segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Três séries de Quinze - O dia em que fui jogado na academia

Supino, bíceps, barra, peso, esteira: eu era feliz e não sabia

Quem me conhece, sabe. Até já fiz alguns exercícios. Era de correr na infância, joguei muito futebol na adolescência, corri de kart provavelmente umas 50 vezes na vida, mas ultimamente, o sedentarismo anda forte. Meus exercícios se limitam a parcas voltas na praça do lado de casa e esporádicas caminhadas com a cachorra. Minha ainda esbelta forma só se deve a uma afortunada condição genética e alguns sacrifícios durante a semana.

Não procuro por exercícios. Admito que cheguei ao fundo do poço do ócio físico - e estou bem assim.

Não obstante, fui "raptado" por dois amigos-da-onça na última noite de segunda-feira. O objetivo: fazer com que eu me integrasse ao "Projeto Verão 2009". Os dois também são sedentários, mas mais preocupados que eu.

E uma noite que tinha tudo para ser regada a episódios já vistos de "Friends" e "Two and a Half Men" tornou-se um martírio fransciscano. Ganhamos uma semana grátis na academia perto de casa. Francamente, quem quer ganhar algo assim?! Presente de gosto duvidoso.

Fato resumido, tive que passar por todas aquelas máquinas infernais que faziam parte de um passado distante (sim, eu frequentei academias nos loucos anos 1990). O cheiro de suor nos colchões comidos, o calor do corroído metal nas mãos, o típico ambiente formado pelos ratos de pesos e moças que acham que são cobiçadas por todo mundo no local não se comparam ao infeliz sentimento de seus músculos queimando de dor em cada uma das intermináveis e já clássicas "3 séries de 15".

Três - com todo o respeito - o cacete! Elas mais pareciam uma progressão geométrica do inferno. Sádico, o bombado instrutor não fez questão alguma de diminuir as cargas. Pegou pesado mesmo, e enquanto eu cumpria o longo ritual, meus músculos pareciam se perguntar entre eles o por quê d'eu fazer aquilo. "Sério, estamos quietos no nosso canto. Por que mexer conosco?"

Ainda não sei a resposta. Ou seria o tal do "Projeto Verão 2009"? Não importa, pois a tréplica virá: esses mesmos músculos darão suas respostas no dia seguinte. E não será nada legal.

Não fizemos o alongamento no fim. Segundo o amável instrutor, há uma recente pesquisa na USP que mostrou que, em musculação, nada deve ser alongado, pois é "melhor assim." Fiz uma rápida pesquisa na web agora pouco e encontrei justamente o contrário. Como agora já é tarde para alongar, que me desculpem de novo: instrutor filho da puta!

Cansados, suados, destruídos, saímos de lá. Em nossas mentes, a sensação de dever cumprido. A endorfina começava agir, elevando nosso espírito. Fortes como nunca, deixamos o recinto certos de que o projeto começou da maneira apropriada. No pain, no gain, diriam os gringos. O prazer de realizar um exercício conseguiu compensar toda a dor que passamos? Não sei.

Mas o chopinho no boteco que paramos do lado de casa nunca esteve tão gelado.
Final de livro

Nada como viagens literárias de vez em quando. Enquanto não sai tempo e disposição pra um livro, por que não imaginar como seria o final de um?

Ela saiu tão rápido como chegou. Seus olhos, brilhavam de tristeza ao constatar que aquela era a melhor alternativa diante de tanta felicidade. Escrevendo em sua mente, os capítulos daquele romance pareciam não ter um desfecho significante; ao mesmo tempo, lágrimas de incertezas salgavam-lhe o corroído julgamento.

Ela chegou da mesma maneira que se foi. Sofrida, suada, sentida. Saiu sentindo sede, somente sustos cercavam seu semblante. Sabendo sorrir, se fingiu de feliz. Sórdida, dissimulada. Se saiu bem sucedida, cega perante ao que se passava no Sertão.

E ela amou como poderia amar.

E ela correu de quem pôde, mas seus próprios pensamentos de perto não saíam.
Ela pensou em tudo. Mas não pensou em nada que estivesse dentro do tudo que já não era nada pra ela. Teve o mundo em suas mãos, ficou com muito mais.

Valente, escondeu com toda força suas feições. O quanto pôde, ao menos. Sabia que sairia chorando, mas não se sabe o que fez. Por dentro, cicatrizes também sentiam o poder de sua decisão. Amarga, a paixão era tão vergonhosa quanto aquele lindo sorriso que, teimosamente, de sua face não corria.

Ele, morreu como poderia. Sem tragédia, sem tramóia, sem trajeto. Por dentro, custavam caro suas decisões. Por fora, barganhava seu sorriso por pouco, muito pouco. Acabou que saiu de graça, algo que de graça não teve nada.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

As imperfeições dessa vida



Antes de começar: recomendo ler o texto ouvindo a música acima. Não se preocupe com imagens, apenas dê o play e comece a ler.

Os que me conhecem bem sabem o quanto gosto de ouvir músicas do Elvis. Mas somente poucos tiveram a oportunidade de ouvir Elvis do jeito que eu gosto: procurando as imperfeições.

Talvez pareça incongruente (ou não), mas é atrás das imperfeições que estamos nessa vida. O certinho é chato, o impecável é boring, o cristalino é irritante. Nos apaixonamos pelos pequenos erros dessa vida, ou os pecadilhos, como muitos mencionam por aí. Aquelas peculiaridades que nos tornam únicos, incorretos, irresistivelmente especiais.

É assim que escuto as músicas do Elvis. Lendo a interpretação que ele coloca nas letras, procurando pelo ar renovado, pelo silêncio de um acorde. Raramente vou a encontros onde habitam fanáticos travestidos de Elvis, com óculos, macacão e costeletas que mais parecem trazidas diretamente de 1969. Alguns desses fãs já criticaram a minha ausência constante (há pelo menos cinco anos não dou as caras). Não posso culpá-los, mas jamais mudarei.

Assim como tenho minha maneira de me relacionar com Deus, também escutar o vasto repertório de Presley no meu próprio quadrado. Uma espécie de meditação musical, em que presto atenção em detalhes normalmente ignorados. O baixo, os violinos, os metais, o coral e, claro, a voz. A forma como tudo era gravado ao vivo, ali, sem grandes edições, mantendo a essência da coisa. Elvis buscando o fôlego para um novo verso, uma flauta estrategicamente harmoniosa com um jogo de vozes. O arranjo do piano que tanto sincroniza o ritmo do cantor com o resto da banda. E por aí vai...Uma viagem musical da qual não me canso. Um retiro espiritual que me faz bem, me renova e me faz um eterno apaixonado pela música.

Acredito que o mesmo vale para a vida. Afinal, se Deus está nos detalhes, é lá que devemos achar o que de melhor existe na vida. São as pequenas imperfeições que nos fazem vivos. Que nos lembram o quão incrível é ser humano, um indivíduo absolutamente único, com um universo tão complexo e rico que assusta e encanta ao mesmo tempo.

Por fim, um dos exemplos desse meu pensamento está na canção que - imagino - você está ouvindo agora, em destaque no começo do post: Early Morning Rain, de 1971. Reparou nos violões, no cuidado e nervosismo de Elvis se preocupar em colocar de forma cuidadosa a voz em uma música de tom tão grave? E na gaita, que entra de forma perfeita em momentos precisos, muitas vezes junto com o coral com músicos de fundo, que sabe acolher os demais instrumentos de forma suave e incrível?

