sexta-feira, 27 de junho de 2008

Um pouco do meu trabalho



Não costumo falar muito do trabalho aqui, mas esse dia foi peculiar: a foto acima mostra 10 modelos Nokia N95 8GB e outros dez N78, ambos lançamentos que chegam às lojas até o fim do mês. Estavam na minha mesa para um evento que aconteceria na manhã seguinte. Detalhe: cada aparelho custa, em média, R$ 2 mil. Olhando todos assim, meio jogados, eles até perdem o encanto que exaltam quando estão na vitrine...

Ah sim, como saber que é realmente minha mesa? A foto dentro da foto, bem no alto da imagem, revela...:-)

domingo, 15 de junho de 2008

Solteiro e feliz?

Os tradicionais cabides...Individualidade acima de tudo!

Ontem, tive uma tarde maravilhosa com uma amiga muito especial. Hoje, um amigo meu me manda a notícia que você pode acessar aqui. Na entrevista, no site da Veja, o psiquiatra Flávio Gikovate diz que é perfeitamente possível - e até mais fácil - ser feliz sozinho, em especial, solteiro.

Segundo o especialista, na ânsia de agradar aos parceiros, as pessoas acabam abrindo mão de suas individualidades - e é aí que mora o perigo. A partir do momento em que cada um começa a querer agradar o outro, é o começo do fim. Enquanto isso, para os solteiros, ainda segundo ele, resta sonhar com os momentos românticos que vemos em filmes e lemos em livros. Ou escrever poesias no blog...

O negócio todo é que o romantismo, creio, mudou muito, assim como nossa vida é bastante diferente da vida que nossos pais levavam. Que me desculpem o Fábio Júnior e os românticos ortodoxos (e eu já fui um), mas não acredito há muito tempo em "metades da laranja, dois amantes, dois irmãos".

São dois indivíduos completos, que se gostam, se aceitam e sabem respeitar o espaço de cada um. Se tentarem tirar minha individualidade, é melhor nem começar.
Para quem não acessou o link por preguiça, aqui está um trecho que achei polêmico e interessante, respondido sobre quais dicas daria para jovens começando na vida amorosa:

“É preciso que o jovem entenda que o amor romântico, apesar de aparecer o tempo todo nos filmes, romances e novelas, está com os dias contados. Esse amor, que nasceu no século XIX com a revolução industrial, tem um caráter muito possessivo. Segundo esse ideal, duas pessoas que se amam devem estar juntas em todos os seus momentos livres, o que é uma afronta à individualidade. O mundo mudou muito desde então. É só olhar como vivem as viúvas. Estão todas felizes da vida. Contudo, como muitos jovens ainda sonham com esse amor romântico, casam-se, separam-se e casam-se de novo, várias vezes, até aprender essa lição. Se é que aprendem. Se um jovem já tem a noção de não precisa se casar par ser feliz, ele pulará todas essas etapas que provocam sofrimento.”

E você, o que acha?

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Carta ou carteira de motorista?

É hora de mais uma enquete pertinente aqui no Teremos Coisas Bonitas pra Contar. Anteriormente, já questionamos a você, caro leitor, se é a mousse ou o mousse (relembre, ou veja pela primeira vez, aqui).

Agora me responda: é carta de motorista ou carteira de motorista? Obviamente que sabemos qual a forma correta. O objetivo aqui, no entanto, é saber o que a maioria diz. Eu, por exemplo, digo "carta". Está errado? Sim, mas sempre foi assim que falei.

E você?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

De Zero a Cem

Acredito ainda, ando ansioso, achando amigos, amando anomalias
Busco belezas, batalho bocas batidas
Com certeza, canto corações, colorindo cada canto com cores combalidas
Dulcíssimas, doutrinam dós, desejam dedos delicados
Esperando e evitando, em êxtase e entretidas,
Fogem, ficando feio, famintos favelados.
Guardei gestos, geri ganâncias, ganhando guetos.
Há horas,
Indo indiscreto, incerto
Jogando juventude, jornalismo jovial
Louvei luvas lesadas, lesei louças lânguidas
Me manejo, minutos me matam, moças me marcam
Na natureza neutra, na noite, no Natal
Organizei o ouro, o obtive ornando olhares
Peguei pneumonia, passei por pestes. Pisei pensando: “pouco, posso postergar”
Queria querer, quis quorum
Rezei rituais, reagi ríspido, remendando rusgas retomadas
Sofri. Sinto, só saberia subir sendo sincero, silenciosamente sincero.
Tive turvas testemunhas, tive tanto tropeço... Tolo; também tive toda ternura
Uni universos. Um único unicórnio, uníssono, untei
Venci. Vitorioso, venerei valores vitais: vida, vazão, virtudes, vertentes. Virei e

...Zás, zarpei.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Gustavo: Chama a Denise!

