quarta-feira, 29 de abril de 2009

Frívolos dias*

Em poucas semanas, me envolvi na organização de duas festas para lançamento de celulares. Ambas, com celebridades ridículas ou interessantes (deixo para você julgar quais se encaixam em cada categoria). Como o momento é de um vazio literário, aproveito para postar quem por esses eventos passou.

Monique Evans e Ricardo Pereira


Carol Castro

Ex-BBB

Alguma ruiva. Quem sabe quem é?


Maryeva (a da Playboy) e o namorado


Alguma VJ da MTV


O cara do CQC (Gentile) e o Vesgo


Rodrigo Macedo, trade marketing da Nestlé


Pitty


Supla


Zezé di Camargo


Não faço a menor ideia de quem são esses


Arlindo Cruz, Paula Lima, Pitty, Marcelo D2 e João Gordo


Nando Reis


Cazé


Também não conheço. Fresno?


Sandy e Zezé


Episódios Perdidos


Fernando Thuler


João Gordo e o cara do Paralamas (o Herbert também foi)


Junior


Outros nomes que foram e não estão nas fotos: Camila Rodrigues, Herbert Vianna, Branco Mello, algum outro do Titãs e outras porção de BBBs.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sumiço


Ok gente, sei que ando meio sumido do blog. Acontece que dei uma cansada mesmo. Seria fácil dizer que estou trabalhando muito. De fato, tem bastante coisa rolando, mas não seria suficiente para me impedir de passar aqui de vez em quando. O sumiço deve-se a um esgotamento virtual.

Em alguns dias devo voltar com algo novo. Por enquanto, curtam os textos antigos (para quem não conhece) ou o resto da Internet mesmo.

Ah sim, tentei postar este texto do Microsoft Windows Live Writer, software gratuito para gerenciar blogs. Ficou horrível, desformatado e cheio de erros de acentuação. Não usem.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Sensação boa # 1


Estavam juntos há alguma horas apenas. Ela estava dormindo, ao seu lado. Ele, como sempre convivia bem com aquela dificuldade para descansar de fato. Aproveitou-se, então, para apenas observar sua amada enquanto ela repousava. Pensou, então, como estava feliz naquele momento, e como pouca coisa importava - ao menos, naquelas horas.

Era fácil encantar-se com seu olhar, descansado e fugitivo, sonolento e lépído.

Quando ela acordou, a conversa não demorou a surgir, animada. Falavam besteiras, davam de ombros e riam, enquanto olhavam para o teto sem ver nada. Pensavam bobagens, beijavam, liberavam-se de qualquer preconceito. Em suas mentes, tudo girava, nada ficava. Uma conjunção de bons fatores acometia o rapaz. Sua cabeça girava e sua boca teimava em balbuciar o que estava por dizer. Era o máximo que conseguia, mas tudo bem.

A paixão dos pequenos pecados diários se encarregaria de montar a redação de uma vida.

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Lei antifumo - já era hora

Gostei muito da lei antifumo que, parece, finalmente vai entrar em vigor. Com ela, cigarros, cachimbos e afins em locais fechados estão proibido. Claro, ainda vai levar um tempo pra isso pegar - 90 dias, na verdade -, mas eu já gostei.

Por que a lei é necessária? Porque falta bom senso. Tem gente que acha que está sendo gentil só pelo fato de não fumar durante as refeições. Peraí, gente! Se você quer soltar fumaça pela boca, que faça isso longe dos outros. Não fumar em restaurantes, bares e lanchonetes não é mais do que obrigação. Também é educação e respeito pelo direito do outro, que não é obrigado a aguentar uma pessoa fedendo tabaco do lado (isso sem nem entrar no mérito da saúde).

Eu imagino: será que vai acabar aquela volta de balada fedendo a cigarro dos pés à cabeça? Não se aproveita uma peça de roupa em situações desse tipo, nem que você fique sentado por 15 minutos no local. O cabelo, então? Cheira cigarro inteiramente. E, se você não tomar banho antes de dormir, o cheiro para no travesseiro. E aí já viu né? Travesseiro quer parece cinzeiro não rola.

Ponto pacífico: cigarro faz mal. Portanto, a lei ajuda a diminuir o hábito de fumar sim. Se você faz tanta questão de fumar com os amigos, pode fazer isso em casa, na rua, em um parque ou locais apropriados. Concordo que essa não deve ser a única - nem principal - maneira de combater o vício. Mas é um importante passo.