Não? Então ouça de novo. Tenho certeza de que, agora, você vai ouvir a música de outra maneira.

domingo, 2 de novembro de 2008

Essa foi difícil

Nota rápida: todo mundo, no fundo, já esperava que Hamilton levasse o caneco. Mas, da forma como foi, doeu. Eu, que torci tanto para a chuva chegar, jamais o teria feito se soubesse desse desfecho. Ficasse monótona como estava a corrida, que seria melhor. O fim foi cruel.

sábado, 1 de novembro de 2008

A cruel análise da Futurecom e mais sobre assessores de imprensa


Confesso que passei os últimos dias pensando qual seria o post seguinte ao do mundo RP, que gerou tanta polêmica e bateu o recorde de comentários. Afinal, fica a vontade de que as pessoas se interessem da mesma maneira. Já tinha alguns posts prontos, mas os deixei na gaveta para seguir em um assunto similar e fechar - pelo menos por algum tempo - esse assunto.

Semana passada terminou a Futurecom, feira de telecom e tecnologia que eu comentei aqui rapidamente há dois ou três posts. Um ambiente terrível, se me permitem dizer. Freqüento a Futurecom desde 2005, sendo a segunda vez pela Nokia. O local da feira mudou (nos outros anos, foi em Florianópolis e agora foi no Expo Transamérica, em SP), mas o sentimento continua o mesmo.

A foto acima foi tirada na Sala de Imprensa do local, apenas para servir como tema para este post, que já vinha sendo elaborado desde lá. Antesala, sendo mais preciso. Já que no local existe um espaço para os assessores de imprensa (jornalistas? RPs??) e uma sala exclusiva para jornalistas que trabalham em redação. O detalhe mágico: para chegar à sala dos jornalistas, é necessário atravessar toda a sala dos assessores.

E aí já viu, né? Basta aparecer alguém com o crachá com a cor de imprensa (verde, se não me engano) que os assessores partem para cima dele(a) como abutres em cima de cadáveres. E o detalhe do crachá é fulminante. As pessoas não se olham nos olhos. Dirigem-se primeiro aos crachás. Para qual veículo você escreve, que empresa está representando, qual a sua "categoria". Uma espécie de coleira corporativa.

Sempre saio de feiras como a Futurecom acabado e abalado. E não só fisicamente (algo plausível pelo fato de andarmos todos os dias e comermos muito mal). O abalo maior é emocional mesmo. Aquela antesala de assessores mais parece a antesala do inferno. É possível sentir uma atmosfera pesada, um clima ruim, quando entramos ali e vemos dezenas de assessores sentados, sem ter o que fazer, esperando suas caças passarem em busca de um computador ou uma mesa para escrever seus textos.

Se fosse possível, veríamos nuvens negras pairando sobre a cabeça de vários.

Sinto mais pelos assessores de pequenas empresas. Note-se: muitas vezes pequenas no estande e nas ações no país, mas enormes nas cobranças para o pobre assessor. Daí vem a má fama dos que tentam a qualquer custo colocar a Cabelereiros Dalva* na Gazeta Mercantil ou emplacar a líder mundial em semi-condutores para geladeiras vermelhas na capa da Veja só porque o diretor de marketing está no Brasil.

Para conseguir isso, perseguem os jornalistas, fingem simpatia, ligam, retornam, correm e, se necessário, fazem malabarismo no semáforo. Lamentável.

Na edição do ano passado, uma jornalista do Valor Econômico correu quando me viu - na direção contrária. Isso mesmo, correu. Ela nunca terá idéia de como aquilo me abalou.

Felizmente, essa desgraça corporativa só acontece uma vez por ano. Felizmente, meu cliente entende que essas táticas citadas, nem de longe, são a melhor estratégia para conseguir um espaço na mídia. Felizmente, tudo já acabou e eu posso me respeitar de novo.

Infelizmente, ano que vem tem outra - e é provável que eu esteja lá.


*Crédito de Robson Melendre

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

As dificuldades de um jornalista ao explicar que trabalha em RP

Quem aqui nunca encontrou aquela tia simples, do interior, que quer tanto saber o que o sobrinho amado está fazendo da vida depois de ficar sem vê-lo desde a infância? Em que se formou, onde trabalha, e por aí vai? Pois bem, eis dois diálogos típicos desses momentos:

SITUAÇÃO 1:

- Mas então querido, me conta: o que é que você faz mesmo?
- Eu sou jornalista, tia.
-
(fazendo cara de madame) Ah, que chique! E você trabalha em algum jornal ?
- Não, eu trabalho em uma assessoria de imprensa.
- Em uma o quê?
- Uma assessoria de imprensa. É uma agência de relações públicas. Nós ajudamos os jornalistas a publicar matérias e temos clientes que querem estar lá.
-
(pensativa, depois mostrando falso conhecimento) Sei...sei .
- Por exemplo: meu cliente é a Nokia. Então, eu mando notícias da Nokia e sai no jornal aquela notícia.
- (esclarecida, depois bicando o café ao lado do bolo) Ah, então é publicidade, entendi.
- Não, não. Não tem nada a ver com anúncio. Nós mandamos textos para os jornalistas e eles usam as informações nas matérias deles.
-
(limpando o dente com a lingua) Tá... . E, por exemplo, quanto vocês pagam por uma matéria que sai na capa?
- Não tem preço, tia. Nós mandamos as informações e ele usa como quer.
- (chocada) E como vocês ganham dinheiro então?
- O cliente paga a gente pra fazer isso.
- (resignada) Tá, entendi, querido. Quer mais bolo?

SITUAÇÃO 2:

- Pois é meu garoto, fiquei sabendo que tu és jornalista!
- É, tio, pois é!
- (orgulhoso) Você viu só o Luisinho, Lurdes. Virou jornalista! E você é repórter?
- Não, não. Eu sou RP.
- (surpreso) Erre o quê?
- RP.
- E o que é isso?
- Relações públicas.
- (perdido) Ah então você mexe com coisa do governo.
- Não, não. RP trabalha em uma agência de comunicação.
- Tá. É propaganda, essas coisas de computador?
- Não, a gente coordena as ações de comunicação externa de um cliente.
- (resignado) Sei, sei...Então você mudou de área?
- Não, não mudei. Trabalho com comunicação ainda, em uma assessoria de imprensa a gente lida com jornalistas o tempo to...
- (curioso) Mas e aí, já casou?!


(Com contribuição do amigo Fernando Thuler)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Falando direto da Futurecom

Essa semana as atualizações no blog serão raras e rasas. Passarei boa parte dos próximos dias na Futurecom, a feira de tecnologia e telecom mais importante do país (ou, ao menos, a mais importante para o meu cliente).

Normalmente, a Futurecom acontece em Florianópolis. O que sempre é uma boa razão para cobrir. Afinal, a praia colabora, o Posto 43 com seu famoso pastel de berbigão e o chopp também são fatores a ser considerados. Este ano, infelizmente, alguém teve a infeliz idéia de levar a feira para São Paulo. Ou seja, posto este texto no blog da sala de imprensa do evento, que fica no Expo Transamérica, ao lado do Rio Pinheiros.

Nada de praia, nada de pastel de berbigão, nada de shampoos roubados de hotéis.

Mas, como não há um post elaborado durante o fim-de-semana, deixo aqui apena uma pergunta no ar, para reflexão profunda:

Por que todo mundo que atravessa a rua em local proibido ou perigoso chega do outro lado rindo (quando se está acompanhado)? Será que o risco de ser atropelado tem graça? Ou é a sensação de fazer algo proibido e "fora da lei" que nos leva aos sucessivos sorrisos?

Pense nisso.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

E a tal da crise mundial virou desculpa pra tudo

Já notaram que, ultimamente, a crise mundial é desculpa para qualquer negação? As pessoas usam-na como se já estivéssemos em frangalho economicamente desde o início do ano - ou antes. A regra é clara: se algo não funcionou como gostaria, se não quer agradar seu parente ou subordinados, culpe a crise. Ela está aí pra isso.

Até o mês passado, o Brasil era o país do futuro, o BRIC era o filão a ser explorado e as ações eram sucesso garantido. Passou-se um mês e tudo mudou. O Brasil corta gastos, o BRIC voltou à miséria e as ações...ah, as ações. De repente, as empresas perderam seus lucros do ano todo (e não só do mês da crise), o dinheiro simplesmente sumiu e todo problema pode ser, simples assim, atribuído à crise. Quer ver?

