domingo, 26 de julho de 2009

Mal estar nostálgico
O acidente de Felipe Massa, claro, só podia lembrar 1994





X




Imagens feitas pelo helicóptero. Carro batido. Suspense. Medo. Falta de informações (em um mundo onde elas chegam em todo momento). Ver as cenas da retirada de Felipe Massa do carro foi de um ruim nostálgico. Lembraram, claro, aquelas malditas imagens de 1994 que teimam em voltar. Que teimam em machucar e, infelizmente, ainda são referência.

Como se não bastasse a sensação ruim, o acidente de Felipe Massa foi ainda pior por um motivo: tragédia tem o hábito de virar moda. Lembrei de um ocorrido quando um ônibus em São Paulo perdeu uma roda, que saiu desgovernada pelas ruas e causou a morte de cidadãos despreocupados. Na mesma semana, o mesmo improvável acontecimento tinha sido notícia em outro canto da cidade. Parece que o destino deixa para coisas parecidas ocorrerem em tempos próximos. No caso do assunto desta coluna, quem está ligado em automobilismo certamente lembrou de Henry Surtees, jovem piloto da F-2 que morreu há menos de duas semanas por um pneu desgarrado que bateu em sua cabeça. Claro, é desproporcional comparar um pneu a uma pequena mola, mas a conseqüência foi parecida: no momento do choque, ambos perderam a consciência e simplesmente foram reto até a barreira mais próxima.

No momento da batida de Massa, eu me lembrei do quanto a F-1 ainda é um esporte perigoso. É justamente esse perigo, resultado de uma velocidade e de uma precisão milimétrica, que nos fascina e ao mesmo tempo assusta. Em questão de uma curva, tudo pode acabar. Ficamos tristes com e mesmo os mais ferrenhos podem se perguntar se tudo isso vale a pena.

Talvez esses pensamentos confusos sejam resultado das imagens exibidas de Massa, completamente grogue, com um olho arregalado e o outro coberto de sangue, ainda com o capacete. A mola que colidiu com a cabeça de Massa chegou com a velocidade de algo atirado do alto de um prédio. A essa altura, especialistas especulam, fãs fajutos fingem interesse, e alguns aproveitam para tirar mais uma onda do Barrichello por ser justamente do carro dele a mola quase assassina.

Tudo isso à parte, sabemos que os pilotos não pararão de correr, e nem nós pararemos de assistir, aconteça o que tiver de acontecer com Felipe. Somos viciados em velocidade e já sabemos que o medo está no pacote quando começamos a nos viciar.

No mais, é rezar para que as conseqüências para o brasileiro sejam mínimas e que ele já esteja de volta, após essa providencial pausa, no GP de Valência.

Reta Oposta

Na mão do Nelsão
Nelsinho Piquet já não está com essa bola toda – nem no universo da F-1, nem entre a torcida brasileira. Talvez por isso devesse medir melhor as palavras. Após a Hungria, disse que vai “sair de férias e o pai vai resolver”.

Mais nostalgia
Por um momento, a F-1 voltou a 2007, com Alonso, Hamilton e Räikkönen dividindo as primeiras posições. Button segue perdendo sua vantagem, infelizmente, não para o Barrichello.

Só no cronômetro
O que foi aquela cena no final do treino de sábado?! Fernando Alonso checando com os colegas de pista quem fez o tempo mais rápido? Me lembrou as minhas corridas de kart na Granja Viana, em que todo mundo dá o máximo sem saber quem foi melhor...

*coluna publicada em dia de corrida no site UOL Interpress Motor. Para ver as anteriores, clique aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Aqueles velhos rabiscos*...

Tem dias em que uma faxina no quarto é a melhor coisa. Sim, aqueles domingos cinzentos em que sair de casa é quase proibido. E todos sabemos bem como são essas faxinas: procuramos as coisas velhas, as separamos e deixamos num canto. Então, olhamos cada uma delas, lembramos de momentos diferentes da vida e, no fim, tudo volta para onde estava e pouca coisa é realmente descartada. Em uma dessas limpezas, encontrei meu antigo caderno de faculdade. Caderno grande, foi usado nos quatro anos, já que eu sempre fui econômico no espaço dos textos.