Agora, claro, nem tudo são flores. Se o cigarro faz mal, por que não impedir a fabricação dele? Primeiro, e principal: o governo ganha muito em impostos. Se não me engano, quase 70%. Então, claro, é interessante para o governo que o cigarro continue existindo, de certa forma.

Ainda tem muita coisa errada? Tem. A lei é perfeita? Não. Faltam vários detalhes para se resolver. Enquanto isso, ainda existem empresas onde o fumo é tolerado, como se estivéssemos parados nos anos 1970. Me lembram aquelas imagens das redações no filme Superman, em que o cigarro é um denominador comum em quase todas as mesas, juntamente com os cinzeiros.

O que você acha de tudo isso?

domingo, 5 de abril de 2009

CVV

Uma amiga minha muito especial me pediu para deixar aqui este vídeo. Achei a campanha muito bonita e a peça, muito bem feita (aliás, feita pela Leo Burnett, sem custos).

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Placas Interessantes IV



Um amigo meu voltou de uma viagem pela Tailândia e afins. Acima, imagem das placas que, agora, tornaram-se rotina nas redondezas: dicas de como fugir de tsunami e terremotos.

O local exato: cidade de Phuket, em Koh Phi Phi ("Koh" significa "ilha"). A locação foi usada para filmagem do longa A Praia, com o Leonardo di Caprio.

terça-feira, 31 de março de 2009

Nova coluna sobre F-1

Tem coluna nova minha sobre a polêmica abertura da temporada de F-1 lá no UOL Interpress Motor. Para acessar, cliquem aqui.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Gran(díssimo) Torino

É melhor não incomodar esse tipo de vizinho

Para as gerações mais novas (e eu me incluo aqui, de certa forma), falar em Clint Eastwood é lembrar de filmes western que ninguém hoje em dia vê ou, pensando nos dias atuais, filmes de ação com um tom "cabeça", diferentes de filmes de ação comuns feitos para arrecadar dinheiro - a maioria deles, com o ator atrás das câmeras.

Muita gente não viu, portanto, o veterano ator em filmes a la Clint Eastwood. E esse termo não tem explicação. Só assistindo para entender o que é ver Eastwood como ator em seus filmes de ação. Eu não peguei Clint no auge, mas já assisti alguns de seus clássicos, como Por uns Dólares a Mais ou Fuga de Alcatraz. Pois bem, voltei do cinema ontem e acabo de incluir Gran Torino entre eles.

Depois de um hiato de quatro anos, o veterano volta a atuar em frente às câmeras. E aí, no português, claro, o esquema é outro: o cara é foda! Clint dá um show de interpretação atuando do jeito que mais gosta. Durão mas fiel a sua idade, armado sempre que pode, com frases de impacto que soam perfeitas na voz rouca dele. Clint está armado e perigoso. O ator dá um show no papel de um velho ranzinza e norte-americano demais em meio a uma perigosa vizinhança de Michigan.

Em momentos como esse fica clara, claríssima, a diferença entre atores desse nível e charlatões menores, que se passam por atores de ação, mas são verdadeiros anjos pertos da interpretação de Clint. E o cara tem quase 80 anos!

Confesso que dois motivos me levaram a ver este filme no cinema: primeiramente, circula uma notícia de que este foi o último filme de Clint como ator. Então era bom correr antes que fosse tarde demais. O segundo, ligado diretamente ao primeiro: eu nunca havia visto um filme do ator na poltrona de uma sala de cinema. E algumas coisas a gente tem que fazer antes que nos arrependamos (outro exemplo? Ir a um show do Roberto Carlos, o que já fiz e registrei no blog no distante 2006). Achei que era interessante contar aos netos que já assisti Clint Eastwood no telão. Algo que meu avô fez, meu pai fez e eu também queria fazer.