***

- D. Rosaly, tá acabando a lata de óleo, tem mais?
- Acabou. É a crise.

***

- Pessoal, o prazo mudou e vou precisar do relatório mensal uma semana antes.
- Uma semana antes? Mas por que?!
- É a crise, gente...É a crise.

***

- Chefe, veja mais uma saideira pra gente e a conta.
- A saideira não vai dar, campeão. A cerveja acabou.
- Como assim a cerveja acabou?!
- Parece que a crise tá feia lá.

***

- E pra beber, o quê?
- Uma coca com gelo e laranja.
- Laranja?!
- Pois é. Crise mundial.

***

- Mãe, estou com falta de ar. Mas está muito forte!
- Ih, vamos pro hospital, isso é crise.

***

- Poxa, meu amor, isso nunca me aconteceu antes...
- Como assim, a gente já tá tentando desde o começo do ano!
- É, mas com essa crise...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Nirvana visual e musical na Sala São Paulo - Parte I

Estação Julio Prestes: o revitalizado centro de São Paulo surpreende

Sou um eterno turista em São Paulo. Assim como no universo da música ou gastronomia, não tenho pressa para descobrir novos segredos, sons e sabores. Adoro andar de táxi pela cidade à noite, por exemplo. Bem devagar vou me encantando, muitas vezes, com o que ainda é básico ou já conhecido pela maioria.

É o caso da Sala São Paulo. Inaugurada em 1999, nunca havia pisado lá antes. Na realidade, o centro de São Paulo é tão conhecido por mim quanto por um turista valenciano. Vergonha? Deixe estar, tudo a seu tempo. Fiquei encantado com a estutura do local, tanto por fora, com a estação Julio Prestes, como por dentro, com a arrebatadora arquitetura em madeira.

Mas o melhor ainda estava por vir. A ocasião? Estava lá para presenciar o lançamento do Nokia E71 com a Vivo. Antes disso, porém, assistiríamos a um concerto com uma apresentação do quarteto OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) com a pianista russa Lilya Zilberstein, em peças de Beethoven, Schübert e Schumann.

Que agrado para os ouvidos! Passamos a vida ouvindo tanta coisa ruim por aí, que os tímpanos, bigornas e martelos devem aplaudir de pé quando vamos a locais assim. Gostaria de reproduzir um pouco do que ouvi ali. Até fiz alguns vídeos, mas não ficaram bons a ponto de serem publicados. Então, usarei apenas as palavras, que não farão nem sombra, mas são só o que tenho.

Apesar da posição privilegiada e da beleza do local, cuidadosamente decorado e projetado para a melhor captação do som, por alguns momentos eu fechei os olhos. Deixei que comandassem meus sentidos os ouvidos apenas, sem brigar com tolas tentativas de seus colegas. A harmonia do conjunto de violinos com o piano conduzido com maestria pela russa foram orgasmos musicais que colocavam um sorriso em meu rosto e arrepiavam meu corpo.

A flexibilidade combinada de uma delicadeza e agilidade nas cordas e teclas. Quando vi, estava, mentalmente, "conduzindo" a pequena orquestra e deixando meus olhos marejarem com tanta sintonia musical. Até agora, os timbres mais celebrados ainda se reproduzem em minha memória.

Já sinto a futura e inevitável falta deles.

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Observação final
: o silêncio sepulcral do início das peças era quebrado por melódicas cordas do violino. Durante 10, 15 minutos, não se ouvia a respiração dos cerca de 400 ou 500 presentes. Curioso era notar que, menos de um segundo após o término de qualquer peça, o som era dominado por tosses, pigarros, "fungadas" e demais escatologias.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Aos cinco, Teremos Coisas Bonitas pra Contar melhora e muda visual

Em 2003, blogs ainda estavam em expansão. À época, esses tipos de sites eram vistos apenas como diários, páginas pessoais em que usuários anônimos (ou não) compartilhavam um pouco da sua vida, de suas letras, temores e amores.

Cinco anos depois, muita coisa mudou mudou e esse mundo, que ganhou o nome de blogosfera, tornou-se um caos, conforme revela Rodrigo Padron, diretor da LVBA Interativa, braço da agência LVBA especializado em mídias sociais e Web 2.0: "hoje, não há convenções no mundo da chamada web 2.0, onde o "colaborativo" tornou-se imperativo. Os blogs vêm ganhando cada vez mais importância no cenário de mídia e isso tende a aumentar", revela Padron, que vem estudando de forma ferrenha o atual momento da web. Estima-se que dezenas de blogs são criados e extintos a cada segundo em todo o mundo. Em um cenário tão competitivo, como diferenciar-se da massa blogueira?

Na contramão do cenário atual, em que surgem cada vez mais blogs especializados em determinados assuntos, o Teremos Coisas Bonitas pra Contar mantém-se fiel a sua proposta inicial. "O Teremos... não especializou-se em apenas um item, como música, tecnologia ou cinema. Aqui, é possível encontrar de tudo. Momentos que valem a pena ser vividos entram no blog", esquiva-se o autor e moderador, Luís Joly, reforçando que blogs especializados atraem somente um perfil de visitante. "Aqui, qualquer usuário pode entrar e achar um assunto de seu interesse".

E, para celebrar seus primeiro cinco anos de vida, o blog apresenta novo visual e funcionalidades. "A cor laranja, que já era predominante, ganhou ainda mais destaque", revela Joly, adicionando que o endereço atualmente recebe cerca de 500 visitantes mensais. O número, aliás, só foi descoberto graças a instalação de complementos que monitoram diariamente o número e a origem dos visitantes. "Sabemos que muitos preferem nos visitar sem deixar comentários. Assim, temos ao menos uma idéia melhor da audiência", explica.

O Teremos... também se esforça para manter-se conhecido por meio de websites especializados em blogs. Recentemente, o criador da página cadastrou o endereço no Facebook e no Technorati, maior portal com cadastro de blogs no país.

Madrinha | A criação do Teremos... possui uma madrinha, conforme revela o dono do portal. Caru Fogaça Ponte, que em 2003, incentivou Joly a criar o endereço. "Caru já era uma blogueira há alguns anos, e me convenceu a desenvolver algo", confessa ele. De lá para cá, no entanto, muita coisa mudou, mesmo com o objetivo final sendo o mesmo, conforme diz o autor. "Este blog, no início, era muito mais pessoal, no sentido de dizer coisas muito cotidianas. Com o passar dos anos, passou a revelar somente o que realmente valia a pena, dando a chance de outras pessoas, quem sabe, usufruírem de experiência parecidas", diz.

E as novidades? | Entre as principais mudanças do blog, está o novo layout, que mantém o visual anterior, com sutis mudanças. "Colocamos novas fotos e alteramos levemente as cores do blog", explica Marcos Carvalho, coordenador de design do endereço e atual diretor de arte da multinacional de RP The Jeffrey Group. De acordo com Carvalho (que irá se casar em novembro), o trabalho ainda está em progresso. "Não fiquei totalmente satisfeito e ainda pretendo mexer em algumas coisas nas próximas semanas", revela o perfeccionista e designer.

Além do visual, o Teremos... traz um pedido antigo de internautas: um link com os posts mais populares. Joly exemplifica com uma história sobre cabides: "há algum tempo, revelei no blog como havia ficado feliz com a disposição de cabides iguais em meu armário. O post foi um sucesso, mas muitos visitantes novos acabam encontrando dificuldade para encontrar esse ou outro post de suas preferências".

Cabides? Enfim, o que interessa é que agora o moderador pode incluir na barra lateral links com os mais marcantes posts da história do blog - por mais estapafúrdios que sejam.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sobre a palestra e o humor dos nossos tempos

E a palestra foi um sucesso. Achei que ficaria nervoso, que as palavras iam travar...que nada! Falei demais, o pessoal gostou muito (agradeceram pessoalmente no fim) e vendi até livros! E não foi pouco não...Quase 20 livros vendidos, entre Chaves, Chapolin e Trapalhões (teve gente que comprou os três).