Via de regra, comecei a folheá-lo pelas páginas de trás. Afinal, a essência sempre está lá. Não a matéria, o ensinamento que nem sempre você queria receber, mas apenas o que lhe interessava naquele momento. As últimas páginas de um caderno bem usado determinam, muitas vezes, o comportamento das pessoas. Tem gente que sequer lembra dele. Tem outros que enchem de desenhos. Tem quem apenas lembre daquele ponto quando vai testar canetas. No meu caso, sempre foi ali que escrevi o que realmente sentia, pensava e vivia. Sem obrigações, sem medo, sem memória, sem moral. Apenas rabiscava traços, desenhava pessoas e jogava, despreocupadamente, o que estava na cabeça, fosse bom ou ruim.

E na minha cabeça, durante o período de faculdade, tinha muito sonho. Tinha muito sono. Tinha sopro de esperança de alguém que pouco conhecia o jornalismo e sequer sabia o que era RP. Encontrei, emocionado, suspiros de um estudante que ainda sabia pouco sobre a vida, sofreu quase nada e mesclava um esboço de vida adulta com um ranço gostoso de adolescência. Em linhas mal escritas e rasuras impensadas, ideias do que somos, do que sonhamos, do sono que sentimos.

Também não pude deixar de pensar no tempo que passou. Entre aqueles grafites rasurados e o texto digitado que você lê aqui, o que mudou. O que foi aproveitado. O que não foi. Quem se foi. Quem chegou. E amores. E amigos. E as mudanças. Me modifiquei, mas mantive meu mantra. Mudei, mesmo mesclando mulheres, mensalidades, martírios. Jamais me sentirei pleno. Jamais serei inteiro.

Não consegui me desfazer do caderno. Como previa, ele apenas voltou ao fundo do armário. Memórias foram junto. Alguns anos depois, sonhos que ali estavam seguem sendo somados ao suor de todo dia. Hoje, há um novo caderno. Novos ensinamentos me são passados. Novos profissionais compartilham certezas com cobranças, sentimentos com saudade. Mas as últimas páginas, ah...Elas permanecem sendo escritas.

*texto publicado no 806, blog da LVBA.

terça-feira, 14 de julho de 2009

De volta à infância, em 1991*


O GP da Alemanha foi bom? Foi. Mas achei um tema mais interessante para a minha coluna desta vez. Queria falar da recente experiência que tive com um jogo de computador.

Sendo um apreciador de corridas e também de tecnologia desde criança, foi cedo que adquiri interesse por jogos de velocidade. No começo, eram aqueles games de PC clássicos, como o Indy 500. Mas, em 1993, minha vida mudou com o World Circuit, ou como era mais conhecido, GP1, criado por Geoff Crammond. Aquele simulador de corrida trazia a temporada de 1991, com os feras da época, e todas as pistas do calendário, para jogar a qualquer momento. Eu passava horas na tela do computador. Gráficos toscos, mas a jogabilidade compensava tudo.

Claro, o tempo passou e o GP1 foi superado. Não, eu não parei de jogar. Apenas fui evoluindo com os nomes – logo surgiu o GP2, GP3 até o último da série, GP4 (parece que Crammond desistiu de continuar a série). Joguei todos, fiz vários campeonatos e me estressei demais com rodadas e erros, até que as obrigações da vida adulta chegaram e me afastei da tela do computador – só para jogar. O GP4 manteve-se instalado, mas era raramente acessado.
Até que, um dia, navegando pelo YouTube, encontrei vídeos de um GP4 que não conhecia.

Os gráficos eram parecidos, mas os carros, não. Sim, era um GP4 alterado, com carros e pista antigos. Mais precisamente, de 1991. Vibrei quando vi aquilo, me encantei com a precisão dos detalhes, desde patrocinadores até ângulos das câmeras. Foi uma volta no tempo.

Não demorou para que eu fosse atrás de como transformar o meu GP4, parado e original (a temporada lançada nele era a enfadonha 2001), naquele túnel do tempo. Mas demorou para conseguir. Descobri que era necessário instalar muita coisa. Adaptar o jogo inteiro. Basicamente, fazer coisas de hackers. Mexer em arquivos que eu nunca soube que existiam.
Mas eu consegui.

Cerca de dois meses após ver o vídeo, o “GP4-1991” estava em minha própria máquina. Foi paixão antes mesmo da primeira volta. Ainda na abertura, já está tudo modificado. Imagens do campeonato de 1991 aparecem na tela, e quando o menu principal finalmente desponta, você está sedento para correr.

Mas tem mais. A música executada durante o menu, as fotos dos pilotos, tudo foi feito com requintes detalhistas ao máximo. É possível, inclusive, ouvir o lendário Murray Walker, espécie de Galvão Bueno da Inglaterra, narrando as corridas mais famosas daquele ano.