Fica aqui, portanto, a dica: não perca Gran Torino. Clint Eastwood, aos 79 anos, digno de Oscar, mais durão do que nunca.

sábado, 28 de março de 2009

Burlando o cidade limpa


Cruzamento na Av. Francisco Morato: o esqueleto de anúncio continua lá mais de 1 ano após o Cidade Limpa

Quando a lei Cidade Limpa entrou em vigor, aquelas pessoas que davam folhetos imobiliários no semáforo tiveram que parar de fazê-lo. E como aquilo era irritante...Eu sempre recusei. Da mesma forma, placas e tabuletas com anúncios de apartamentos também sumiram (demoraram, mas sumiram).

Então, as pessoas começaram a se "vestir" com as tabuletas....

Nova baixa. Isso não pegou. Agora, as bandeiras e faixas voltaram. Incrivelmente, peguei um grupo de garotas agitando bandeiras lisas. Isso mesmo, sem propagandas. Tudo para enganar a lei....A tabuleta ficava escondida, no fundo...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cidadania, eu quero uma pra viver


A pessoa acima não podia parar um pouco mais pro lado esquerdo da foto, e assim permitir o estacionamento de dois carros no local.

Não, não. De forma cruel e gelada, ela preferiu ocupar o espaço de duas vagas. Justamente o espaço onde existem as tão disputadas sombras.

Cidadania, eu quero uma pra viver.

terça-feira, 24 de março de 2009

Um clássico


Estava no hospital outro dia para um exame de rotina e peguei "Caverna do Dragão" na sala de espera. Um verdadeiro clássico. E, quando digo que os desenhos de hoje não são a mesma coisa, será que eu estou velho, os desenhos realmente pioraram ou é uma combinação das duas coisas?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Escrever sobre F-1 está difícil atualmente...

Olha, vou levar um tempo para escrever sobre F-1 de novo aqui. Quando escrevi sobre a ida de Bruno Senna à categoria, tudo mudou e a equipe fechou. Quando escrevi sobre o fim da Honda e a saída de Barrichello, novas mudanças e surge a Brown GP com Rubinho no cockpit.

Agora, posto algo sobre a polêmica mudança no sistema de pontos da categoria e, pronto, tudo vai por água abaixo e o velho e tradicional sistema volta a valer (não ficou sabendo?).

Desse jeito, anda difícil palpitar, viu. Basta dizer que meu blog não é referência recente pro assunto: a era Senna continua, Piquet e Senna não correrão juntos e o sistema de pontos não mudou.

quarta-feira, 18 de março de 2009

O monstro do trânsito

Difícil acreditar que este vídeo seja de 1950. Soa mais atual do que nunca...

terça-feira, 17 de março de 2009

Mudança radical. E necessária

Agora o campeão da Fórmula 1 é definido pelo número de vitórias, e não mais pelos pontos, conforme está saindo pela Internet toda. Simples assim: ao final da temporada, quem tiver vencido mais leva. Se o número de vitórias for igual, aí sim valem os pontos como critério de desempate.

Todo mundo agora comenta que, se o critério tivesse sido usado no ano passado, o campeão teria sido Massa. Bem, essas coisas de "se" não devem ser levadas a sério. O regulamento de 1988, por exemplo, era bem controverso, e Senna foi campeão mesmo com menos pontos que Prost.

Enfim, gostei bastante da decisão. As últimas temporadas foram boas, mas a mudança no número de pontos há alguns anos não tinha caído bem. Antigamente, o vencedor levava 10 pontos e o segundo, 6. Mudaram, e até o ano passado, o primeiro faturava 10 e o segundo, 8. Ou seja, era muito confortável para o segundo colocado ficar ali em vez de correr o risco de ultrapassar e, quem sabe, perder tudo (foi o caso de Kimi Räikkönen, campeão em 2007 com menos vitórias e vários pódios).

A temporada começa dia 29, na Austrália, provavelmente uma das mais esperadas dos últimos tempos devido a esse (e outros) anúncios, além, é claro, do atual equilíbrio da categoria. E, enquanto ela não chega, deixo aqui, para quem não viu, uma das melhores brigas da F-1 recente. Felipe Massa X Robert Kubica na última volta do GP do Japão de 2007, durante chuva torrencial. Vale a pena!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sensação ruim # 3


Os últimos dias tinham sido complicados. Desde que voltara de férias, sempre terminava tudo de manhã correndo. Não tinha tempo para ler seu jornal com calma, para tomar um bom café, sequer para escovar os dentes. Chegar atrasado ao serviço tornara-se um desapontante hábito, que normalmente não fazia parte de sua rotina.