E aqui está o vídeo que muitos esperavam: Anão, o Thiago Zampa, sem voz, tentando impedir o Saci (Gustavo) de limpar o quarto. Algumas observações, no entanto, fazem-se necessárias:

- Quem diabos é a Denise clamada??
- Qual a razão do último "Gustavo" dito pelo Anão ter saído com sotaque italiano?
- A cara do protagonista no segundo final do vídeo é a melhor!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

No coração da Vila Madalena

Alguém sabe me dizer o que diabos significa falar que algo está no "coração"? Sim, talvez isso significasse algo no passado, em que retratava-se o ápice, o cume, o centro, o sistema nervoso, a raíz ou o núcleo de algo durante uma frase.

Só que a indústria publicitária (e principalmente no ramo imobiliário) resolveu usar a expressão a torto e a direito (ok, essa é velha, eu sei).

"A apenas cinco minutos do Rodoanel, no coração da Granja Viana"

"Ao lado do sacolão, no coração da Vila Sônia"

"Em Brasília, coração do nosso executivo, legislativo e judiciário"

Algumas expressões ou palavras tornam-se tão usadas por uma geração ou por um curto período que ganham um status de abomináveis. Globalização, segura o tchan, tá tudo dominado e sustentabilidade são algumas. "No coração" ainda é bonito. Faço aqui um apelo para que as pessoas usem menos, visando preservar a expressão.

Quem fizer isso, estará no meu... ah, vocês sabem.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Confissão marcada

Quero ver filmes sem chorar em todo final
Quero parar de imaginar sorrisos
Quero sentir o frio na barriga
Quero abraçar com entusiasmo imoral
Quero voltar a ter uma amiga
Quero amor sem final

Quero tanto me apaixonar

Quero dividir meus momentos
Quero parar de procurar
Quero saber de seus problemas
Quero esquecer os meus dilemas
Quero sorrir de tanto amar

Quero receber um olhar
Quero ter o melhor medo do mundo
Quero um destino vagabundo
Unido ao meu sonhar
Quero dividir e somar
Quero tudo, quero inteiro
Quero sonho, quero cheiro
Quero multiplicar

Quero a vida, quero família
Quero sonhos sem perdão
Quero a falta de inibição
Quero criar mais uma trilha
Quero ouvir o seu sorriso
Escutar o seu olhar
Quero um beijo demorado
Quero lento e sem aviso
Quero ser um namorado

Quero tanto me apaixonar
Quero ser uma criança
Sorrir e bajular
Quero jogo, quero dança
Quero um pouco de esperança
Quero mais que uma aposta
Quero apenas a lembrança
Quero apenas a resposta

De quem tanto quer amar

domingo, 11 de maio de 2008

Cruzando a Ponte Estaiada pela primeira vez

Gravação do momento em que passamos a nova ponte pela primeira vez, na madrugada de estréia, voltando da balada, na agradável companhia de Iza e Alê (aliás, este momento foi melhor que toda a balada).


sexta-feira, 9 de maio de 2008

Placas Interessantes III

Outro dia vi um post muito interessante no blog Rancorizando (aliás, vale a visita) sobre placas engraçadas. Aproveito o gancho e adiciono uma que vi na Argentina, indo na mesma linha das placas citadas pelo Rancor.

No blog citado, havia legendas curiosas para as imagens. Alguém tem uma legenda interessante para esta placa? Eu até tenho, mas não quero influenciá-los...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O fim apropriado na cobertura do caso "da menina Isabella"


Ontem a Rede Globo encerrou (espero) com chave de “ouro” o irritante, exaustivo e repetitivo caso Isabella. Durante a transmissão da partida entre São Paulo e Atlético Nacional pela Copa Santander Libertadores, a emissora decidiu interromper completamente a transmissão do jogo para exibir imagens dos pais da menina sendo levados para a delegacia. Imagens de um camburão, no escuro, com centenas de desocupados na rua, em uma noite fria, bradando os previsíveis gritos de “assassino” e outros insultos.

