga e enaltece o meu nó.

Observação do autor: calma, gente. Não é bigráfico. Apenas reconheci que tenho um talento especial em criar textos melancólicos.

domingo, 18 de abril de 2010

Eficiência ou espetáculo?

Parece clichê de início de temporada, mas não é: esse campeonato mostra-se um dos mais equilibrados da Fórmula 1 de todos os tempos. Massa, o líder na última prova, agora não está nem entre os cinco primeiros. Claro, como bem sabemos, muita água (sem trocadilhos) ainda vai rolar após o início da temporada na Europa “séria”, com a próxima etapa, na tradicional Barcelona. A síntese dessa primeira porção do calendário é feira por Fernando Alonso, após a China: “espero uma corrida normal de vez em quando”. Fato. Das quatro corridas que já rolaram este ano na Fórmula 1, todas tiveram fatores climáticos instáveis – alguns na corrida, outros apenas nos treinos, mas que com isso tornaram o grid de largada igualmente atípico.

O telespectador, claro, adora uma boa corrida com chuva – já brincam que os circuitos deveriam ter um sistema de irrigação no asfalto. Mas, para as equipes e pilotos, é um tormento – e isso vai muito além do óbvio fator extra de dificuldade devido às péssimas condições de visão e condução do carro. É ruim mesmo porque o carro e os pilotos não se desenvolvem. E todo o trabalho que é feito nos treinos, com pista seca e sol, de nada serve em verdadeiras loterias molhadas.

Mas a chuva potencializa duas características que se mostram predominantes este ano: o espetáculo e a eficiência. Espetáculo, que pode também ser chamado de Lewis Hamilton, como mencionei na última coluna. Não tenho os números aqui, mas não duvido que ele tenha sido o piloto que mais fez ultrapassagens até agora. De novo, para a audiência, nada melhor do que um ótimo piloto largando de trás, com um carro mais rápido que a maioria. Mas, para a McLaren, será que isso é realmente interessante? Não, certamente.

Do outro lado do grid (normalmente), Jenson Button, que chegou campeão e discreto no time para 2010, não preza pela agressividade. Prefere a discrição, sua característica mais forte. E, assim, sem provocar muitos sorrisos ou olhares espantados no público, já levou duas corridas no ano. Nas duas, fez a melhor estratégia de pneus e paradas, enquanto Hamilton trocava sopapos com o resto do circo, galgando suadas posições, uma a uma, para em seguida perdê-las de novo em uma rodada ou nova troca de calçados.

Qual dos dois leva? Impossível dizer. Quem foi melhor, Senna ou Prost? Torcedores fervorosos dirão Senna, claro. Era quem arriscava, ousava, errava, mas empolgava.

Mas, entre os dois, quem teve mais títulos na carreira?

RETA OPOSTA

Sempre atrás do alemão
Já faz tempo que estou devendo uma coluna só sobre o desempenho de Michael Schumacher na temporada. Mas estou postergando isso em prol de uma corrida melhor do campeão, que ainda não veio – e, honestamente, tenho medo de achar que pode não vir...

Fernando X Felipe
Finalmente apareceu uma faísca no duelo de Alonso, que vinha sempre aparecendo com Massa a sua frente nas corridas. Felizmente, Massa não reclamou da manobra. Já era hora do espanhol deixar claro que não vai ficar atrás do companheiro pra sempre.

Enfim, um horário de gente
Momento desabafo: finalmente, as corridas voltam para os tradicionais domingos de manhã, quando chegarem à Europa. Valeu a pena assistir a todas as provas até agora, mas os horários eram cada vez mais cruéis.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dia do jornalista


O dia em si já foi (sete de abril), mas coloco aqui o cartão feito pela firma.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dá gosto ver o Lewis Hamilton correr

Hamilton na época do kart: o capacete já lembrava o de Ayrton Senna, seu eterno ídolo

Somos saudosistas por natureza. É do ser humano lembrar com orgulho dos tempos antigos, que os mais jovens não testemunharam. O “antigamente” é sempre melhor. Se seguirmos essa lógica e a aplicarmos ao universo da Fórmula 1, é fácil elogiar Lewis Hamilton, o piloto que evoca os grandes nomes do automobilismo - já falei sobre o estilo de pilotagem dele em outras colunas, mas nunca exclusivamente sobre isso.