Pensando nisso e em qualidade de vida, decidiu então sacrificar míseros 10 minutos de seu sono em prol de mais tempo antes do trabalho. Ficou decidido que não seria mais 07h45, mas 07h35 a hora de despertar. Muito melhor, pensou. Mas, claro, só se saberia o resultado na hora do teste em si.

E ela chegou. Dia seguinte. 07h35, o velho toque de despertar anunciava, via seu celular, que era hora de mais um dia "de branco", como diziam seus pais. Acordou sonolento, como costumeiramente, mas lembrou-se rapidamente da sua nova resolução. E assim agiu durante o banho. Não vou demorar para ver se meu teste deu certo, pensava o rapaz enquanto ensaboava-se com força, mirabolando quase como um cientista prestes a descobrir uma importante cura.

Tudo dava certo. O banho, a toalha era a boa, e até o cabelo estava de bom humor aquele dia. Deu pouco trabalho para ficar como seu dono queria. Vestiu logo uma roupa, já olhando para o relógio e feliz por ver que seu plano estava funcionando à perfeição. Seria um dia inesquecível.

Desceu para o café ainda mais vibrante porque seu copo já estava cheio com o suco de laranja, até a boca. Em volta, papeis soltos de jornais do dia, que ele, enfim, teria tempo para, demoradamente, saborear enquanto comia e bebia sem preocupações com o relógio de pássaros a sua frente. Começaria pelo suco, que já estava cheio mesmo, para molhar a boca. O pão viria depois, quentinho e no ponto que ele gostava.

Não deu.

Quando foi pegar o copo de suco, úmido pela quantidade exacerbada de laranjas expremidas e depositadas ali, ele escorregou de sua mão de forma cruel, quase franciscana: a bebida foi parar perfeitamente em seu colo, molhando de uma só vez, no caminho, sanduíche, toalha, mesa, cadeira, camiseta, jeans e demais indumentárias masculinas.

Claro, havia pessoas ao seu redor, prontas para ajudar, rir ou ao menos esboçar uma reação. Não. Com um gesto com os dois braços, ele sinalizou"não falem nada". A casa permaneceu muda, enquanto o som da laranja fermentando em contato com o algodão das roupas era o máximo que se ouvia. Naquela fração de segundo, pensou em tudo que havia planejado, agora derramado ao chão como leite. A laranja, metáfora para sua vida, confusa, esparramada. Nada dava certo, tudo agia ao contrário do que queria. Que diabos, nada dá certo comigo, lamuriou. Pensou em chorar, apenas. Em desistir de sua vida e começar outra.

Em vez disso, subiu e tomou mais um banho (chegando atrasado ao trabalho de novo).

terça-feira, 10 de março de 2009

Sensação ruim # 2



Por que fui dormir tão tarde, pensava enquanto tentava, de forma atabalhoada, se vestir. Não dá tempo de tomar banho, vai assim mesmo. Calça e camisa social, cinto e sapatos que pouco combinavam. Isso não era o importante. Tinha uma reunião de negócios logo cedo e havia perdido a hora. Em sua cabeça, as atividades corridas que protagonizava eram apenas divididas com imagens de seu superior, pensativo, lamentando com a cabeça o atraso do funcionário - no caso, ele.

Escovou o dente muito rápido. O perfume, mal teve tempo de passar por um ligeiro spray. Pescoço e pulso esquerdo, está pronto. Desce correndo as escadas. Dá tempo para comer, discute consigo mesmo mentalmente. Talvez uma granola? Não, melhor não.

Batendo as mãos no bolso, corre para fazer o check list final. Carteira? Documento? Celular? Cartão corporativo? Carteira? Carteira! Diabos, onde está a carteira? Subiu, pulando dois degraus a cada um, em busca do item mais importante do dia. Somente a carteira perdida já seria ruim, mas ele a achou.

Ah, que bom. Parte do peso saiu de seus ombros degrau abaixo, mas voltaram logo. Estou atrasado! Chave do carro, atravessou a porta loucamente, não se dando ao trabalho sequer de tocar na aldrava. A chave apenas serviria para trancar a porta. Correu em direção ao carro e, de relance, olhou o horário no painel antes de inserir o objeto metálico no contato. Até que não estou tão atrasado, pensou. Iria dar tempo, afinal.