Aproveito o post, no entanto, para debater um pouco um dos temas levantados durante a sessão de P&R.

A questão é: o que mudou no humor que existia nos tempos de Chaves e Trapalhões até os dias de hoje? Afinal, por que, no intuito de fazer rir, as pessoas devem ser invasivas, intrometidas, agressivas e, muitas vezes, ultrapassar o limite do bom senso?

Luis Antonio Giron, jornalista, escreveu em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo no dia em que Mussum morreu (30/07/1994): "Os Trapalhões foram os últimos palhaços da TV". Não poderia estar mais certo. Não há mais espaço para o humor ingênuo na TV brasileira e mundial?

Você concorda? Acha que o humor de hoje, com CQC e Pânico na TV, é o mais apropriado para nosso tempos de Internet, em que somos imediatistas e o trivial já não nos completa?

Opine!

sábado, 11 de outubro de 2008

Palestra sobre Trapalhões no Doutores da Alegria


Caros, darei uma palestra na próxima segunda-feira, dia 13 de outubro, às 20h, na ONG Doutores da Alegria. Irei contar um pouco a história dos Trapalhões e do Chaves, temas dos meus livros.

A entrada é gratuita. Quem quiser aparecer, me avise ou vá lá direto mesmo. Anote aí:

O que: Palestra sobre a história do grupo Os Trapalhões

Quando: Segunda-feira, 13 de outubro de 2008, às 20h (duração aproximada de 1 hora)


Onde: Doutores da Alegria - R. Alves Guimarães, 73 (uma travessa da Av. Rebouças).

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O dilema de Rubens Barrichello


Com 264 grandes prêmios nas costas, Rubens Barrichello já passou por tudo que alguém pode passar na Fórmula 1, com exceção do título: ultrapassou, foi ultrapassado, humilhou, foi humilhado, chorou por alegria e tristeza; viu lendas nascerem e morrerem ao seu lado. Empolgou e desiludiu um país. Foi uma esperança e motivo de risos. Teve oportunidades de ser campeão, protagonizou e passou por mero coadjuvante. Tudo várias vezes.

Agora, após quase 16 anos de janela, o brasileiro se vê em uma nova posição: a da possível aposentadoria. Sua equipe, a Honda, ainda não se manifestou sobre o interesse no brasileiro para a temporada de 2009. Sem contrato assinado, ele pode ficar sem carro, o que inevitavelmente significaria o fim de sua passagem pelo mais importante mundo do automobilismo.

Barrichello é o único elo de ligação nas pistas entre a Fórmula 1 que temos hoje, quase 2.0 e orientalizada, e a outra categoria, que um dia foi chamada de tecnológica, do tempo que iniciou. Em 1993, ano de seu debute, os maiores nomes na categoria eram Ayrton Senna e Alain Prost. A equipe a ser seguida era a Williams, hoje em frangalhos. Nigel Mansell e Nelson Piquet (o pai) eram lembranças recentes e constantes rumores de possíveis retornos. Schumacher? Em 93, o alemão ainda era uma estrela em ascenção, com apenas 1 vitória no currículo e na - extinta - Benneton.

Foi-se a caravana. Entre todos os nomes presentes naquele Grande Prêmio da África do Sul de 1993, quando Barrichello começou, ele é o único que ainda está no grid. Até Schumacher já parou. E, agora, frente a uma ameaça de aposentadoria forçada, o brasileiro confessa que não está preparado para abandonar o circo.

Imagino o que se passa pela cabeça do piloto. Como acontece com a maioria dos profissionais, a hora de parar é sempre difícil e evitada ao máximo. Mas ela chega, inevitavelmente. Faltam apenas três corridas para o término da atual temporada. Longe dos holofotes, Rubinho aguarda por uma, apenas uma vaga que o credencie para mais um ano. Até lá, seu discurso e sua gana seguirão os mesmos.

Mas o resto? Quanta diferença...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ócio no Panamá

Eis o que a falta do que fazer causa nas pessoas...


sábado, 4 de outubro de 2008

Playa Bonita, Panamá

Resort fantástico e quente: umidade relativa do ar chega a 90%

Voltando do Panamá. Cansativo d
emais, mas valeu a pena conhecer um local que (provavelmente) jamais pagaria para ver (nada contra o Panamá, mas a Europa está sempre aí).

Fiquei no resort Playa Bonita. Meio afastado da cidade, mas vale a pena. Lá tem tudo que você precisa, incluindo bares nas (várias) piscinas, uma praia particular, bebida, spa com massagem e muito, muito calor. Ao contrário do calor que estamos acostumados, vindo apenas do sol, lá o complicado é a umidade, que chega a 90% - bem pior do que Manaus, que fui na semana anterior. Isso ficava claro cada vez que saía do quarto do hotel, devidamente refrigerado. O "bafo" era tanto que as lentes dos óculos escuros embaçavam em questão de segundos.

Fui a trabalho, mas recomendo o local para casais. É absolutamente impossível não descansar. Redes espalhadas por todo lugar, camas instaladas na frente da praia, tudo voltado para o completo e total ócio. O preço parece convidativo (cerca de USD 170 por dia). Ah sim, a moeda local é o dólar. Todo mundo fala espanhol e inglês. A população não é lá muito bonita, mas há um ou outro que se salve. Longe do hotel, percebe-se que o Panamá ainda tem muito o que crescer. A maior parte da cidade é pobre e o boom imobiliário vivido lá, com dezenas de prédios em construção, mostra que pelo menos eles estão andando pra frente.

Passamos pelo Canal do Panamá também. Confesso que não conseguir ficar impressionado, pois a obra é tão, mas tão grande (o canal inteiro tem cerca de 80 quilômetros) que você simplesmente não consegue absorver bem a dimensão toda da coisa. Dá apenas para ver trechos do canal, como algumas eclusas. O que chamou a atenção mesmo foi o "trânsito". Na praia em que ficamos no hotel, era possível observar uma longa fila de embarcações, todas esperando sua vez de atravessar pelo canal. Vale a pena? Se vale. Se decidirem dar a volta, por toda a América do Sul, levam três meses, no mínimo. Pelo canal, são apenas 15 dias.

Abaixo, o vídeo que mostra a "fila" de navios no canal (espere algo amador, ok?).


sábado, 27 de setembro de 2008

Como transformar um vôo longo em quase interminável

Período de viagens. Estive em Manaus durante a semana para um evento corporativo. Além do desgaste vindo do cliente, do próprio evento, da imprensa e afins, alguns detalhes simples conseguem transformar horas que já seriam ruins em péssimas.