Como uma deliciosa ironia, saiu um gol do São Paulo justamente durante a transmissão interrompida. Sendo assim, para quem não possui o canal pago SporTV, a única opção foi escutar o gol do São Paulo pelo rádio, já que nem isso sensibilizou a emissora carioca a, pelo menos, exibir a tela dividia em duas. Não, o caso “da menina Isabella” recebeu atenção total, com menosprezo aos telespectadores que deixaram de comprar ingressos para o Morumbi, buscando assistir à partida no conforto de seu lar (acredito que é natural para todos que não estou comparando a importância de uma partida de futebol com um assassinato, ok? A questão aqui é outra).

Torço para que o acontecimento de ontem - como mencionei na primeira linha - tenha sido ao menos o primeiro passo rumo ao fim dessa gananciosa e mesquinha denominada “cobertura jornalística”. Todas as emissoras usaram e abusaram de um caso trágico. O que era no início, sim, prestação de serviços, tornou-se um martírio diário nas TVs, revistas e jornais. Ao ponto da própria Globo, com seu famoso “padrão de qualidade” (sic), dedicar uma manhã inteira ao caso, sem intervalos comerciais, algo que ela nunca havia feito.

Para encerrar o assunto, creio que a atitude da Globo ontem foi apenas o complemento disso tudo. Afinal, um acontecimento que é levado ao extremo desde o início só poderia se encerrar de forma errônea e exacerbada mais uma vez: com desrespeito ao telespectador, com exagero, inutilidade e exploração barata.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Amando Buenos Aires e São Paulo

Quem é usuário regular ou antigo deste blog, sabe que eu já falei muito das minhas viagens regulares a Buenos Aires. A quinta vez (quarta em três anos), que se encerrou no último fim-de-semana, não foi diferente: cidade encantadora, hospitalidade, caminhadas, calçadas largas e algumas compras. A única mudança foi em relação ao frio, deliciosamente mais marcante que das outras vezes (mas ainda assim, muito agradável).

Em todas as vezes que estive lá, sempre aconteceu o mesmo processo, algo que eu chamo de “efeito revolta Buenos Aires” (não encontrei nome melhor). Revolta, sempre devido ao mesmo motivo: por que as coisas funcionam por lá, um país também em desenvolvimento e com problemas até mais sérios do que o Brasil? Quando me refiro a “coisas”, falo mais da cultura das pessoas, em especial.

Andar em Buenos Aires é saborear um pouco da história da Argentina. Monumentos enormes ou pequenos, estão sempre lá para registrar e eternizar os nomes e momentos que mais marcaram as conquistas portenhas. Mesmo os mais distraídos ou desinteressados trombam com praças como “Homenagem À Comunidade Croata” ou coisas do tipo. Avenidas largas, planejadas, ruas que não precisam mudar de nome a cada quatro quadras em tributo às pessoas (vide a Av. Cidade Jardim, que é Tajurás, São Valério, Augusta, Colômbia, etc). Lá, as pessoas recebem estátuas e praças. Aqui, recebem nomes de rua.

“Se fosse em São Paulo, essa praça estaria cheia de mendigos”. “Se fosse no centro de São Paulo, já teríamos sido assaltados”. “Em São Paulo teriam pichado tudo isso”. Essas eram frases comuns durante toda a viagem entre meus amigos e eu. Naturais, saíam até em tom jocoso. A comparação, infelizmente, era lamentável e quase sempre vitoriosa pra eles, denegrindo ou diminuindo nossa própria cidade. São Paulo cresceu e se tornou a maior cidade do país de forma desordenada e caótica. Hoje, imagino que 90% do que é gasto por aqui é emergencial, urgente e, na melhor das hipóteses, necessário há muitos anos.

Mas, como nem tudo é eterno, regressei. E, no caminho pra casa, esse "efeito revolta" começa aos poucos a se dissipar em nosso ar poluído. Já era madrugada e, sem trânsito e no escuro, a cidade aparecia diante dos meus olhos muito mais bela do que realmente é. Foi possível vislumbrar a beleza dos jardins com paisagismos próximos às marginais, dos enormes viadutos e passarelas que preenchem quarteirões paulistanos, do asfalto renovado e prédios colossais em construção. Os olhos miram e a mente se encanta com o que é nosso. Também temos a nossa beleza, é verdade.