Correr, claro, é o melhor de tudo. Na minha “estreia”, escolhi Roberto Moreno, na Benetton. A pista foi Interlagos, claro. Foi emocionante ver o cenário. Patrocinadores da época misturam-se com os bólidos coloridos fieis aos originais. O som também encanta. Pulei a classificação e fui logo para a largada, saindo de último. Poucas voltas depois, rodei. Mas durante elas consegui lembrar como é bom ser criança. Aquele meu GP4 nada mais era do que o mesmo GP1, que eu jogava em 93, com gráficos melhores.

Como disse Ayrton Senna uma vez: “a diferença entre as crianças e o adultos são apenas os brinquedos”.

RETA OPOSTA

E da corrida?
Sim, o GP da Alemanha foi interessante. Rubinho ficou em segundo de novo. Agora, ele é o segundo piloto que mais demorou para vencer uma corrida na F-1.

E da política?
Acho que falo por todos quando digo que não quero mais saber de política na F-1. Estamos todos, claro, torcendo apenas para que Mosley dê o seu lugar.

E do Rubinho?
Ele disse que acha “um saco” isso tudo acontecendo. Falar o quê? Enquanto isso, Massa fez uma de suas melhores corridas este ano. O cara está maduro mesmo.

Ah, se você tem GP4, saiba mais sobre o projeto 1991 aqui.

*coluna publicada em dia de corrida no site UOL Interpress Motor. Para ver as anteriores, clique aqui.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Os Nove (+ 1) mais -
Personagens de novelas


Não sei por qual razão, mas resolvi chutar o balde no lado cult do blog e colocar aqui um pouco de cultura inútil, área por onde, devo dizer, passeio bastante. Então, lá vão meus 9 personagens favoritos de novelas. Por que nove? Porque deixo o décimo para vocês sugerirem, nos comentários dos posts.

Ah, sim, vale dizer que a última novela que eu vi mesmo foi Terra Nostra, de 1998. Depois dela, sem falsa demagogia, a TV a cabo entrou na minha vida e hoje assisto muito, muito pouco de TV aberta. Meu período noveleiro máximo foi entre 1989 e 1998.

Portanto, seguindo o barco e minha linha de conhecimento, vamos lá:

10. É com você! Quem está faltando nessa lista?? Deixe um comentário dizendo.

9. Sinhozinho Malta (Roque Santeiro, 1985): não acompanhei essa novela já que era muito novo, mas tenho flashes de lembrança desse importante nome vivido por Lima Duarte. E, como não lembro muito, nem tenho o que falar. Só a citação aqui mesmo.

8. Babalu (Quatro por Quatro, 1994): Letícia Spiller perdeu de vez a imagem de paquita quando viveu a Babalu. Gostei muito dessa novela, que trazia uma série de personagens legais. Babalu criou tendência de moda, na época, no Rio de Janeiro. Diversas "Babalus" surgiam pelas ruas cariocas, sempre de mini-saias, uma blusinha curta e salto alto (boas lembranças...).

7. Jeremias Berdinazzi (O Rei do Gado, 1996): Raul Cortez dando um show de interpretação. A novela foi decaindo com o passar dos meses, mas ele apaixonado pela empregada Giudite (Judite?) quando já estava doente era muito legal de ver.

6. João Pedro (Renascer, 1993): Marcos Palmeira era o filho "enjeitado" de José Inocêncio, e passou sua vida sendo sempre o menos querido dos três irmãos. Marcos Palmeira inspirou-se muito no seu personagem de Pantanal, quatro anos antes. Mas, como eu vi mais Renascer do que Pantanal...

5. Velho do Rio (Pantanal, 1989): outro clássico das novelas rurais (sempre foram minhas preferidas), o Velho do Rio (Cláudio Marzo) me dava medo. Criança ainda, via aquele velho andando pelos rios da região e demorei pra descobrir que ele era o Zé Leôncio, outro personagem da novela (tipo não saber que o Sr. Barriga era o Nhônho).

4. Tonho da Lua (Mulheres de Areia, 1993): Um clássico! Quem nunca imitou o jeito de falar do famoso Tonho da Lua "aaaa Rutinha é minha amiga!"? Marcos Frota deu vida a esse curioso personagem, que sempre abotoava os botões de cima da camisa e deixava os de baixo, revelando a barriga.