Foi o caso do vôo da ida. Uma combinação de fatores no mesmo trajeto me alimentou para o que descrevo a seguir. Manaus não é um vôo longo, quando comparado a ir pra Europa ou Estados Unidos. Mas, quando a tripulação não colabora, olha o que pode acontecer:

  • A briga pelo braço da poltrona: Os que sentam na janela ou no corredor garantem ao menos um braço da poltrona pra chamaer de seu e descansar seus antebraços. Quem está no meio tem briga dupla. Mas ninguém escapa: ao menos um braço de poltrona terá de ser disputado. E aqui dá-se início a algo como uma briga social, um embate entre cavalheiros, uma batalha civilizada. Afinal, como ninguém mais é criança para sair na pancada por um simples encosto, (mas que você quer tê-lo só para si, isso quer) que comecem os jogos! Normalmente o adversário sempre sai na sua frente. Quando você se lembra, lá está o braço do esconhecido disposto ao seu lado ocupando o que era pra ser o seu espaço. Mas, deixe estar: quando ele resolve se esticar, bocejar, coçar o nariz, repousamos rapidamente nosso cotovelo ali, como que demarcando-o como nosso território Mas, a guerra não é ganha. Pois ele ficará de olho. E se você, nem que seja por uma fração de segundo, abrir a guarda, ele tomará de volta o espaço. E assim, nesse clima bélico-pacífico, seguirá seu trajeto aéreo.
  • Mastigar de boca fechada ajuda: a TAM tem o cordial hábito de distribuir balas de leite (toffel?) antes do vôo. Saudável, não? Não, se na poltrona de trás estiver um sujeito que simplesmente não tem a habilidade de mastigar (ou chupar, mascar, o que seja) a bala com a boca fechada. Então, se você levou um fone de ouvido, essa é a hora para usá-lo. Caso contrário, conviva com essa dor.
  • Arrotos, pigarros e outras intempéries fisiológicas: havia um grupo de japoneses (sim, do Japão mesmo) indo comigo. Um deles ficou ao meu lado (o mesmo que duelou pelo braço da poltrona). E não é que o sujeito inventou um novo modo de assoar (nunca soube se é "assoar" mesmo) o nariz? Pois é, ele o fazia pra dentro. Como? Fungava, jogava pra boca, misturava tudo e engolia de novo. Nojento? Não, meu caro. Nojento é quando isso acontece o tempo todo, do seu lado e em um idioma desconhecido pelo seu ser humano.
  • A bateria imaginária: o sujeito que estava na janela levou o seu iPod, ou coisa que o valha, para ouvir suas músicas preferidas. O palco: Wembley, no ano de 1974. Você é John Bonhan, baterista do Led Zepellin. Está no trecho final de "Stairway to Heaven", onde a bateria é fundamental. Suor e alma da música estão em suas baquetas, e você dá tudo que pode! Qualquer batuque é pouco, toque como nunca! Eis que, de repente, o rapaz na poltrona da frente interrompe sua utopia musical e diz: "cara, tá incomodando legal". Pois é. Quando estiver ouvindo suas músicas no fone de ouvido, não as batuque na poltrona, na perna ou onde mais quiser. Talvez seja um pouco óbvio de lembrar isso, mas os demais presentes no avião não estão ouvindo a mesma música que você, e podem ficar um pouco irritados com seu ritmo (ou a falta dele).
  • A pessoa do lado tentando fazer amizade: frente a tantas barreiras em um mesmo vôo, algumas pessoas tentam socializar para minimizar os problemas. Uma senhora, na coluna ao lado, fez isso comigo. Fazia questão de puxar conversa cada vez que algo que a incomodava acontecia. E eu estava lá com meu fone de ouvido, tentando dormir um pouco. Assim, ao menor sinal de que eu fosse acordar, ela olhava pra mim, procurando papo. Nem as minhas respostas típicas de quem quer abreviar o diálogo ("é", "a-hã", "verdade...") não davam o recado pra pobre moça. Não tenho nada contra a simpatia gratuita. Mas algumas pessoas precisam entender que nem todo mundo quer conversar a toda e qualquer hora...
  • Idas ao banheiro: tem coisa mais chata do que um japonês que adora ir ao banheiro o tempo todo? Ainda não tenho certeza pra isso, mas que irritou, irritou. Afinal, para que ele possa chegar ao sanitário, tem que sair de sua poltrona. E, para isso, eu preciso sair do meu lugar, deixá-lo passar, e repetir a operação quando ele regressar. Imagine isso várias vezes. Incômodo, não? Acho que ele também achou, pois depois de 40 minutos de vôo ( e três idas ao banheiro), mudou de lugar.
  • Ah, as filas: qual a razão da pressa? Assim como nos cinemas, os lugares são marcados no avião! "Boa noite. Em nome da TAM, eu dou as boas-vindas ao vôo..." essas poucas palavras, ainda no saguão da embarque, bastam para que uma voluptuosa fila se forme na entrada. O mesmo ocorre na saída, ainda no avião. Mal ele parou, as pessoas já se levantam de forma apressada, atrás de suas malas, para ficar de pé, paradas, por tempos que chegam até a 10, 15 minutos. Aí, naquele silêncio só interrompido pelos som de celulares ligando, elas olham, irritadas umas para as outras, impacientes por estarem ali, de pé, esperando. Alguém ouve o "por favor, pemaneçam sentados até que o aviso de cinto de segurança se apague"? Alguns ultrapassam todos os limites. Os que estão na janela também se levantam. Mas, como não conseguem chegar até o corredor (já tomado pelos primeiros apressados), ficam curvados, em posições ridículas, esperando que a porta do avião finalmente abra. Santa paciência...
Ah, e semana que vem, o Teremos... estará no Panamá. Vamos ver o que trago de lá. Só espero que o vôo (esse sim, longo) seja melhor.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Novidade ultrapassada, mas útil: tags

A partir de agora, uma novidade aqui no blog. Na verdade ela já existe há um tempo, mas nunca a utilizei de fato. São os tags, ou marcações, como alguns chamam. Está vendo o "institucional" no fim do texto? Pois é, se você clicar nele, saberá tudo que já rolou nessa área por aqui.

Estou usando algumas palavras gerais - poesias, freelas, música, cinema, TV, elvis, livros -, assim as pessoas podem encontrar posts antigos que possam (ou não) valer a pena. Quer achar outras poesias? Outras crônicas? Algo sobre meus livros? E por aí vai... Para os veteranos aqui, não muda muita coisa, mas pra quem chegou há pouco, pode ser interessante.

Por enquanto, cerca de metade dos posts já publicados neste blog (mais de 300) já possuem tags. Os outros vão recebendo aos poucos. Em alguns dias, ele estará inteiramente marcado.

É o Teremos Coisas Bonitas pra Contar... trabalhando para o seu conforto.

sábado, 20 de setembro de 2008

Momento nostalgia - de volta ao
Porto Seguro


Passado a presente: a porta da sétima série permanece a mesma, mas outras já usam cartão magnético

Hoje tive oportunidade de voltar ao Colégio Visconde de Porto Seguro, o local onde provavelmente tenho mais memórias na minha vida (depois da minha casa, claro). Naquele local em que falávamos alemão e parávamos toda vez que o Hino tocava, foram 11 anos que pareceram intermináveis. Momentos muito divertidos, mas também sofridos e difíceis. Como disse meu amigo da época (que me acompanhou), nem mesmo um fechamento de revista se compara à semana dos provões que enfrentávamos. O nível de estresse não era pouco. E eu concordo com ele. Prefiro fechar um relatório anual do que voltar à semana dos provões.

Impressionante foi ver o quanto a escola de modernizou. Elevadores, quadras cobertas, centro cultural, anfiteatros, tudo ali é novo. Foi difícil, mas encontrei ainda objetos inalterados desde o distante ano de 1996.

O evento marcou os 130 anos da escola. Pela primeira vez, desde que saí de lá, a direção abriu todo o local - diferente das festas juninas, em que somente temos acesso à área esportiva. Dessa forma foi possível, pela primeira vez após muitos anos, revisitar locais históricos como a sala onde fiz o pré, o ponto secreto em que ficava com minha primeira "namorada" e momentos com os amigos.

Nesse passeio pela escola, passado e presente brigavam para tomar o primeiro plano. Ali, cada toque, cada cheiro e cada olhar despertaram algum sentimento. Tristeza extrema e diversão inocente dividiram espaços. Os olhos se encheram de lágrimas diversas vezes. Naquele local nasceu o Jack, uma espécie de versão embrionária do Joly. Todos, originados pelo bom e (nem tão) velho Luís Arthur.

Eis algumas das fotos.

Estacionamento subsolo de dois andares: cadê o colégio que eu estudei?

O bom e velho "campão": pelo menos ele, continua ali (o estacionamento está abaixo dele)

O Porto agora tem pavões: de novo, cadê o colégio que eu estudei??