Dá gosto ver o piloto da McLaren correndo. Hamilton é a antítese da obviedade, do previsível, na categoria. Uma combinação que parece unir Ayrton Senna, Gilles Villeneuve e Nigel Mansell em apenas uma pessoa. Hamilton talvez não seja o melhor piloto do grid. Para isso, é necessária uma combinação de diversos elementos, e isso talvez ele só consiga com o tempo – ou talvez não consiga nunca. Mas, fato é que ele é o mais rápido em momentos de adversidade.

O Grande Prêmio da Malásia, se não teve chuva no domingo, teve no sábado. E isso (somado a um erro de estratégia) ajudou no processo de colocar as duas Ferrari e McLaren no fim do grid. Naturalmente que os quatro pilotos fariam, de um jeito ou de outro, as ultrapassagens que precisavam para alcançar a zona de pontuação. Mas Hamilton vai além: ele arrisca mais que qualquer um. Enquanto muitos passaram apenas nos boxes, ele ousou, na pista, ultrapassar. O preço para isso é alto: entre genial e genioso, há uma linha tênue, e o jovem piloto alterna momentos maravilhosos com erros bobos. Mas garante a audiência da corrida e ganha uma legião de fãs em todo o mundo.

Lewis Hamilton ainda encaixa-se como uma luva nos planos de Jean Todt de fazer a F-1 voltar aos tempos de ouro, mas com a segurança de hoje. Mesmo que isso gere dúvidas. Na etapa malaia, mais uma vez o piloto da McLaren remeteu ao passado. Quando o valente Vitaly Petrov, da Renault, tentou recuperar a vaga roubada por Hamilton, viu o inglês “dançar” na pista, de um lado para o outro, evitando que o russo pegasse o vácuo para ultrapassá-lo. Esperada, diversas críticas por parte da Renault sobre a manobra, que lembra, em muito, o que Senna fazia com Alain Prost nas brigas de McLaren. Em uma delas, em Estoril, 1988, Prost reclamou após a corrida. Nada mudou, mesmo assim. Senna seguiu ousado até o fim da vida.

Pilotos como Lewis Hamilton sempre serão alvo de polêmicas, críticas, ofensas e dúvidas. Porém, isso não irá mudar a maneira como ele conduz seu carro. Sempre buscando a ultrapassagem, algo a mais e um segundo a menos. Talvez não sejam os maiores campeões da categoria, mas são sempre os mais admirados e lembrados nos especiais de TV e vídeos da internet.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Na piscina

Buzz, brainstorm, corporativismo. A tendência é que, com o passar dos anos, a gente se esqueça da infância. Deixe escondido, ou se livre mesmo, do que era importante antes. As pessoas deixam de sorrir de fato; deixam de revelar seus sentimentos. E tudo se torna um grande teatro social (também conhecido como "crescer").

Nesse palco em que vivemos, tudo tem que ocorrer como quer a sociedade; a felicidade é efêmera, é fraca e fugaz. Sorrimos, mas sem a autenticidade de outrora.

Outro dia estava na piscina do clube. Sozinho. Nadando, em uma área onde várias crianças brincavam. Três ou quatro delas estavam com uma bola. Um era o goleiro, usando dois chafarizes como traves. Os outros arremessavam para que ele fizesse as famosas "pontes", caindo em seguida, são e salvo, na água.

Fiquei com inveja. Queria brincar com eles. Fiquei com saudades de quando era criança. De uma época boa demais, em que tudo parecia enormemente mais simples - e era mesmo. Sim, as pressões já existiam. E muitas delas eu não faço questão de sentí-las de novo. Nem tudo da infância a gente quer de novo.

Mas, pelo menos naquele domingo ensolarado, eu queria ser o goleiro.

quarta-feira, 31 de março de 2010