3. Don Lázaro Venturini (Meu Bem, meu Mal, 1989): Mais uma cena que a Globo conseguiu colocar na (minha) história. Lembro de vários momentos do Don Lázaro (Lima Duarte) em sua recuperação do derrame cerebral que sofrera na trama. A hora em que voltou a escutar, por exemplo. Mas o clássico maior é a cena "eu quero melão", que vocês podem rever aqui.

3. Bruno B. Mezenga (Rei do Gado, 1996): Rei do Gado sempre foi uma tentativa meio barata de reviver o grande sucesso de Renascer, de três anos antes. E Bruno Mezenga (Antônio Fagundes) imitava bastante o José Inocêncio. Não empolgou, mas ajudou bastante na briga dos Mezenga X Berdinazzi.

1. José Inocêncio (Renascer, 1993): vivido por Antônio Fagundes, o cara era o máximo. Coronel daquelas fazendas de cacau na Bahia (pelo menos na novela elas existem), ele chegou à região ainda novo (Leonardo Vieira) e enterrou seu facão na frente de um enorme jequitibá-rei. (relembre aqui). Enquanto o facão estivesse ali, ele jamais morreria por "morte morrida ou morte matada". Brilhante!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

(Alguém) Salve o Tricolor
Paulista - na íntegra


Para quem não leu no blog da LVBA, segue o meu texto sobre a decisão do SPFC de demitir o Muricy. Espero que gostem. Comentários são benvindos.

Quando você olha os fatos sem o coração, é fácil perceber como empresas e pessoas cometem erros ao serem pressionadas. São momentos em que a comunicação é o que mais falta. Nessa semana, por exemplo, só se falou na demissão de Muricy. Sou um são-paulino bem longe de fanático. Tive meus momentos, claro, mas a maioria deles vêm de um passado nem tão recente. Na era pós-Telê Santana, sofria muito com as consecutivas derrotas do clube. Mas a maturidade foi chegando e, com ela, a percepção de o seu time de coração vencer ou perder não muda em (quase) nada a sua vida. São apenas doses efêmeras de alegria ou tristeza.

Hoje, pouco me envolvo em questões coletivas de futebol - não sei a escalação completa dos times e muitas vezes abro mão de assistir as partidas na TV em troca de encontro com os amigos ou até mesmo uma pestana vespertina.

Mas confesso que aceitei com gosto o pedido de escrever neste 806 sobre a saída do Muricy Ramalho do São Paulo. Sim, porque essa decisão do clube me deixou quase indignado. Com a saída do Muricy, o São Paulo se iguala aos clubes rivais que ele tanto critica pela falta de planejamento e organização. E perde muitos pontos com sua torcida.

Muricy Ramalho era a cara do São Paulo. Um técnico são-paulino de coração, rabugento e meio ranzinza, mas extremamente eficiente e carismático. Tudo isso não seria suficiente para segurá-lo, claro. Sem problemas, já que o cara conseguiu o feito de ser tri-campeão nacional consecutivo. Algo que só vemos com aqueles times que marcam uma geração.

Em sua obsessiva busca pela Libertadores, o São Paulo abre mão do provável melhor técnico do país hoje. Sem perceber que os problemas no time são estruturais, estão no elenco. Agora, Muricy está à disposição da concorrência, e eu não vou me surpreender se ele não acabar parando em um rival direto do tricolor.

O que mais revolta em tudo isso é ver a forma como o São Paulo atuou. Um dos meus maiores orgulhos em ser são-paulino sempre foi ver que o meu clube sabe se organizar, se planejar e cuidar dos seus. Não precisamos fazer parcerias duvidosas (ou não). Temos uma história de muito trabalho. Temos o maior estádio da cidade. Um centro de treinamento que é referência. Uma área social muito bem cuidada. Programa para revelar novos talentos. Jogadores revelados pelo São Paulo correm o mundo.

Porém, na hora em que a crise aperta (e ela sempre aperta), o time se portou justamente como qualquer outro clube. Em dúvida, demita o técnico. É mais fácil assim. Vamos ignorar tudo que Muricy dedicou ao time e preferir um desconhecido da maioria que, parece, tem ligações políticas com a CBF e a irritante questão do Morumbi e a Copa-14.

Não deixarei de torcer pelo São Paulo, claro. Mas minha torcida, que já vinha caindo progressivamente desde os anos 1990, segue em franca decadência. E a saída do Muricy apenas acelerou o processo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Em busca do "o"

Agora pouco estava falando com uma amiga muito querida. E o assunto, que foi por várias searas da vida, caiu, inevitavelmente, em relacionamentos.