A lanchonete continua intacta. Mas, na época, a coca custava R$ 0,50 (isso pra não falar dos cruzeiros)

A biblioteca mudou. Agora, parece uma área livre de um shopping. Aliás, o colégio inteiro parece um shopping...

Aqui é o local onde "ficava" (aos oito anos ou menos) com minha primeira namorada, que por acaso reencontrei ano passado

Triste lembrança: essa era minha visão quando descia as escadas após receber o boletim da sexta série. Reprovado

Corredores que marcaram época: nele, a única novidade são os armários

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Nenhum beijo, vários queijos

Degustação comentada: estou até as orelhas de queijo

Já comentei com alguns minha vontade de criar um blog somente dedicado a temas de gastronomia. Afinal, é uma área que me fascina. Mas, considerando que surgem novos blogs a cada três segundos e que minha agenda não permite exatamente posts regulares, ainda é uma idéia a se pensar bem. Enquanto ela não amadurece, vou postando por aqui mesmo.

Nas duas últimas semanas, minha vida girou em torno de todos os tipos de queijos. Explico: a mais recente matéria da Mundo Estranho é sobre...queijos. A pauta que eu havia sugerido no início era: qual a diferença entre queijo branco, minas frescal e meia cura? Porém, o negócio aumentou, e virou "quais são os principais queijos produzidos no Brasil?".

Resultado: ontem mesmo, estava em uma (excelente) desgustação comentada de queijos. Experimentei do diário minas frescal ao gruyère e gostei de vários (menos do gorgonzola, não consigo apreciar aquela coisa cheia de fungos e meio ácida). Aprendi mais sobre como diferenciar o sabor de um queijo do outro, suas histórias e origens.

Enquanto isso, o pessoal da ABIQ (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo) não aguenta mais responder e-mails, e o Disney (sim, o nome dele é Disney, e não poderia ser outra coisa que não especialista em queijos) Criscione, gerente de marketing da Tiroles, provavelmente não quer me ver pelos próximos 10 anos, nem pintado de amarelo...queijo.

Mas sabe aquela sensação de orgulho por um trabalho (presumo) bem feito?
Está dando trabalho, mas acho que vai ficar uma das matérias mais legais que já fiz (o orgulho ainda é a que explica a data do nascimento de Cristo). Sai em novembro. Enquanto isso, para quem quiser, está nas bancas a edição atual em que escrevi por quê colocam gelo e limão nos mictórios (sim, mulheres, colocam) e se é verdade que a massa da Terra está aumentando.

sábado, 13 de setembro de 2008

Passando uma borracha no post Passando uma Borracha...

O mencionado post acima foi removido. A razão? Teremos coisas bonitas pra contar... não se propõe àquele tipo de assunto. Aqui só deve entrar o que vale a pena ser contado. Desculpem a falha e expor mais do que devia de minha vida e também de outras pessoas.

Quem vive (ou vivia) de rancor é o excelente blog Rancorizando (que recentemente, morreu, mas ainda vale uma visita). Aqui, insisto, teremos coisas bonitas pra contar. Sempre.

Como nem tudo é perdido, daquele lamentável (mas ainda bem escrito) post, mantenho uma única frase que gostei:

"Que se não for nada, terá sido tudo. E o tudo, vem do nada"

Para finalizar, enquanto o tudo não vem, compartilho as coisas bonitas que vivo por aí, entre elas, o alegre aniversário dos meus queridíssimos amigos Caru Beto. Um boteco solidário, com crianças, família, presidente (o jogo) e até chopp escuro (adoro). Tem vezes que o mais queremos de um sábado à noite é mesmo a companhia de pessoas maravilhosas. E foi o que tive hoje.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Firefox destruindo o Chrome


Muito já se fala sobre o novo navegador da vez, o Chrome. Seria apenas mais um, não fosse o fato de pertencer aos meninos do Google. E, quando uma empresa como o Google entra em um setor absolutamente novo, é melhor prestar atenção: a coisa vai esquentar.


Ou nem tanto assim?


Devo ter sido um dos primeiros entre os milhões que baixaram o Chrome logo na primeira hora em que esteve disponível. Sou um fã confesso do Google, e uso muitos dos seus produtos - destaque, claro, para o GMail, mas não deixo de frequentar locais como Google Docs, GTalk, Orkut e, claro, You Tube (além, naturalmente, deste provedor que abriga o texto aqui escrito).

Lamentavelmente, a decepção foi grande. O Chrome possui um visual simplista, na mesma linha do GMail. Pouco ícones, muita funcionalidade. No caso do Chrome, só faltou o trecho "muita funcionalidade" para ficar bom. O browser é limitado, desanimador e frustrante para geeks como eu. O mínimo (notem, o mínimo mesmo) que esperava era uma integração muito eficaz com os produtos da marca. Acesso rápido e offline ao GMail, scraps sem precisar acessar o Orkut, Google Docs com atalhos, Picasa etc.

Nada. O Chrome pode, no máximo, agradar os usuários comuns. Talvez nem eles. Pois sites como o IMO (Messenger online) não carregam direito, e vários outros abrem com a formatação incorreta - incluindo aí, o do meu cliente).

Resumindo: decepcionante. Nem mesmo o artifício que trata-se de um software beta ajuda. Afinal, qual programa no Google não é beta, mas nem por isso deixa de funcionar bem e ser inovador?

E os outros? | Minha experiência durou poucos dias com o Chrome. Ele já foi removido do computador, e voltei para o Firefox 3, certamente o melhow browser que já usei. Melhor, diga-se, pelos complementos dele, que o torna um navegador com N possibilidades. Um exemplo? Recentemente instalei o complemento FireNes, um emulador para os jogos do Nintendinho 8bits (aquele do Mario 1, 2 e 3). São 2 mil jogos de Nintendo ali, no seu Firefox. Claro, esse é um exemplo bem fútil, mas há muita coisa interessante até para o mundo dos negócios.

Por fim, para quem não gosta do Firefox, recomendo ainda outro antes do Internet Explorer: o Avant Browser. Pouquíssimo mencionado por aí, ele usa a base do IE, mas traz atalhos, visuais e funcionalidades muito mais legais que o irmão da Microsoft.

domingo, 7 de setembro de 2008

Armadilha eletrônica na Notre Dame

Não, caro leitor, não tive a oportunidade de passar o fim-de-semana em Paris, vendo uma das catedrais mais antigas do mundo. Infelizmente, o local em questão foi uma balada homônima, situada na região da Av. Faria Lima.

Para quem já lê esse blog há algum tempo, sabe qual a minha opinião sobre "barulho" eletrônico (também chamada de música eletrônica por alguns). Não sabe? Veja aqui. Pois bem. Dica de um amigo, acabei aceitando ir ao tal do Notre Dame. "Um bar-balada", disse ele.

Pois o começo até que foi interessante. Apenas o começo - daí o uso da denominação "armadilha" no título. Pois chegamos lá e havia uma banda tocando ao vivo no local - desde sucessos recentes, como do tal NX Zero (é assim que escreve-se?) até os mais clássicos, um pouco mais do meu tempo (Legião, Capital e até Raimundos). A banda não era nada demais, bem fraquinha, de fato (o baterista atravessou umas três vezes), mas tocaram até Doors, e foi o suficiente pra eu dar uma animada.

Durou pouco. Em meia hora, a banda se despediu, e o que deu sequência no som da casa foi o maldito inferno barulhento e eletrônico. Inevitável, claro, ficar com cara de c* (desculpe o português claro), naquela balbúrdia que alguns insistem em classificar como música.

Mas a pérola maior ainda estava por vir. Em tempos de lei seca, achei uma prestação de serviço mostrar as imagens que tirei ali. Note: ultimamente, tenho bebido cada vez menos e de forma mais seletiva. Acho que isso vem com a idade (sim, quem me conhece sabe que já fiz muita besteira), mas mesmo assim fica difícil imaginar como alguém consegue perder o controle da maneira que eu vi ontem.