Mas as horas passaram, o dia clareou e trouxe com ele as pichações, o trânsito e a desorganização tão nossa. De volta a São Paulo, hoje já estou imerso no frenético dia-a-dia da nossa capital como se daqui nunca tivesse saído. A viagem parece uma lembrança distante e o que preenche meus pensamentos são afazeres do trabalho e músicas que ouvi no caminho. Inebriado no genioso ar paulistano, começo a fazer as contas para a próxima visita a Buenos Aires

A paixão não necessita explicações.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Escrevendo sobre a Amazônia + curtas

No fim-de-semana a seguir entrego minha mais recente contribuição para a Mundo Estranho, da Abril. Para quem não sabe, por lá apareço de vez em quando, falando sobre absolutamente todo e qualquer tema que desperte a curiosidade humana.

Talvez a matéria mais difícil que já tenha feito para eles (junto com aquela antiga do ano do nascimento de Cristo), a idéia agora é falar se algum dia a Floresta Amazônica poderá se tornar um deserto.

Polêmicas, polêmicas, polêmicas. Por todos os lados. Mas conseguimos montar uma teoria bem interessante, e acho que teremos algo, literalmente, muito bonito. Sai em junho. Claro, até lá todos vocês já esqueceram, mas eu provavelmente falarei sobre ela (a matéria) de novo.

E as Curtas

Alguém mais assiste Two and a Half Men, pela Warner? A série já está no ar há algum tempo, mas só a peguei agora. Eles passam reprises duas vezes por dia, das 19h às 20h, de segunda a sexta. Viciei.

Em breve começo a colaborar com um blog sobre séries de TV, do jornal O Globo. Quando sair o primeiro post de minha autoria, aviso!

Como é bom conhecer novas pessoas, ainda mais quando são pessoas inteligentes e com ótimas conversas. Espero que se tornem amizades duradouras.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Da série "poesias antigas"

Quando falta o tempo para postar coisas "novas", nada como recorrer ao consideravelmente grande acervo de minha memória virtual. Este poema aqui vale mais pelo contexto do que pela qualidade em si. Ele foi escrito em dezembro de 2000, no meu primeiro dia de trabalho. A empresa, multinacional, eu de gravata, recém-chegado aos 20 anos.

Para mim, um mundo totalmente novo se abriu naqueles vastos corredores onde pessoas passavam apressadas e quase não me notavam. Enquanto o responsável pelo início do meu treinamento não chegava, abri o Word e comecei a escrever o que pensava naquele momento, fim da manhã. As linhas, na íntegra (incluindo os erros, que peço para relevarem), vocês conferem aqui. E nossa história não estará, pelo avesso assim, sem final feliz.

Afinal, quem não se lembra do seu primeiro dia de trabalho?

Obs.: A árvore abaixo também faz parte do texto. Enquanto as palavras não vinham, mexi nos cliparts disponíveis e esse acabou ficando pra história. Enjoy!












"Estou simplesmente afim de digitar por isso resolvi começar,. Bem, esse teclado é um tanto quanto diferente do meu, por isso vou levar um tempo até quer me costume as diferetes teclas que ele possui, como por exemplo, a letra “ç” (, sim, com cedilha) ela pssoui um tscrla só pra erla, assim como o botão do acento, e ah, o botão to tiu tbm mudou de lugar! Vou escrever umas palavra com tiu só pra testra... se bem que eu já escrevi uma agora oouco e esqueci o tiu... mas rudo bem, eu vou lembrar: amanhã... o tiu agora é no lugar do acente antigo, e o acente é do lado do \p... acho que não tinha tecla lá entes... o dois pontos foi pra baixo, está do lado da interrogação, que coisa , não????