Não deu.

Algum infeliz havia usado o carro na noite anterior. E, lamentavelmente, deixara o bólido amador com o tanque na reserva. Aquela foi a hora em que pensou em amaldiçoar todos os podres que tomavam aquela atitude. Quis sair da garagem e acelerar de forma assassina pelas ruas da lotada cidade. Raivoso, espumante, nada mais importava. A reunião e seu chefe podiam explodir. Tudo que ele faria seria dizer a tudo e a todos o quanto queria matar e morrer.

Em vez disso, foi ao posto e mandou completar.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sensação ruim # 1


O trânsito estava terrível. Pior ainda, pertinho de casa, tinha um dos carros mais lentos a sua frente. Ele chegou cansado e exausto em casa. Abriu a geladeira e viu aquela revigorante embalagem de água de côco, com o sugestivo título de "Kerococo". O calor fatigante que antes invadira seu carro sem ar-condicionado já lhe havia tirado quase todas as forças. Restava forças, agora, apenas para ir ao armário, pegar um copo longo e enchê-lo com a gelada bebida que sai do fruto, mas que estava ali, tão fácil, tão simples, tão suculenta e necessária.

Enquanto ia em direção ao eletrodoméstico branco e gelado, já imaginava-se sorvendo aquele precioso líquido que tão bem faz a um corpo humano desidratado - justamente a situação vivida por ele no momento.

Não deu.

Ao contrário do que muitos podem pensar, a embalagem não estava vazia. Pior. Estava com apenas um gole, um pequeno gole, algo que não seria capaz sequer de chegar até a garganta sem que ele já pedisse por mais. E, claro, não havia mais. Imaginou quem seria o responsável por tamanha atrocidade de deixar apenas um gole de água de côco sobrando na geladeira. Perguntava por quê o infeliz não havia ao menos a tomado toda. Tivesse feito isso, pelo menos ele não estaria passando pelo que passou agora, e tampouco teria criado tanta expectativa.

Frustrado, teve por alguns instantes a fúria que somente passa pela cabeça dos loucos e insanos, mentalmente desequilibrados. Viu-se rasgando aquele papelão reciclável até não poder mais, virando o que mais havia por perto, buscando nada mais do que expressão e destruição, até que alguém mais forte conseguisse segurá-lo.

Em vez disso, foi pro quarto e tomou um banho.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Trecho de um livro que não existe


Naquele momento, ele sabia que estava se despedindo. Sim, a viagem tinha volta, mas a amizade não. Eles já não eram mais as mesmas pessoas. O tempo, sempre ele, havia cobrado caro. O preço a pagar era o distanciamento de ambos.

Um chope ainda não machucava ninguém. Foram então. Triste notar, sem que nenhum dos dois precisasse falar, que as barbas em seus rostos escondiam um doce constrangimento. O silêncio de repente passou a ser um constante incômodo. O presente, um forte inimigo. O passado, o acalentante elo que os prendia.

Você ainda está com aquela moça, perguntou um deles. O outro explicou, de forma rápida, que há muitos meses ele já havia terminado o breve relacionamento. Nossa, ele não sabe mais nada do que está acontecendo comigo, pensou enquanto respondia. A solução eterna era apelar para velhas e batidas piadas. Que um dia haviam sido motivo para falta de ar de tanto rir. Anos depois, serviam como uma triste muleta para outra falta: em vez de ar, faltava assunto.

Poucos copos e o encontro acabava. Não sabiam quando se veriam de novo. Nem se. Pálido, o rosto de um exibia um sorriso nervoso, um olhar distante que um dia já tinha sido mútuo. Porém, os tempos de viagem mudaram.

Um frio cumprimento selou o chope. Gelado como a bebida, o rápido tapinha nas costas intercalou com outro na região do abdômen. Não choraram. Não havia motivo para isso. Estava tudo bem.

Somente os dois sabiam que não era verdade.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Ainda sobre o Carnaval

Só pra encerrar o assunto, não dá pra deixar de postar a vitória da minha escola (agora dividida com a agremiação de Bragança Paulista), a Salgueiro!

E o assunto tem link com um post recente do blog: o fim da era Senna, que ganha mais um marco. Me encantei pela Salgueiro em 1993, quando eles criaram o samba-enredo que trazia o "explode coração, na maior felicidade...", sem dúvida um dos mais famosos de todos os carnavais.