Um dos conhecidos no local (amigo do amigo do amigo), pelo jeito, não conseguiu segurar a onda na bebida. O que veio a seguir, eu mostro em fotos-legendas. Elas falarão muito mais do que uma descrição detalhada do que houve.



















Via-se que ele não estava bem; subitamente, o rapaz citado cai no chão, como se o imundo piso da casa noturna fosse uma gostosa e aquecida cama


















Os seguranças discutem o que fazer com o rapaz: pronto-socorro ou ignorá-lo mesmo? Note a "torre de cerveja" vazia, uma das culpadas (entre Vodkas com energético) para que o rapaz ficasse daquela maneira


















No fim, ele busca equilíbrio esperando pelos "amigos" na rua, molhado, vomitado e certamente pensando o quanto vale beber tanto assim...

domingo, 31 de agosto de 2008

À Prova de Tudo, um teste de estômago no Discovery Channel

E eis que, assistindo ao Discovery Channel, acabo pegando o programa À Prova de tudo: o Cardápio de Bear. O conteúdo? Uma hora inteira com o "melhor" das viagens do tal Bear, um maluco que diverte-se nos mostrando o que é possível comer quando estamos em uma situação de abandono completo em um local remoto.

Não passou nem meia hora ainda e eu já descobri que, no deserto do Saara, você pode comer uma aranha viva, que uma cobra é extremamente saudável no Panamá e as fezes de elefantes africanos possuem bastante água para te salvar a vida. Mais? Pois saiba que os testículos de um bode, quando comidos cru, são ricos em potássio e podem representar a diferença entre morrer e viver mais algumas horas.

Em cada uma das "iguarias", ele comenta quantas calorias ela possui. Um butídio, uma das mais mortíferas espécies de escorpião que existem (isso segundo o canal, claro), possui menos de 10 calorias. Ou seja, você teria de comer vários deles em um deserto para viver. Isso, claro, se conseguir separar a parte venenosa da "boa". Ainda assim, corre o risco de contrair doenças devido a possíveis parasitas presentes no escorpião.

A questão é: quantos de nós já passou, ou ao menos conhece alguém que chegou perto de passar por algo minimamente semelhante às situações propositadamente vividas pelo apresentador? Nota-se: ele ainda faz questão de mastigar com a boca aberta, assim é possível ver detalhes sórdidos (como se o programa inteiro já não fosse um) como as patas da aranha viva sendo esmagadas ou o sangue de um olho de carneiro escorrendo pelos lábios.

Qual a verdadeira intenção de um programa como esse? Audiência ou uma incrível e fascínora prestação de serviços?

De qualquer maneira, já sei que não passo mais sede nessa vida. Afinal, segundo Bear, em situações extremas é possível beber sua própria urina. "Afinal, se você fizesse xixi no chão, estaria desperdiçando todo aquele líquido", comenta o sujeito, complementando com a cereja no bolo de momentos grotescos: "mas atenção, só faça isso em último caso."

Para qualquer maluco interessado, abaixo tem um pouco das peripécias de Bear.


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O que tenho escrito por aí

Para os curiosos, ociosos e demais, achei legal começar a postar aqui onde e quando algumas matérias minhas têm saído.

UOL Interpress Motor - Continuo como colunista de Fórmula 1 por ali, sempre escrevendo após cada corrida. Aliás, tem uma nova por lá sobre a vitória de Felipe Massa em Valência
F1 Mania.net - Também escrevo regularmente lá, como colunista fixo.
Mundo Estranho (Abril) - Ainda sou um repórter "freela fixo" por lá. Algumas das mais recentes pautas que fiz por lá estão abaixo. Dão trabalho, mas adoro:

- Julho: A Amazônia pode se tornar um deserto?
- Setembro:
1) É verdade que a massa da Terra está aumentando?
2) Por que alguns mictórios têm limão e gelo?
- Outubro:
1) Por que o focinho dos cães é gelado?
2) Por que alguns sites são terminados em .net e outros, em .com?
3) Por que as orelhas "esquentam" subitamente?

Vila do Chaves.com - Pois é, sou um colunista ocasional deste belo site sobre o mundo de Roberto Gómez Bolaños. Meus textos estão lá em "colunas".

Também escrevo ocasionalmente em outras publicações, mas vou dizendo quando saírem.
Confusão mental


Imagino as vertentes de um caminho
Sonho com semblantes que imagino
Tenho fé, vislumbro o desconhecido
E já é sabido.

Procuro novas possibilidades
Não sinto arrependimento nem vaidade
Vexames já passados não mais valem
Não sei mais disso.

Batalho castelos de paixão
Destruo batalhas de emoção
Emulo situações reais, de perigo e te(n)são
E choro em vão.

Pra mim, foi só mais um aviso
Pra nós, foi mais, foi um presságio
Pra gente, foi a quebra de um mito
E tenho dito.

sábado, 23 de agosto de 2008

Sonho

Como em um sonho, tudo acabou. Com hora marcada, com sorriso fechado, tudo encerrou. Fim de sonho, fim de riso, fim de aviso de algo diferenciado. Ali, nobre gestual, tudo volta ao normal. Como um sonho, como esponho, sempre casual. Ali, acabou.

Sonho bom, sincero, puro. Sonho curto. Intenso, alegre, vívido. Sonho limpo. Cheio, gigante, apaixonante. Sonho eterno.

Sonho.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Mais considerações sobre os Jogos Olímpicos

Consideração 1

Durou apenas 6'57'' a experiência com o Terra TV, que alardeia por todos os cantos a transmissão das Olimpíadas pela Internet em tempo real (em vídeo). Pois tentei, pela primeira vez, usar a inovação. Começou bem, com narração e tudo mais, mas não durou muito. Logo, o vídeo travou e começou a mostrar o jogo de forma quebrada. A cada seis segundos, a imagem congelava, experiência que mostrou-se extremamente irritante após muito pouco tempo.

Resolvi abandonar a tecnologia inovadora e ir ao menos revolucionário, o rádio. Pois, neste exato momento, enquanto escrevo este post, aguardo há mais de 5 minutos o site da Jovem Pan AM abrir - até agora, apenas uma tela branca é exibida.

Para quem trabalha - e usa - tecnologia o tempo todo, como eu, isso é como um chuveiro gelado no dia mais frio do inverno. Mas as esperanças ainda não acabaram. Saio da tela do computador e vou para o celular, ouvir pelo rádio mesmo. É o único jeito de assistir Brasil e Argentina enquanto fingimos estar trabalhando.

Consideração 2

Ontem, por alguns minutos, tênis de mesa foi o meu esporte favorito. Acompanhei, atenciosamente, à partida entre Gustavo Tsuboi e o canadense Peter-Paul (não parecem nomes de personagens de HQs?). Tsuboi esteve muito perto de perder - o canadense teve 4 match points, mas Tsuboi virou o que parecia impossível e ganhou por 4 games a 3. Comemorei como jamais achei que iria. Acho que é esse o tal do espírito olímpico que as pessoas tanto falam...

sábado, 16 de agosto de 2008

Dois anos de Comes e Bebes

Mais um evento gastronômico para postar aqui. Desta vez, foi a celebração de dois anos do blog de Marcelo Katsuki na Folha Online, o Comes e Bebes. Para comemorar o ocasião, rolou um jantar no excelente espaço Viver Casa & Gourmet, que trouxe a temática do arroz, típico na culinária japonesa, em diversas frentes.

Engana-se quem pensa que o cardápio trouxe apenas comida do Japão. Embora a maioria fosse criação dos lados de lá, também havia espaço
para suculentos bolinhos de arroz, e iguarias preciosas, como um arroz negro com aratu, um caranguejo típico do Pantanal, acolhido em um saboroso avocado (veja foto abaixo).

A bebida também não deixou a desejar. Os diversos tipos de saquê, as caipirinhas e demais drinques alcóolicos me deixaram rrependido por não ter ido ao local de táxi. Destaque para um ótimo drinque, que trazia saquê, romã, abacaxi, laranja e água com gás.