Até que este texto está fcando legal;... fico sem tyer o que fazetr por um bom tempo,mse mtreinamento, sem trabalho, sem cursos, e sem \(muita) ajuda.... as pessoas aqui até que tentam me ajudar, mas elas tbm tem mais o que fazer (trabalhar) e não podem ficar a manhainteira comigo....pwelo menos agora eu tenho o computador pra ficar brincando, o aprwendendo algumas coisas... nmas tbm naio posso entrar na net pq na estou “logado”...
Ah! Faz tempo que não faço uma poesia por isso vou fazeruma agora.... nem me lembro se alguma vez já fiz algum pelo computador diretamente mas vou tentar... lá vai:


Começo da vida

Terno,
Gravata,
Atraso
Sujeira
Dinheiro.
Acorda,
Desperta,
Se molha
Se mata
Comida
inteiro.
Caos,
Maus,
Atraso
Total
Horário
Correndo
O dia nascendo...
Barulho,
Teclado
Letras
Contato
Chefe
No ato
Voz
Sós...
Envio
Recebo
e-mail..
saída
lotada
tomada
manobra
espera
derrapa
escorrega
embora
avenida
farol
sol
sem ar
sonhar...
casa
comida
amigo
garota
comida
garota
sossego
espera
outro dia
na torcida...
o começo
da vida....
LBA 05/12/2000 11:51"

terça-feira, 15 de abril de 2008

A velha postura da imprensa brasileira

Que fique bem claro, o sentimento abaixo não tem relação com o terrível fato que originou o sentimento aqui descrito.

A imprensa brasileira, seja televisiva, online ou escrita, abusa da paciência de todos nós, receptores. Informar é importante, tocar no assunto mais de uma vez é necessário em alguns casos. Porém, informação demais sobre o mesmo tema é uma neurose, é enlouquecedor, é massante. Irritante, diria.

A razão disso, em especial, vem com o caso da menina Isabella. Mas poderia ser com qualquer outro. No acidente da TAM recentemente, nunca se falou tanto sobre manivelas de aviões. De repente, todos apareceram na TV, sites e afins, pronunciando gírias, expressões alusivas somente a quem está no meio da aviação.

Veja bem, é importante que o público possa saber qual foi a causa do acidente, quem foi o assassino, qual a sentença dada, alguns detalhes, entre outras informações. Não sou contra isso. Sou contra a overdose, o cansaço, a repetição de detalhes, a informação inútil. Sou contra o repórter ficar em frente ao local apenas para dizer que o movimento ali "está tranquilo neste fim de noite". Sou contra a superexposição das mesmas coisas, os aproveitadores que em nada contribuem.

Alguém já pensou o quão difícil é para familiares da menina (e não me refiro aos pais, mas a outros que a amavam) ligar a televisão, abrir o jornal, a revista, acessar a Internet e sempre dar de cara com a tortura de ver um caso se arrastando, com relatórios atualizados sobre quais os chinelos calçados na hora do crime? Pessoalmente, isso são informações úteis apenas para os envolvidos na resolução do caso - ou seja, a polícia.

O UOL, como bem notaram algumas pessoas, outro dia postou um "álbum de fotos" com os últimos momentos de Isabella antes de morrer, no supermercado. Ora, qual a informação nisso?! Qual a prestação de serviço, premissa básica do jornalismo?

Já o jornal "Folha de S. Paulo" publica matéria dizendo que agora até as crianças começam a comentar o suposto crime cometido. Ora, mas é impossível que elas não entrem no assunto, já que todo e qualquer meio de comunicação se sustenta no mesmo assunto por semanas a fio.

Produzimos neste começo de século mais informação do que nos últimos 40 anos. Infelizmente, porém, não há uma seleção do que é bom ou não. A grande questão é: será que queríamos um mundo assim, tão informativo?

domingo, 6 de abril de 2008

Os 50 anos da Kombi

Apareceu uma na sua frente? Mude logo de faixa. Dá azar ficar atrás de Kombi.

Você já parou pra pensar em quantas Kombi novas você vê ao longo do ano? Nenhuma. Mas, acredite se quiser, a Kombi ainda é fabricada. Então onde estão os modelos com cheiro de carro novo, brilhando e com motores bem regulados? Este veículo em formato de pão de forma, que já simbolizou tanto para diversas gerações, sobreviveu ao tempo e ainda infesta nossas ruas todos os dias. Aparentemente, alguém na Volkswagen esqueceu de avisar a divisão de montagem da Kombi que eles podiam parar. Então, eles continuam. Simples assim.