E ela me falou do "amor da minha vida". Que ainda não tinha encontrado o amor da sua vida. E então nos perguntamos: em uma vida tão curta, mas tão complexa, tão breve, mas tão eterna, tão fugaz mas tão distante, tão efêmera e tão profunda, por que, de maneira quase infantil e ilógica, achamos piamente que há apenas um "o" entre tantos amores?

Sim, eu acho que podemos ter vários amores de nossas vidas. E devemos agradecer a isso. Seria um desperdício de vida ter apenas "o" amor. A melhor forma de viver a vida é saboreando o que ela tem de melhor a oferecer; é conhecendo as pessoas que podem te acrescentar algo.

E não, eu não sou polígamo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O último ensaio

Hoje recebi da Getty Images imagens do último ensaio de palco de Michael Jackson, que se preparava para uma longa turnê de shows na Inglaterra.

Compartilho aqui a foto com vocês. O crédito é de Kevin Mazur/AEG/Getty Images. A foto é de 23 de junho.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson - Minha
homenagem (e revolta)


Nunca fui fã de Michael Jackson, mas gosto do cara. Interessante ver que, com o anúncio da morte dele, são vários os artigos de "especialistas" por aí que comparam o artista ao Elvis. Exagero? Digo que não. Ambos revolucionaram a música em seu tempo, criando novos conceitos que foram seguidos por vários. Elvis, claro, de uma forma maior por ter surgido antes.

Elvis e Michael também foram se perdendo ao longo da carreira. Abusaram de remédios fortes demais no fim de suas vidas, morrendo de forma precoce e injusta. E também chegaram ao momento final sendo apenas esboços das belas imagens que foram no auge (é duro admitir isso, mas é verdade).

Porém, existem idiotas como o Paulo Ricardo que exageram e enxergam apenas o que querem. O ex-vocalista do RPM soltou hoje na Folha de S. Paulo que a carreira de Michael acabou cedo, assim como a de Elvis acabou quando ele entrou para o exército (???). Depois de voltar ao exército, Elvis viveu mais 17 anos e gravou clássicos como Cant' Help Falling in Love, Burning Love, Suspicious Minds, Polk Salad Annie e In the Ghetto, entre (várias) outras.

Essas pessoas que dizem que o rock morreu quando Elvis foi para o exército gostam de dramatizar as coisas. O rock não morreu, estava apenas nascendo. E, enquanto Presley estava nas forças armadas, o cenário musical revelou diversos novos artistas e encontrou seu caminho.

São sujeitos como esses que influenciam dezenas de seguidores sem personalidade, que tomam por verdade o que jornais como a Folha colocam (neste caso), lamentavelmente, na capa.

Mas, como o meu post é sobre a morte do Michael, de volta ao tema. Coloco aqui a minha música preferida do artista, gravada ainda na época do Jacksons 5. Trata-se do blues rasgado e absolutamente delicioso Who's Loving You. Coloquei o vídeo abaixo com a letras. Pra quem não conhece, vale a pena ouvir.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

(Alguém) Salve o Tricolor Paulista


Gente, tem post meu no 806, o blog da LVBA. Escrevi sobre a demissão do Muricy do São Paulo, um dos temas do momento. Quer ler? Dá uma olhada lá. Depois eu posto aqui, para não dar concorrência!

http://oitozeromeia.blogspot.com


quarta-feira, 24 de junho de 2009

O cara da buzina

Todo dia, logo cedo, tem um cara aqui na empresa vizinha, que chega buzinando. Os caras têm um portão eletrônico, mas os empregados não possuem controle; eles devem avisar a recepcionista, que então abre o portão quando alguém chega.

Esse funcionário, em especial, chega quase sempre no mesmo horário em que eu estou abrindo o Outlook. Você já saiu e voltou enquanto o PC ligava, então não vai sair de novo. Este é aquele momento em que o computador fica lento, bem lento, enquanto o Outlook ainda se esforça para voltar à ativa. Enquanto você ajeita uma coisa aqui e outra ali na sua mesa, a ampulheta é o único item a ver na sua tela. Firefox? Nem pensar.

Esse funcionário sempre usa o mesmo tipo de código de buzina. O manjado "ta, ta ta da ta; ta ta". Ele poderia buzinar duas vezes (ta da), ou quem sabe, três rápidos toques. Mas prefere o longo símbolo universal da buzina, superior mestre dos clichês. Buzina alta, incomoda. Pra piorar, a pessoa que supostamente abre o portão para ele nem sempre está às ordens. Então, o cara manda o código de novo, porém com uma sensível demora a mais em cada buzinada.