Fica aqui também a dica para conhecer o local. O Viver Casa & Gourmet oferece cursos dos mais variados temas, indo de culinária a maquiagem, tudo no mesmo local - e o melhor, de grátis. Mais informações aqui.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Ah, as Olimpíadas!Ah, as Olimpíadas! O símbolo máximo da perpetuação e paz entre os povos, a cordialidade e sentimento de um só coração, o "unido" elevado à máxima potência. Sempre gostei dos jogos olímpicos.

Para mim, é a única oportunidade em quatro anos de ver esportes variados, todos reunindo os melhores do mundo, em um bom cenário e com platéias animadas. Normalmente é nessa época que nos tornamos especialistas em esgrima, em handebol, tiro, adestramento, badminton e outras modalidades. O Hugo Oyama, por exemplo: o cara representa o Brasil no tênis de mesa desde que soube que tênis de mesa é a mesma coisa que pingue-pongue (que heresia).

O maior problema destes jogos olímpicos tem sido o fuso horário. Em média, tenho ido dormir todo dia por volta de 2 da manhã. Assistindo tênis, vôlei de areia (e não de praia!), handebol (perder no último segundo? Como assim?!), levantamento de peso e afins.

Nos bares, como constatou um colega de trabalho aqui da agência, todo mundo entende tudo de cada modalidade. Na TV, os comentaristas que ninguém conhece tentam explicar, às pressas, como são as regras. E assim, aos trancos e barrancos, nos tornamos brasileiros: piloto de Fórmula 1, técnico da seleção, esgrimista, atleta olímpico e assalariado nas horas vagas.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O encosto removível no banco de trás do Santana 89

O distante ano de 1982, na casa do Caracol: no fundo, meu pai jogando meu irmão na água

Quando criança, havia um encosto removível no banco traseiro do Santana dos meus pais. Adorava abaixá-lo e pôr meus braços ali. Sentia-me importante, mesmo com aquele tecido dando um pouco de aflição só de encostar.

O Santana era 1989. Quando fizemos uma curva bem fechada, abri a porta sem querer (adorava ficar mechendo no trinco) e quase fui arremessado pra fora do veículo. A curva ainda está lá, mas hoje, passando por ela a caminho do trabalho, quase nunca lembro daquele momento que, por alguns segundos, foi tão assustador pra mim.

A curva fica no caminho da casa da minha avó, já falecida. Casa imensa, família enorme. Família italiana, clássica. Nos almoços de domingos, era tanta gente que as mesas eram divididas: a dos adultos, a dos adolescentes e a das crianças. Cerca de 8 a 9 garotos e garotas, a mesa grande era alvo de todas as brincadeiras. A maior delas, jogar o capeletti nos copos de guaraná dos outros.

Nunca gostei dos pastéis da empregada, famosos. Quando comecei a gostar, já com meus 16 ou 17 anos, a empregada morreu e pouco guardei daquele sabor. Os demais, no entanto, ficaram: as cocadas, em formato de losango, estão sendo mordidas por mim agora mesmo. O já citado capeletti, e sua maciez recheada de molho de tomate que vejo no lugar deste teclado. O guaraná e a coca nas garrafinhas de 290 ml (que, hoje, todo mundo diz que é melhor dos que em lata) deixam os olhos vermelhos enquanto falo.

Por alguma razão, pouco me lembro de estar na mesa dos adolescentes. As crianças foram se tornando mais raras, e a mesa das crianças cresceu junto conosco. Jamais gostei da mesa dos adolescentes.

Perto do espaço das crianças, havia um microondas. Que tecnologia! Na tenra infância, aquele provavelmente devia ser um dos primeiros na região (e provavelmente funciona até hoje). Para mim, seu uso limitava-se a apenas uma função: pão francês (ou "pão de padeiro", como sempre chamamos em casa) esquentado com manteiga. A empregada colocava os pães dentro do forno. Trinta segundos depois, saíam fumegantes e amolecidos. A nós, crianças, não importava que, poucos milésimos após, ele já estava borrachudo e frio. O que importava era passar a manteira nele e devorá-lo gostosamente.

Na mesma bancada do microondas, havia um armário onde minha avó deixava o Estadinho (pra quem não sabe, a edição do "O Estado de S. Paulo" pra crianças). Todo domingo, quando eu entrava pela grande porta, já seguia à direita para pegar o jornal. Começava ali minha paixão pelo jornalismo? Não, ela já existia dos tempos de Tio Patinhas e Disney Especiais. Mas isso é outra história.

Por fim, quando entrava em grandes lojas de departamento, com minha mãe, adorava passar as mãos e os braços pelas roupas que estavam em araras circulares, espalhadas pelas lojas. A sensação na pele das roupas, uma depois da outra, raspando pelo braço, era ótima. Alguns setores, como os de camiseta de algodão, eram melhores. Os de pesados blazers, irritavam tanto quanto aquele fajuto arminho do encosto do banco traseiro do Santana 89.

Ainda assim, eu não podia imperdir-me de abaixá-lo e repousar ali. Saudades da infância.

domingo, 3 de agosto de 2008

Paellas Pepe, comida espanhola no quintal

Cozinha em família: a panelinha acima era só o que restou, no fim do almoço

Nem pense em chegar de repente ao restaurante Paellas Pepe. Lá, só com reserva confirmada. Assim, a família pode se planejar sobre quanto de paella deve ser feito. Família? Sim, esse restaurante espanhol é mais um daqueles que começaram como pequenos almoço para os amigos, cresceram e passaram a contar com gente "de fora" (normalmente, são os melhores).

A paella, especialidade da casa que me foi indicada por Rodrigo Padron (e é "paelha" mesmo, e não "paeja", como dizemos na América Latina), é feita na versão valenciana - calma, não sei todos os tipos, mas sei que essa não leva carne de porco. A receita era do pai, espanho legítimo, que passou pros filhos, e já está com os netos. Aliás, a família toda trabalha no local, que aceita até 100 pessoas e faz eventos fora da casa também.

O camarão e o lagustin servem como "tampa" pro arroz ferver

Sineta | A paella só é servida a partir das 14h, mas vale chegar antes. Ao meio-dia, a mãe e um dos filhos começam a preparar o prato - ali mesmo, do lado das mesas, em duas enormes panelas (enormes mesmo, cada uma comporta 30 kg, que servem 45 pessoas ). A preparação é lenta, mas o tempo voa. Dois músicos muito bons cuidam do som ambiente - com direito a músicas espanholas, entre outras - enquanto os clientes vão bebendo sangria e enganando a fome com alguns tapas.

Quando dá 14h, enfim, os cozinheiros tocam uma sineta: é hora de atacar! Mas ninguém ali pega a comida por conta própria: os próprios cozinheiros servem, para selecionar um pouco de tudo que vai no prato: além do arroz, frango, camarões enormes, mexilhão, marisco, mexilhão, polvo, lula, legumes, o açafrão tradicional e, por cima, gigantescos lagustins - que precisam de prática para serem comidos, conforme este blogueiro (olha, sou blogueiro?) constatou.


Quase na hora ser servir: "alguns comem até cinco pratos", diz um dos cozinheiros


La dolorosa |O preço é mais um atrativo: a paella é à vontade, ou coma-o-quanto-puder por 35 reais (se você passar de dois pratos, já me assustaria). A sangria (1 litro e meio) sai por 18 reais. Ou seja, beeeeem menos do que qualquer restaurante espanhol mais conhecido. No domingo, a música ao vivo é contemporânea (o que não os impediu de tocar La Barca, que meus pais, o Raphael, meu irmão e eu acompanhamos efusivamente), mas nos jantares, costumam rolar shows de flamenco, a dança típica da Espanha.

Serviço | Paellas Pepe (http://www.paellaspepe.com.br/)