Mas, para mim, aquele ano ficou marcado também por uma presença ilustre na missão de dar o título à escola vermelha e branca: Ayrton Senna desfilou, pela única vez, com a Salgueiro justamente naquele ano da vitória. Pode-se dizer que foi o seu último título.

Procurei no Gooooooooogle uma foto do piloto na avenida. Lembro bem da imagem dele, se não me engano ao lado de Adriane Galisteu, desfilando. Não achei as imagens, então o post vai com a boa e velha Salgueiro mesmo.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Detalhes do Carnaval de Serra Negra



No meio do Carnaval, estive em Serra Negra (fui domingo, voltei segunda. Sem trânsito e divertidíssimo).

Queria informar à comunidade da Salgueiro que agora meu coração ficou dividido. Isso tudo após, erroneamente, ter sido confundido com um dos membros da harmonia da escola Dragão Imperial, durante o desfile das escolas de Serra Negra e região (a Dragão é de Bragança Paulista).

Foi isso mesmo que aconteceu. Estava cantando alegremente o samba da escola, e no calor do momento, entrei na avenida e ninguém me barrou. Bastou o refrão se repetir 3 ou 4 vezes para eu aprender a coreografia e começar a puxar o coro da arquibancada. De repente, aquilo me contagiou e pareceu até que eu gostava de Carnaval.

Meu amigo, que estava comigo, tentou entrar na harmonia e não conseguiu. O segurança barrou. "Tudo bem, ele está comig0", eu disse ao jovem rapaz de terno preto que ganhava 30 reais por dia para fazer aquilo. Afinal, eu era da comissão.

Desfile finalizado, fomos com a escola comemorar o resultado de tanto esforço. Queria agradecer a comunidade das estâncias, a essa fantástico grupo que tanto lutou em um ano de dificuldades para montar a bateria, os carros e as coreografias. Foi muito bom. As fantasias ficaram maravilhosas e ver a platéia cantando conosco não teve preço.

Tivemos um problema com um dos carros na lombada (sim, havia uma lombada na avenida), mas acho que o brilho não foi perdido. Valeu galera! Deixo aqui o samba da escola em 2009. Terminamos em um honrado terceiro lugar (haviam 4 escolas).

G.R.F.S. DRAGÃO IMPERIAL

Terra Aqueço a Alma e perco a Calma... O Ar que Eu Respiro é Você

Compositores: Ademir do Cavaco/ Clebinho Zanini/ Edison Souza/ L.C. Genardão/ Paulo Zulu/ Roseli Zanini

Senhor, iluminai! Abençoai a existência!
Minha Azul e Rosa vem mostrar
Eu é preciso ter mais consciência

Gaia pede socorro!
A humanidade parece não ouvir
Desequilíbrio, sinal de alerta
Em evidência para o homem refletir
Geleiras derretendo com o clima esquentando
O ar mais poluído vai aos poucos sufocando
Chega de lixo e destruição
A água corre o risco de extinção
É a vida cada vez mais a perigo
Por culpa de um progresso desmedido

Eu quero o céu sempre azul
Quero rosas pelo ar
Pra perfumar nosso planeta
Obra Divina que devemos preservar

Desenvolver de maneira sustentável
Em harmonia com o meio ambiente
Nosso alimento com certeza é renovável
Sendo explorado com amor e coerência
Para um futuro mais feliz
Aqueça a alma e o coração
Vem respirar desse ideal
Não perca a calma, existe solução
Escute o grito da Família Imperial

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Day in the Life of Abbey Road


Em homenagem ao Carnaval, cito um dos momentos mais famosos do rock. Lembra da famosa capa do disco dos Beatles, em que o quarteto está atravessando a rua? Provavelmente uma das mais famosas capas da história.

Agora, você também já parou pra pensar em quantas pessoas querem imitar essa famosa pose? E que essa rua ainda existe, e as pessoas moram perto, trabalham, passam por lá todos os dias e o local é só mais uma faixa de pedestres? Pois bem. Pare de pensar e veja o vídeo abaixo.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Escrevendo para o blog da LVBA


Faço parte do time que quer revolucionar a LVBA e torná-la uma empresa jovem de espírito. Por isso comecei a contribuir com o blog de lá regularmente. Hoje escrevi um post sobre o lendário ICQ. Lembram?