E pronto.

É nessa hora que eu me irrito com ele. Essas frações a mais de segundo pressionadas sobre o volante, combinadas ao momento em que ainda estou acordando, sem ter o que fazer em frente ao PC, com poucas pessoas ao meu redor, me fazem ter vontade de mandar todos plantar batatas. Virar a mesa, jogar o PC (ainda sem carregar) pela janela, xingar o chefe e sair cantando pneu com o carro até bater na segunda esquina.

Estou precisando de férias.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ainda sobre o diploma (ou a falta dele)

Em 2000, primeiro ano da faculdade de jornalismo, pedi a uma pessoa especial que roubasse um pôster para mim, que estava no mural da faculdade. Vi aquele pôster e quis pra mim, na hora (só não tinha coragem de tirar do mural). Ela teve. E naquele mesmo dia ele estava na porta do meu quarto.

Há alguns dias acabei prestando atençao nele de novo. E reparei como ele não vale mais nada... Que incrível, não? Tem tudo a ver com o assunto.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Em Silverstone, um olhar sobre o passado

Talvez fosse o momento de Max Mosley ser menos “max”


Silverstone, como muitos sabem, é a pista onde a F-1 começou. Onde, em 13 de maio de 1950, pilotos e equipes resolveram oficializar e organizar suas vontades de correr e preparar carros. Sem estrutura, sem segurança, sem (muito) dinheiro, muita gente sujou a mão de graxa. Muita gente perdeu a vida enquanto a F-1 se desenvolvia para tornar-se a categoria de carros de corrida mais conhecida em todo o mundo.

Quase sessenta anos depois, esses valores fundamentais parecem ter sido esquecidos. A Fórmula 1 hoje tem ares profissionais, é bilionária, é lucrativa e envolve milhões de pessoas, empregos e desejos. Mobiliza fãs ao redor do planeta. Não é de se admirar, portanto, que alguns nomes envolvidos na organização da categoria comecem a perder a razão. Talvez seja o caso de Max Mosley.

O presidente da FIA está no cargo desde 1991. Ajudou muito, tornou a F-1 uma categoria mais globalizada. Sua missão: aumentar a segurança e levar ao máximo a eterna busca pela competitividade, que parecia ter sido perdida com o exponencial crescimento da tecnologia. A F-1 de hoje faz aqueles tempos de Senna, Prost e Mansell parecerem uma categoria amadora.
De 2008 pra cá, Mosley colocou na cabeça que também deveria lutar na redução de custos. Isso já vinha acontecendo, mas o que era uma saudável preocupação começou a se tornar uma obsessão com a crise financeira que teve início no fim do ano passado.

Basta ligar os pontos para ver onde estamos. Em um momento onde as corridas importam menos do que os comunicados da FIA; em uma realidade onde Emirados Árabes Unidos importam mais do que a Inglaterra; em um grid onde o que mais se discute é a legalidade de difusores.

Na busca por aumentar a popularidade da categoria, Mosley perdeu-se em algum lugar no meio do caminho. Hoje, o que se vê entre o público leigo é conhecimento sobre F-1. Mas confuso, nebuloso. A indecisão repele novos admiradores, afasta patrocinadores e não fecha negócios. Com a decisão da FOTA (associação das equipes de F-1) de criar uma categoria independente no ano que vem, a missão foi realizada: todo mundo fala sobre F-1, em qualquer bar, em todas as esquinas o assunto é esse.

Ironicamente, o anúncio do racha acontece no palco onde tudo começou. Será que não vale alguém parar de olhar para o próprio umbigo e ver que os dois lados têm que ceder?
Eu não acredito em racha. Tudo seguirá como antes. Mas eu acredito que essa chatíssima disputa política vai, sim, fazer com que cabeças rolem.

Eu já escolhi a minha. E você?

RETA OPOSTA

Barba, cabelo e bigode?

Barrichello saiu da Turquia dizendo que queria fazer o “hat trick” (pole, melhor volta e vitória, por aqui chamados de “barba, cabelo e bigode”) em Silverstone. A pouca barba que vimos foi a que ele deixou. E o cabelo, menos ainda...

Massa fino

Excelente prova de Felipe Massa, ganhando várias posições e cada vez mais mostrando que é o piloto número 1 da Ferrari, mesmo sem o título do ano passado.