A Kombi fez 50 anos. Há motivos para comemorar. É o primeiro carro produzido no Brasil. Note: o primeiro, mas ainda é produzido. Como resultado, ao contrários de seus contemporâneos originais, caso do Fusca e do Karmann Ghia, a Kombi não fez questão nenhuma de tornar-se um objeto de colecionador e decorar museus de carros e memórias dos mais antigos. Claro, trata-se de um carro que, desde seus primórdios teve como função básica o transporte de "muita", de uma vez só - seja esse "muita" relativo à pessoas, materiais, equipamentos, suprimentos e o que mais a imaginação do dono permitir.

O que me intriga mais, porém, é a questão das Kombi vistas por aí serem sempre velhas. Talvez seja por esse motivo que a expressão “Kombi velha” tornou-se quase um pleonasmo. Será que elas saem de fábrica aos pedaços, assim ficam mais baratas (uma Kombi nova hoje custa cerca de R$ 35 mil)? Afinal, é golpe de sorte, quase uma loteria, achar este modelo em bom estado trafegando por alguma via. E, claro, como estamos falando de um carro velho (e não “antigo”), ele também é lento. E sujo. Tem setas quebradas e é pilotado, comumente, pelos menos atentos e preparados motoristas que já foram honrados com uma habilitação – geralmente vencida ou comprada.

Deixei para escrever isso somente neste ano de "celebração". Mas já há alguns anos que eu desenvolvi a teoria de que, quase sempre, a razão do trânsito ruim é uma Kombi velha. Partindo deste princípio, decidi que jamais, enquanto estivesse com um carro em mãos, ficaria atrás de uma Kombi.
Dá azar.

E note: a lei de Murphy, tão famosa em nosso cotidiano viário, nem mesmo ela consegue vencer o poder de uma Kombi em frangalhos. Sendo assim, quando vir uma Kombi na faixa da esquerda, por exemplo, mesmo estando a faixa mais vazia e aparentemente mais rápida que a da direita, não se deixe enganar: a faixa da Kombi irá sucumbir. A sensação de vitória pode durar alguns segundos, mas é questão de tempo. A Kombi velha fará alguma conversão proibida e causará um buzinaço coletivo, ficará com a segunda marcha “engripada” por preciosos segundos – aqueles que farão a diferença entre o sucesso ou fracasso do seu compromisso posterior - , ou simplesmente resolverá pedir arrego, soltando o famoso monóxido de carbono atmosfera – e seu nariz – afora.

Para você, sobra mudar de faixa, vendo a Kombi carregadas de madeiras, com a pintura oxidada e adesivos constrangedores como “Nois na frita” parada, enquanto os motoristas dela saem para verificar o motor e tentar mais alguma “gambiarra”, que resolverá o problema - por mais 40 minutos, até a mesma coisa acontecer.

A Kombi que um dia já foi - Na minha família, reza uma lenda de que um dos meus tios, hoje um empresário bem-sucedido, atravessou as Américas numa Kombi. Ambientada nos loucos anos 70, essa aventura deve ter sido única. Afinal, naquela época, ouvir o som do motor de uma Kombi não era sinal de que havia algo errado no trânsito. Era até romântico ter uma Kombi colorida e grafitada com símbolos da época. Havia toda uma aura mística em torno deste carro cinqüentenário. Infelizmente, ele não parou no seu auge, como deveriam fazer tantos jogadores de futebol. O resultado? Toda essa seara foi tragada pelo papel arranca-toco e quebra-galho que o carro cumpre hoje.

Talvez a Volkswagen devesse aprender com Fidel Castro - até ele, que assumiu quase no mesmo ano do nascimento da Kombi, já pediu arrego. Sim, sabemos que sempre existirão novas “Kombis”, mascaradas por outros nomes e marcas distintas. Mas talvez fosse hora de colaborar com o aquecimento global e dar ao velho pão de forma o merecido descanso. O trânsito nosso de cada dia agradece.
O vi(o)lão dos músicos II

Déjà Vu: Nem dois instrumentos ( um deles um Fender) foram suficientes para vencer aquele inferno eletrônico

sábado, 29 de março de 2008

Ainda sobre Balestre (e como estamos ficando velhos...)

Em tempo: na última sexta-feira, quando soube da morte do ex-dirigente, comentei com a primeira pessoa ao lado, no caso, o estagiário do time de Nokia. Pois não é que ele não sabia quem era o Balestre? Mais do que isso, ele sequer sabia de todo o episódio de Suzuka, e da batida entre Senna e Prost, ou mesmo quantos títulos Ayrton detinha.