Dêem uma lida lá e comentem!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O fim da era Senna – ou um novo começo?

Há muitos anos eu pensei em um texto.

O tema central seria "o fim da era Senna". Eu falaria sobre o momento em que não houvesse mais ninguém nas pistas da F-1 que correu ao lado de Senna. E a coisa foi indo bem. Ao longo dos anos 90 e início do novo século, fui observando os pilotos se aposentarem...Mika Hakkinen, Damon Hill, Gerhard Berger, Michael Schumacher, Jean Alesi...Um a um, eles chegavam ao inevitável dia de pendurar as sapatilhas.

Faltava Rubens Barrichello. O brasileiro, que ingressou na categoria em 1993 - portanto um ano antes da morte de Senna -, permanecia nas pistas. Em 2008, conforme sua saída ia se desenhando, este meu texto imaginário começou a ganhar formato, ainda imaginário. Uma introdução, um desfecho, tudo já se encaminhava para lembrar o saudoso momento, em um desfecho cheio de nostalgia e memórias ultrapassadas.

Eis que o destino, então, prega a maior das peças. De forma quase teatral, a era Senna chega ao fim...sem chegar.

É incrível a ligação da família Senna com Rubens Barrichello.

O ex-piloto da Honda foi guiado pela sombra do sobrenome famoso. Foi um pupilo e protegido do tri-campeão Ayrton, sofreu com sua morte, e assumiu um papel de herói sem querer, querendo. Um papel que não conseguiu desempenhar à altura e acabou por prejudicar uma promissora carreira.

O martírio de Barrichello só começou a diminuir quando foi ofuscado por Felipe Massa, que de forma igualmente cruel, assumiu justamente o cockpit que era de Rubens e mostrou um novo espírito de guiar e falar. Sem comparações com ídolos passados, sem referências ou bajulação, Massa mostrou personalidade e hoje tem seu espaço muito maior do que Barrichello tinha – na Ferrari ou na torcida brasileira.

Em 2009, o grid que irá alinhar para o Grande Prêmio da Austrália não terá mais nenhum piloto que correu ao lado de Ayrton. Não mesmo? Pense bem. Bruno Senna foi, talvez, quem mais conheceu Ayrton, nos momentos em que corriam de kart ou tiravam rachas em jet-skis nas águas de Angra dos Reis.

Pois é. E com isso, a temática do meu texto foi pelo ralo. Ele mudou. E a era Senna não acabou. Ironicamente, a maior vítima dela, Barrichello, apenas ajudou a dar continuidade ao sobrenome mais famoso da categoria.

E agora, resta a Bruno mostrar a que veio.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Rabiscos de um caderno da faculdade


Alguns dizem que recordar é sofrer. Outros, que é viver. Talvez seja ambos. Na falta de criatividade, resolvi recorrer ao que já foi produzido. E parei no enorme caderno da faculdade, que como todos os outros usados por mim, serviam de base para diversos textos e poesias em suas últimas páginas.

Resolvi colocar aqui uma dessas páginas.

Textos curtos, sem título, sem começo, meio ou fim. Sem nexo, cercados por desenhos, repletos de garranchos, falta de espaço e uma criatividade crua. Segue:

Como uma brisa, a vida passa
Como uma folha que volta alto
Como um relógio que nunca pára
O tempo que sempre ruge
Implacável pra todos nós
Ataca quando quer, se deseja

#

Tal qual o grito, tal qual silêncio
Tal qual euforia, tal qual tormento
Tal qual certeza, tal qual lamento
Tal qual eterno, tal qual momento

#

Quem sabe um dia, mais alegria
Mais vida
No lugar da morte, mais sorte
A amargura, a feiúra.
O divino, a cura.

#

Milagre, eterno,
É terno.
Eterna idade, a felicidade. Edaduas...saudade.