Só mais uma...

Cléber Machado é uma pândega narrando F-1. Ele se diverte, comete erros hilários e cria suas próprias teorias. Na Inglaterra, a melhor foi dizer que existe uma “visão barricheliana” sobre as coisas. Como será essa visão?!

*coluna publicada em dia de corrida no site UOL Interpress Motor. Para ver as anteriores, clique aqui.

sábado, 20 de junho de 2009

(Mais) Rabiscos de um
caderno da faculdade


Lembra daquele post? Pois é. Peguei mais do mesmo caderno. As mini-poesias abaixo são diversas. Básicas, complexas, com rimas óbvias e não. Mas todas têm um tema macabro em comum (acho que não estava num dia bom). São de 1999.

Curtam.


Curtas e (não tão) boas

Como em uma brisa, a vida passa
Como em uma folha que voa alto
Como em um relógio que nunca para
O tempo que sempre ruge
Implacável pra todos nós
Ataca quando quer, se deseja

#

Tal qual o grito, tal qual silêncio
Tal qual euforia, tal qual tormento
Tal qual certeza, tal qual lamento
Tal qual eterno, tal qual momento

#

Quem sabe um dia, mais alegria
Mais vida
No lugar da morte,
Mais sorte.
A amargura, feiúra,
O divino, a cura.
Milagre, eterno.
É terno.
Eterna idade,
A felicidade...edaduas

#

Como um rival que nunca desiste,
Como um pedestre que nunca para,
O televisor que sempre se assiste.
Como uma flecha que sempre voa,
Um sino que sempre sôa.
Como um barulho que ensurdece,
A beleza enaltece.
A tristeza em profundezas,
As dúvidas e certezas,
As dúvidas são várias,
As certezas, porém,
Limitam-se a uma:
Ela sempre vem.

#

Ataca a todos,
Como nunca se viu,
E ainda hoje,
Sinto frio,
Quando vem um arrepio
E me lembro:
"Ayrton Senna do Brasil"

quinta-feira, 18 de junho de 2009

De médico, jornalista e louco, todo mundo tem um pouco



Não gosto de entrar nessas questões políticas, mas aqui faço questão de deixar minha opinião. Sobre a recente decisão de não obrigar o diploma de jornalista para exercer o cargo, digo: sou contra.

A decisão do governo apenas banaliza mais a profissão, fazendo com que qualquer apresentadora modelo, blogueiro ou gari possa roubar a posição de alguém que estudou pra isso. Assim, gastei quatro anos da minha faculdade para nada. Torrei o dinheiro e joguei no lixo.

Não atuo como jornalista na imprensa diretamente, mas ainda assim acho um desrespeito com a classe. Aliás, que classe? Afinal de contas, agora qualquer pessoa é jornalista. Como muitos especialistas dizem por aí, a profissão deve ser extinta.

Não aprendi a escrever na faculdade. Melhorei minhas técnicas lá. Lamentável, portanto. Se soubesse disso, teria feito biblioteconomia, oceanografia, hotelaria, etc. Pelo menos ali o diploma é obrigatório.

Rabiscos


E vamos nós com mais uma sessão nostalgia. Esta aqui não tem data. Imagino que foi escrito em 2003 ou 2004. Não tem fim, como várias. Mas quem disse que elas devem ter?

"Quando nós sabemos quando o amor de nossas vidas passou? Como saber se aquele é realmente o amor que va mudar a sua vida? Como partir um coração sem conquistar um outro?

São perguntas que me afligem tanto quanto uma carteira roubada. Tanto quanto uma família distante. As que não deixam eu dormir. Mesmo com os outros, mas sozinho é pior. Simplesmente não sai da minha cabeça a dúvida que atormenta. Será a primeira, segunda ou uma incógnita?

Enquanto as perguntas seguem não respondidas, o tempo passa. Mas, antes de ir, deixa novas e inusitadas questões. Ser feliz, bem sucedido só não basta. É preciso saber o que dizer.

Bom almoço."

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dá-lhe Junior...