Tive (imaginem se não gostei) de dar uma rápida aula sobre a F-1 da época, quem era quem e o que tinha ocorrido na mencionada corrida do Japão. O rapaz ficou até interessado. Mas me chocava ver sua reação ao me ouvir - ele realmente estava sabendo daquilo pela primeira vez!

O pior foi constatar que o motivo da ignorância não era falta de cultura ou esquecimento. Ele simplesmente desconhecia a história pois tinha apenas três anos quando ela aconteceu....
Jean Marie Balestre (1921-2008)

Morreu aos 86 anos Jean Marie Balestre, ex-presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Mas isso você encontra com mais informações em diversos portais de notícia. O objetivo deste blog, afinal, não é informar, mas sim registrar.

Esse senhor nascido na França, sempre com uma cara rabugenta e com óculos garrafais, foi a primeira pessoa que eu me lembro de odiar. A palavra é forte, sei disso. Mas na infância tudo ocorre de forma superlativa, autêntica e sem preconceitos. Balestre, para os que não sabem, foi o maior inimigo que Ayrton Senna teve na Fórmula 1. Muito além de Prost, Mansell ou Schumacher, apenas rivais na pista.

Em 1989, então com nove anos, descobri, graças ao citado falecido, que as pessoas eram manipuladoras. E muito. Àquela época, Fórmula 1 era tudo pra mim. Acompanhava as corridas, como faço hoje, mas com muito mais paixão. Claro, além do fato do Brasil ser então dignamente representado (bons tempos), a idade contribuía para que aquilo ganhasse tons ainda mais lúdicos para mim.

Foi com a Fórmula 1 que passei as primeiras madrugadas propositadamente acordado, desde os seis anos, quando havia corridas na Austrália e no Japão. Em 88, assisti e gravei, no revolucionário e cheirando a novo videocassete, a vitória que deu o título de Ayrton - sempre ao lado do meu pai.

E, em 1989, vi aquela sujeira feita por Alain Prost, também ao vivo - para os mais jovens ou desmemoriados, vejam o resumo da corrida aqui. Diga-se, a sujeira maior não foi de Prost, que fechou a porta buscando causar o fim da corrida e seu eventual título. A verdadeira manobra ilegal ocorreu nos bastidores, entre os "homens de terno e gravata", como dizia Galvão Bueno à época.

Balestre desclassificou Senna da corrida por ter cortado caminho pela chicane após a batida com Prost. Um motivo pífio e ridículo, já que Senna claramente não levou vantagem nenhuma ao cortar a curva. Apenas foi empurrado pelos fiscais para não ocupar a pista enquanto estava parado - uma questão de segurança.

O presidente da FIA, porém, decidiu punir Senna mesmo assim. Lembro-me bem dos momentos que mostraram Senna impedido de subir ao pódio, resignado, olhando para o vazio. E de seu depoimento, na corrida da Austrália alguns dias depois, quando revelou ter considerado abandonar a carreira. Como resultado, o brasileiro não levou o título de 1989.

Mais do que isso, Ayrton foi obrigado a "reconhecer" seu erro, ou perderia os direitos de correr na F-1 em 1990. Ele correu, e foi campeão. Mas as consequências do ocorrido no Japão surtiram efeitos até para novas gerações - quem não se lembra de Schumacher em suas manobras para o desfecho do título, em 1994 e 97?

Jean Marie Balestre claramente usou seu poder para favorecer o compatriota Alain Prost. De uma certa forma, ele seguiu os passos de Prost, que tinha o apelido "professor". Balestre foi para mim um mestre. Me mostrou que existem pessoas no mundo que agem por interesses - e usam meios obscuros para atingir seus objetivos.

A lição foi aprendida. Que descanse em paz, Balestre. Você não fará falta.

domingo, 23 de março de 2008

Brasil, o País dos postes

Foto e efeito feitos por um Nokia N82. Local: Câmara Americana de Comércio

quarta-feira, 19 de março de 2008

Chaves - Terror na Vila

Não costumo dar muita atenção às edições que fazem do Chaves, normalmente sempre alusivas à drogas ou coisas do tipo, e com redublagens tosquíssimas. Mas essa que me mandaram vale muito a pena. Criado pelo usuário "Ramone66", do You Tube, o triste é que, como todo bom trailer, dá vontade de ver o "filme".