#

Como um rival que nunca desiste,
Como um pedestre que nunca pára,
O televisor que sempre se assiste
Como uma flecha que sempre vôa
Um sino que sempre sôa.
Como um barulho que ensurdece,
A beleza enaltece.
A tristeza, em profundezas,
As dúvidas e as certezas,
São várias as dúvidas,
As certezas, porém,
Limitam-se a uma
E ela sempre vem

#

Ataca a todos
Como nunca se viu
E até hoje
Sinto frio
Quando vem um arrepio
E me lembro:
"Ayrton Senna do Brasil"

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Cinema no matadouro

O belíssimo prédio da Cinemateca: antes, era o matadouro municipal

Como já falei por aqui, o melhor de viver em São Paulo é sempre descobrir algo novo. Pode ser velho, pode ser clássico, pode já ter sido visto por meio mundo, mas você ainda não viu. Uma cidade de possibilidade infinitas - para o bem ou para o mal.

Ontem conheci a Cinemateca Brasileira, uma iniciativa muito legal e um local que jamais havia visitado. Trata-se de um local que cuida de preservar o patrimônio audiovisual brasileiro. E, claro, eles também exibem filmes e documentários, sempre a preços módicos - R$ 4,00 o ingresso.

A arquitetura chama a atenção: todo em tijolos, o prédio foi restaurado em 1992. quando a prefeitura cedeu o local. Detalhe: lá funcionava o matadouro municipal.

Serviço

Cinbemateca brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 - Vila Clementino

Tel.: 11 3512-6111
www.cinemateca.com.br

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Se alguém conseguir ver
até o fim, é um herói


Eis o que você está perdendo por não ver The Sopranos, no Warner Channel.


the sopranos, uncensored. from victor solomon on Vimeo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Churros do Tatuapé - um clássico

A filosofia do churro levada a sério: conheça a Casa do Churro

Você também pensa ou vê churros e lembra da infância? No meu caso, a lembrança é do São Paulo F.C. Tinha um velhinho que fazia os churros em um carrinho lá. Lembro bem do sabor dos churros, e também de como o preço aumentava sempre - fruto da inflação do período anterior ao Real.

Bem, abra os olhos e lembre-se de infância com classe. Vá até a Casa do Churro, no Tatuapé, e saiba onde toda essa história começou. Lá, a casa simples e cheia de cartazes entrega a você praticamente qualquer churro que você quiser - salgado, grande, pequeno ou imenso.

A idéia de comer churros com alguns amigos meus veio, na verdade, baseada nos famosos churros da Mooca, que só funciona de madrugada. Porém, já fui duas vezes no horário de funcionamento e peguei o local fechado. Dizem alguns que o velhinho que faz o churro aposentou (se alguém tiver mais informações, poste aqui).

Mas, de volta ao Tatuapé, tive a sorte de encontrar o dono do local, conhecido como Seu Antônio. Espanhol, ele diz que é o inventor do churro recheado. Não só dele, mas também da não menos famosa maçã do amor. Em poucos minutos de conversa, ele contou detalhes de como nasceram as duas criações.

Seu Antônio não inventou o churro. Essa fica para os espanhóis, que faziam os churros de roda. Imensos, salgados, eles mediam vários e vários metros. O que o senhor da Zona Leste criou foi o churro recheado. Nunca pediu patente, mas diz que irá receber uma em breve. Porém, não pretende ganhar nada com isso, além do reconhecimento. "Agora já virou domínio público", diz.

A casa é pequena, mas a quantidade de cartazes com as ofertas de churros chega a ser uma poluição visual. Faixas que elogiam a "filosofia" do churro de roda misturam-se às dezenas de ofertas. Dezenas? Talvez centenas. Lembram-se daquela clássica cena de "Forrest Gump", quando Bubba, o amigo de Forrest, fica descrevendo todos os tipos de camarão que a família dele sabia fazer? Pois o Seu Antônio é o Bubba do churro:

  • churros salgados
  • churros doces
  • churros pequenos
  • churros grandes
  • churros recheados
  • churros comuns
  • churros completos
  • churros de roda (o tradicional, com açúcar e canela ou 4 sabores a sua escolha)
  • churros lights
  • churros diets
  • churros gelados (cobertos em chocolate)
  • churros quentes
  • churros bom bom
Os preços são salgados - desculpe o trocadilho. O churro comum, daquele igual ao que todo mundo já comeu, sai por R$ 3,50. Mas esse é o mais barato. Churros gelados, maiores, mais gordinhos, todos saem acima de R$ 5 a unidade. Vale a visita. Imagens abaixo (clique para ampliar).