Ultimamente tenho encontrado o Junior com certa frequência. Depois do lançamento do Nokia 5800 Comes With Music, agora ele foi protagonista no pocket show de sua nova banda, Nove Mil Anjos, durante o lançamento do Nokia 5130 9MA, celular com conteúdo do grupo...

domingo, 14 de junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Conversa de elevador

Na sala de espera do médico, hoje de manhã, com a recepcionista. Enquanto preenchia a ficha, eis que a moça puxa conversa:

- Muito frio lá fora?
- Sim, bastante. Mas eu gosto de frio, né, então pra mim não incomoda.
- É, eu também gosto. De vez em quando...
- Bom, eu na verdade gosto bastante. Parte da minha família mora na Serra Gaúcha.
- Ah tá, lá é quentinho, né?
- ...
- Quem mora em praia gosta mesmo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Telefônica fora do ar, e ninguém fala nada*?


Telefônica e Speedy fora do ar por São Paulo toda e ninguém noticia. Só mesmo o Teremos... para dar este furo em primeira mão! A imprensa não é mais a mesma...

Update: agora pouco recebi um informativo de imprensa da Anatel dizendo que será feita investigação sobre os problemas ocorridos hoje.

*post em homenagem a J.E)

domingo, 7 de junho de 2009

O poder de influência de cada um*

Mas Mosley devia ouvir mais pilotos e equipes - as estrelas de verdade

Jenson Button era apenas mais um nome na Fórmula 1 até 2008. Tinha só uma vitória na F-1 e poucas pessoas (por mais frio que isso possa soar), mesmo entre os especialistas, lembravam da sua existência na categoria. Hoje, o piloto inglês cada vez mais desponta como o campeão mundial do ano, já fazendo história. Venceu seis das sete primeiras corridas e só não leva o título se algo muito, muito improvável acontecer.

O caminho que vai tomando o campeonato é uma ducha de água fria na FIA, que queria usar o número de vitórias como principal critério para definir a disputa. A regra não valeu em cima da hora, muito devido aos pilotos e equipes, que foram totalmente contra. Contrariados ou não, os executivos hoje certamente agradecem a esse grupo, ou o campeonato estaria ainda mais previsível do que já está. E a pergunta que fica é: será que os comissários e executivos que controlam a F-1 não deviam ouvir esses “especialistas” novamente?

Max Mosley assumiu a Fórmula 1 em outra época. Era 1991, e seu antecessor, dos mais impopulares em terras brasileiras – creio que muitos lembram do nome Jean Marie Balestre. Sim, esse nome que pra uma geração tornou-se sinônimo de vilão, de inimigo. Balestre tinha muitos e numerosos defeitos, mas ele certamente sabia que não deveria aparecer mais do que a categoria.

Não parece ser o caso de Mosley, que insiste em brigar até o fim com as equipes. Agora, os pilotos se solidarizaram aos seus times. De um lado, FIA, Williams e Force India. De outro, todo o resto. E parecem testar a paciência de todos para ver se realmente é possível haver um racha na F-1. E isso não será bom pra ninguém, como já se viu com a Indy, IRL, Fórmula Mundial, Champ Car – ou como queiram chamar.

Talvez seja hora da FIA perceber que ela sozinha não brilha. E que existem outras formas de controlar os custos da F-1 sem contrariar todo mundo. O campeonato deste ano já está surreal e, muito em breve, terá o campeão mais precoce de ume temporada. Imaginem como será com Lola, USF1 e Force India como protagonistas.

RETA OPOSTA

A insana briga pela audiência...

...leva a emissora que transmite a F-1 no Brasil a dar uma ridícula aura de “mestre turco” a Felipe Massa. O piloto jamais prometeu nada, fez o máximo que conseguiria com a limitada Ferrari. Mas em vinhetas e chamadas, a TV ressalta que Massa é um completo especialista no circuito. Pode até ser, mas só isso não ganha corrida. Precisa de carro, como Jenson Button está provando perfeitamente este ano.

Está começando a ficar chato

Jenson Button vencendo todas até lembra outro inglês, em uma das temporadas mais chatas dos anos 1990: Nigel Mansell, em 1992. Aliás, o companheiro dele na época era o recordista no número de corridas na F-1 (Riccardo Patrese). Coincidência?

Cadê o Rubinho?

Não sei de quem foi a culpa na largada ruim de Barrichello, mas ficou claro que as tentativas de ultrapassagens do brasileiro durante a corrida que o levaram para o fim do grid (em Kövalainen e Sutil) foram claramente decisões precipitadas do piloto. Faltou maturidade aí (por incrível que pareça).

Superinteressante

A edição deste mês da revista da Abril traz um “e se Senna não tivesse morrido?”. Convido a quem quiser ler a reportagem e comentar comigo o que acham.

*coluna publicada em dia de corrida no site UOL Interpress Motor. Para ver as anteriores, clique aqui.